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Grande Artista e Goleador

Uma reflexão sobre as modalidades

Ecletismo e formação são as pedras basilares do nosso Clube. A maior parte das nossas modalidades mais representativas são hoje alvo de um forte investimento que tantas vitórias nos têm dado mas esse investimento tem algo mais para além do retorno positivo das vitórias; há também o reverso da medalha, que se reflecte na maior dificuldade em integrar os atletas da formação nas nossas equipas seniores.

 

Há que avaliar duas vertentes; será o investimento (e consequente aumento de qualidade) que trava a afirmação dos nossos atletas mais jovens ou somos nós que não os preparámos suficientemente bem para que cheguem ao topo com maiores capacidades para se imporem?

Ambas as coisas estão, a meu ver, interligadas e acho que o investimento nas modalidades, do qual sou defensor, se deve reflectir no seu todo e não apenas no topo da pirâmide.

 

Vem esta reflexão a propósito de algumas situações pontuais que verifico, enquanto sócio atento às nossas modalidades.

Não acho sustentável que o projecto do voleibol continue a ignorar a vertente formativa. O projecto faz sentido, veio enriquecer o universo das modalidades e, felizmente, o Museu do Sporting, mas não podemos pensar apenas no presente.

Tanto no feminino como no masculino, o Sporting tem de apostar na formação de atletas que possam no futuro abastecer as suas equipas seniores.

 

Comecei pelo voleibol mas este "apontamento" vem a reboque de uma situação que me tem preocupado, desde há uns dois/três anos e que até acho que já antes aflorei; a formação do nosso atletismo, que é a modalidade do Sporting mais titulada e, entre as históricas, uma das mais queridas dos sócios e adeptos.

Entendo os constrangimentos da formação até aos sub-18. Não sendo um expert na matéria, arrogo-me a descortinar um dos motivos que levam a que o Sporting não tenha um único representante nos campeonatos da Europa de sub-18; os atletas praticam a modalidade sobretudo a nível local e, na maior parte dos casos, só chegam ao radar dos "grandes" quando os atletas ingressam na universidade. Claro que isto não impede que, em Lisboa, hajam talentos com potencial que o Sporting possa integrar desde cedo mas continua a parecer-me que meios menos populosos potenciam mais a prática da modalidade que o meio urbano.

 

Entendo que, hoje, a representatividade do atletismo não seja a mesma de há uns anos, fruto da evolução de algumas modalidades, do aparecimento de outras e do menor espaço mediático do atletismo em Portugal. Assim sendo, vemos a modalidade fora do top 10 de federados no país, num momento em que a vertente amadora até se tem alastrado pelo país.

Há que reforçar o scouting, descobrir talento o mais cedo possível e tentar potenciá-lo, fazendo do atletismo uma modalidade de referência no nosso país, como já foi no passado.

 

Depois de divagar um pouco sobre as causas, chego à consequência que me parece mais preocupante. O Sporting, para além de não estar representado nos europeus de sub-18, não tem também um único atleta em representação de Portugal nos campeonatos do Mundo de sub-20.

É nesta idade que devemos, também, investir. Trazer para junto de nós os melhores do país, permitir que cresçam com o nosso "know-how" e evoluam num ambiente de treino de maior competitividade.

É nesta faixa etária que devemos aperfeiçoar as lacunas que, dentro dos meus conhecimentos, me parecem as maiores. Projectar parcerias ou protocolos com as universidades pode ser um ponto a favor na hora de decidir entre nós e o nosso maior rival. Tudo deve ser ponderado na hora de captar potencial. Não é negligenciável o valor humano e a experiência adquirida de grandes nomes da modalidade, como Carlos Lopes, Fernando Mamede, Francis Obikwelu ou Naide Gomes mas temos de dar tudo na hora de recrutar os melhores.

 

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