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Grande Artista e Goleador

Vai, Leão!

Há pelo menos dois anos que sigo atentamente Rafael Leão. Aquele jeito desatento, despreocupado, desleixado, por vezes displicente, nunca escondeu o talento enorme que se percebia a léguas em cada vez que tocava na bola. Nunca a perdia sempre que parecia empenhado na acção levada a cabo. Perdia-a quando a acção lhe parecia demasiado fácil, acessível. Fazia coisas incríveis em situações nada propícias a isso e coisas inacreditáveis quando tinha tudo para dar certo. Coisas de craque.

 

Em 2015/16 já actuava nos juvenis e nos juniores, em ambos de forma inconsistente. Um jogo bom, outro mau, um a titular, outro no banco mas o talento, esse, sempre esteve lá. O trajecto dos craques nem sempre acontece com uma passadeira estendida. Leão precisava constantemente de um "abre-olhos" mas o final de época mostrou o melhor dele, sendo fundamental no título nacional de juvenis, depois de já se ter sagrado campeão da Europa de sub-17, pela selecção nacional portuguesa.

Na época passada, a subida aos juniores fez-se de forma pacífica. Era óbvio que precisava de novos estímulos, de maior e melhor oposição. Aquele era o habitat que precisava. A época nem sempre lhe correu de feição. Alternou a titularidade com o banco e pareceu sempre mais decisivo quando começava o jogo como suplente. A qualidade aparecia mas não era ainda consistente. Faltava foco mas eu continuava a dizer em todo o lado que estava ali a "next big thing" (ainda me posso enganar, mas...).

Mais uma vez, é no final da temporada que se dá o "click". Para mim o definitivo, que indiciava que Leão estava cada vez mais pronto. Os momentos de desconcentração eram cada vez mais raros, já se notava outra atitude competitiva. Rafa deixou de estar apenas a jogar no bairro, frente aos amigos da sua rua.

O prémio surge no final da temporada, com a chamada à equipa B, antes do jogo do título no escalão júnior. Leão estreou-se nos escalões profissionais, entrou aos 68 minutos e 22 minutos depois marcou o golo que daria um empate em Braga. Na semana seguinte estava a festejar no Olival o título de campeão nacional de juniores.

 

Esta temporada, confesso, era de enorme expectativa para mim. Não esperava retrocessos mas tinha receio que acontecessem. Ainda com idade júnior, Rafael Leão estebeleceu-se na equipa B e tem ganho o seu espaço, mesmo que fosse expectável que esse espaço fosse de Pedro Marques. Os jogos da Ledman LigaPro alternam com os da Youth League, onde tem sido determinante na, até ver, boa caminhada do Sporting. As "aparições" no campeonato nacional de juniores são cada vez mais escassas e Leão, mais focado do que nunca em agarrar as oportunidades, cada vez mais olha para cima, para o topo.

A estreia na equipa principal foi uma surpresa mas acaba por acontecer com naturalidade, dadas as circunstâncias. O jogador recebeu um sinal de confiança pelo trabalho desenvolvido e respondeu afirmativamente. Podem contar com ele! Jesus lançou-o na Taça de Portugal, em Oleiros. Entrou aos 70 minutos e aos 86 as redes já tinham abanado. Foi ainda mais rápido a marcar na equipa principal do que na equipa B, onde também leva um interessante registo (5 golos em pouco mais de 500 minutos).

Este fantástico percurso não escapou a Rui Jorge, que o convocou para os sub-21, em reconstrução após duas "fornadas" muito boas. A derrota na Bósnia fez soar alguns alarmes e o ex-lateral esquerdo dos leões, hoje timoneiro da equipa de "esperanças", não tardou em dar um sinal ao grupo. Não há lugares cativos e hoje há um Leão preparado para mostrar que não pára de subir degraus.

 

O céu é o limite! Vamos lá, puto!

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Diz que vêm aí as selecções

Mês de Março é mês de selecções e o Sporting "emprestou" a Portugal 18 jogadores, entre os sub-17 e os AA. Parecem muitos mas podiam e talvez devessem ter sido mais.

 

Os sub-17 jogaram no início do mês a Ronda de Elite, fase final de apuramento para o Europeu, a jogar na Croácia entre 3 e 19 de Maio. Bernardo Sousa e Tiago Djaló foram os únicos Sportinguistas presentes no apuramento, sendo que Tiago Rodrigues e Gonçalo Costa foram preteridos relativamente à convocatória anterior, em Fevereiro, para o Torneio Internacional do Algarve, que Portugal venceu.

Portugal, campeão em título, apenas venceu um dos três jogos, ficou em 2º lugar no grupo e está assim dependente de terceiros para se qualificar. Só o pior 2º classificado de todos os grupos não se qualifica mas, visto que os resultados frente ao último de cada grupo não contam para o comparativo entre todos os 2ºs, Portugal contabiliza apenas um ponto e uma diferença de golos negativa (3-5). Após o término de quatro dos oito grupos, Portugal tem o pior registo entre os segundos. É esperar que tenhamos sorte e que possam estar presentes mais jogadores do Sporting (líder da série sul do campeonato nacional de juvenis) na fase final do Europeu.

 

Os sub-19 iniciam hoje à tarde a participação na Ronda de Elite, antecâmara do Europeu da Geórgia, a jogar entre 2 e 15 de Julho. São cinco os leões convocados (Abdu Conte; Bruno Paz, Luís Maximiano; Miguel Luis; Rafael Leão) mas a convocatória é "estranha".

Portugal venceu em Fevereiro o Torneio de La Manga, onde Bruno Paz e Abdu Conté não estiveram presentes. O Sporting teve em Espanha cinco jogadores. Desses cinco, ficam de fora para a Ronda de Elite, Thierry Correia (jogador que tem estado em evidência e em excelente momento de forma no campeonato nacional de juniores) e Pedro Marques (que é apenas e só um dos melhores marcadores nacionais do seu escalão e até marcou em La Manga).

Registe-se que Sporting e Benfica tinham sido os mais representados em Espanha, com cinco jogadores cada, mas Hélio Sousa resolveu aumentar o contingente do 7º classificado (penúltimo) da fase final de juniores de cinco para sete.

É esperar que não corra mal e que depois se possam efectivamente levar os melhores à Geórgia.

 

Nos escalões seniores é onde me parecem haver menos razões de "queixa" mas, ainda assim, encontro alguns reparos a fazer a Fernando Santos. Rui Jorge é o mais justo entre os seleccionadores e Emílio Peixe parece-me ter a tarefa facilitada. Num ano atípico para a equipa B do Sporting, fica mais fácil fazer uma convocatória.

 

Os sub-20 estarão esta semana em França a disputar o torneio das quatro nações e a preparar o Mundial de Sub-20, a disputar entre 20 de Maio e 11 de Junho, na Coreia do Sul.

Emílio Peixe chamou Pedro Silva, Pedro Empis e Pedro Delgado. Apenas Ronaldo Tavares poderia estar também presente mas percebo a opção, dado que pouco tem jogado nos últimos meses.

 

Rui Jorge convocou sete jogadores do Sporting (Rúben Semedo, Domingos Duarte, Tobias Figueiredo, Francisco Geraldes, Daniel Podence, Carlos Mané e Iuri Medeiros) para os jogos de preparação para o Europeu da Polónia, entre 16 e 30 de Junho.

Não tenho reparos a fazer à convocatória. Rui Jorge tem sido fiel ao grupo que escolheu e tem gerido bem os momentos dos jogadores. Palhinha cabia aqui mas se nunca foi chamado, não faria sentido que fosse agora.

 

Chegamos então à principal selecção nacional, onde Fernando Santos chamou Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins. Percebo que não chame Rúben Semedo, visto que o jovem formado no Sporting será certamente um dos escolhidos de Rui Jorge para o Euro de Sub-21 mas já não entendo tão bem porque não se começa a integrar em definitivo Paulo Oliveira no lote de convocados, onde continua a figurar Bruno Alves, a meu ver, perfeitamente dispensável.

De resto, destaco a justa convocação de Pizzi e estranho a chamada de Renato Sanches, muito pouco utilizado em Munique. Seria bem mais justa a chamada de André André (embora não aprecie) ou de Rafa Silva, em detrimento do jovem do Bayern.

 

Fiquem com o calendário das nossas selecções:

23 de março de 2017 | quinta-feira (Sub-20)
16h00: Inglaterra-Portugal Stade de Château Bily - Saint-Brieuc

23 de março de 2017 | quinta-feira (Sub-19)
16h00: Croácia vs Portugal Estádio Capital do Móvel - Paços de Ferreira

24 de março de 2017 | sexta-feira (Sub-21) 
18h15: Portugal vs Noruega Estádio António Coimbra da Mota - Estoril TVI24

25 de março de 2017 | sábado (Sub-20)
15h00: Jogo Portugal-Senegal Stade Adrien Hamon - Bégard

25 de março de 2017 | sábado (Sub-19)
16h00: Turquia vs Portugal Estádio Capital do Móvel - Paços de Ferreira

25 de março de 2017 | sábado (AA)
19h45: Portugal vs Hungria Estádio da Luz - Lisboa RTP 1

28 de março de 2017 | terça-feira (Sub-20)
17h30: Jogo Portugal-França Stade Henri Guérin - CTB Henri Guérin

28 de março de 2017 | terça-feira (Sub-19)
16h00: Portugal vs Polónia Estádio Cidade de Barcelos - Barcelos 

28 de março de 2017 | terça-feira (Sub-21)
17h00: Portugal vs Noruega Gazi Stadion auf der Waldau - Estugarda

28 de março de 2017 | terça-feira (AA)
19h45: Portugal vs Suécia Estádio do Marítimo - Funchal

 

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E renovação de Santos e o futuro do futebol português

Fernando Santos renovou o seu contrato com a Federação Portuguesa de Futebol até ao Europeu de 2020. Nada mais justo para aquele que foi o primeiro treinador a levar uma equipa ao título de campeão da Europa de selecções 'A'.

 

Nunca as condições foram tão boas para construir algo ainda maior do que aquilo que acabámos de alcançar. A forma como Portugal se transformou no novo campeão Europeu e a desconfiança praticamente unânime por essa Europa fora, fará com que continuemos a gozar de um estatuto de outsider nas competições vindouras. Esse estatuto não aumentará assim as nossas responsabilidades para com o exterior, podendo assim Fernando Santos concentrar-se única e exclusivamente e manter o foco, a exigência e a motivação interna, da mesma forma que tão bem controlou estas componentes em França.

 

A juntar a isto, temos a facilidade de renovação da equipa principal. Os jogadores em 'fim de ciclo' são mais ou menos óbvios e temos muitas e boas soluções para os substituir.

 

Não nos esqueçamos que, actualmente, Portugal é campeão da Europa de sub-17, joga hoje o acesso à final do Europeu de sub-19, é vice-campeão da Europa de sub-21 e campeão Europeu absoluto. Fora estes grupos de jogadores de qualidade, há ainda um leque alargado de opções que podem ainda ser-nos úteis. Arrisco dizer que em cada escalão há uns 30 jogadores prontos a manter o nível hoje alcançado por Portugal no futebol Europeu de selecções. Incrível como é que um país como nós apresenta este domínio no futebol de selecções Europeu.

 

Este pode também ser o momento certo para que a FPF não trave a evolução dos jovens jogadores Portugueses, que tanta qualidade têm mostrado. Só há uma forma de garantir um leque maior de opções no escalão máximo, potenciando assim ainda mais as nossas possibilidades de sucesso. Privilegiar o acesso do jogador Português ao principal escalão português e, se isso pode não ser permitido devido às regras de livre circulação na UE, pode sê-lo em forma de incentivo financeiro aos que mais apostem na evolução do jogador Português.

Recordo que Portugal dá estatuto de igualdade a jogadores provenientes de países de língua Portuguesa, tornando assim um Brasileiro 'igual' a um Português no contexto do futebol nacional, algo que prejudica claramente a aposta no jogador nacional, até pelas 'jogadas' de empresários na caça às tão famosas comissões de intermediação de jogadores estrangeiros, grande parte deles vindos da América do Sul e, naturalmente, com o Brasil como privilegiado. Não sendo possível limitar legalmente o número de estrangeiros, incentive-se a utilização dos Portugueses que, como ficou provado acima, em nada ficam a dever aos outros.

 

Temos portanto neste momento um cenário quase ideal para passarmos de crónicos underdogs a uma potência efectiva do futebol Europeu, potenciando resultados e conquistas.

 

Estou muito curioso por aquilo que poderão ser os próximos dois anos e, tenho a certeza que o Sporting continuará a ser um importante aliado da FPF naquilo que é a potencialização e desenvolvimento dos maiores talentos do país.

 

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Ainda a tempo de repor a verdade

Já passaram mais de duas semanas desde que Portugal perdeu a oportunidade de se sagrar campeão europeu de sub-21 e só agora me passou pelos olhos um artigo que repôs alguma justiça.

William Carvalho foi o melhor jogador do torneio e o único dos atletas do Sporting a merecer a honra de figurar no 'onze' da competição.

Foram, a meu ver, cometidas duas injustiças: a não inclusão de João Mário e Paulo Oliveira nesse mesmo 'onze'.

Pois, se quanto a João Mário, não vi quem olhasse as coisas pelo mesmo prisma que eu, o mesmo não aconteceu com Paulo Oliveira.

O artigo é do site Outside of the Box e esta foi a avaliação do defesa central do Sporting.

"Invadindo a primeira equipa de Portugal ainda este ano, Oliveira foi um de vários do lado de Portugal que chegaram ao torneio com montes de experiência. Oliveira foi indiscutivelmente o melhor defesa do torneio, comandando a rectaguarda de Portugal que apenas concedeu um golo em toda a competição. O epítome do defesa central moderno, Oliveira pareceu extremamente confortável com bola e foi a principal razão pela qual Portugal acumulou tanta posse de bola e iniciou os ataques a partir da sua área."

Reposta que está a verdade, resta aguardar que Oliveira encontre o parceiro ideal para liderar a defesa leonina rumo ao título nacional.

Ainda não foi desta

Portugal Sub 21.jpg

«Em dez jogos eles provavelmente vão ganhar mais vezes do que nós. São uma equipa fantástica, com jogadores espantosos.»

As palavras são de John Guidetti, avançado sueco, e são uma boa forma de resumir este europeu.

Fomos a melhor equipa mas ontem foi o dia de jogar um daqueles dez jogos em que não se vence.

Estou triste, naturalmente.

Sobretudo porque tínhamos capacidade para vencer em apenas 90 minutos. Quando o jogo seguiu para o prolongamento os suecos cresceram, sobretudo em termos anímicos.

Não eram favoritos e fizeram tudo desde o início para que o jogo acabasse nos penaltis sendo o que deus quisesse.

Pois bem, não fomos eficazes da marca dos 11 metros e a Suécia acabou a festejar.

Parabéns aos suecos e aos portugueses, em especial aos sete magníficos que representaram e bem o nome do Sporting Clube de Portugal.

Hoje há mais

Enquanto por cá se tenta desvalorizar William Carvalho, lá fora há quem lhe dê o devido e real valor.

A análise é de Josh Ashdown, após o jogo com a Alemanha e eu vou tentar traduzir, para que todos a ela tenham acesso (se alguém com melhor entendimento do Inglês do que o meu detectar erros graves, que se chegue à frente).

"Houve um momento - bem, na verdade foram vários, mas um sobressaiu - no Estádio Andruv, sábado à noite, que resumiu o domínio absoluto de William Carvalho sobre o meio campo da Alemanha na humilhação dos favoritos por 5-0, aos pés de Portugal. A bola caiu perdida a meio do meio-campo português. Dois alemães caíram sobre ela mas, em apenas dois passos, o jogador do Sporting bateu ambos como que esmurrando-os. Uma ligeira oscilação depois e os dois jogadores de branco estavam sobre a relva, os seus desarmes tinham desaparecido no ar e Portugal estava a caminho de um novo contra-ataque.

Num Campeonato da Europa de Sub-21 onde as performances colectivas se têm sobreposto às individuais, Carvalho e o seu colega de equipa Bernardo Silva, dois diamantes diferentes no meio-campo português, têm sido os destaques individuais. Qualquer onze ideal escolhido após a final de 3ª feira deve ter exactamente o esquema táctico que Rui Jorge usa para a sua equipa.. Fazer outra coisa será subestimar o impacto deste par.

Horst Hrubesch tentou combatê-los jogando com os dois homens que havia colocado no meio-campo defensivo em 4-2-3-1 na fase de grupos - Emre Cam e o jogador do Bayern de Minuque, Joshua Kimmich - como homens mais avançados num 4-1-4-1 mas isso simplesmente serviu para oferecer a Carvalho maior espaço para explanar todas as suas capacidades. O treinador da Alemanha recorreu à sua estratégia habitual na segunda parte mas sem sucesso.

Can, em particular, teve com o jogo um castigo severo. O jogador do Liverpool fez um bom torneio no meio-campo mas a diferença entre ele e Carvalho é abismal. A este nível, Can tem grande presença - está fisicamente um ou dois passos à frente da maioria na sua faixa etária - mas empalideceu perante a do o seu homólogo português, cuja influência é tal que parece ter a sua própria gravidade, passando todo o jogo conformado e curvado perante a sua atracção.

Arsenal e Manchester United foram associados a Carvalho no verão passado, quando este foi chamado à equipa de Portugal para o Campeonato do Mundo do Brasil. Miguel Veloso, João Moutinho e Raúl Meireles inicialmente afastaram-no da equipa mas ele acabou por iniciar o jogo final da fase de grupos, contra o Gana, naquela que acabou por ser a única vitória de Portugal no torneio.

Na altura, ele não escondeu o desejo de jogar em Inglaterra ou Espanha mas a cláusula de rescisão de 45M€ foi suficiente para afastar os pretendentes. Fica evidente neste torneio que era uma pechincha.

Arsenal e United requisitaram credenciais para observar o torneio mas não estão sozinhos - Bournemouth, Aston Villa, Bolton, Brentford, Brighton, Burnley, Charlton, Crystal Palace, Everton, Fulham, Liverpool, Manchester City, Middlesbrough, Reading, Southampton, Stoke, Sunderland, Swansea, Tottenham, Watford, West Ham e Wolves também o fizeram, já para não falar de Milan, Ajax, Dortmund, Atlético Madrid, Internazionale, Barcelona, ​​Bayern de Munique, Juventus, Paris Saint-Germain entre muitos outros grandes clubes da Europa.

É impossível que não tenham ficado impressionados. Carvalho, que na fase de grupos cobriu mais terreno do qualquer outro jogador, mesmo que às vezes não pareça forçado a mais do que uma simples corrida, eclipsou não apenas Can e Kimmich em Olomouc mas também Johannes Geis, que entrou no torneio com uma reputação crescente, e Max Meier, o substituto de Geis ao intervalo.

Pierre Hojbjerg, que espera fazer parte da equipa principal do Bayern de Munique, de Pep Guardiola, na próxima época, falhou miseravelmente a tentativa de se impor na meia-final em que a Dinamarca perdeu frente à Suécia. Há um extraordinário médio neste torneio e é o nº6 de Portugal.

O único rival do jogador de 23 anos pelo prémio de melhor jogador do torneio é o seu colega de equipa. Depois de ver limitadas as suas opções no Benfica, Bernardo Silva foi contra o fluxo geral de saídas do Mónaco e chegou ao Estádio Loius II por 15.75M€, em Janeiro. Enquanto Carvalho fornece um controlo elegante, sem esforço - fez mais passes  do que qualquer outro - Silva é especialista em evitar adversários. Os dois da frente de Portugal jogam quase como extremos fazendo do nº10 essencialmente um pivot atacante.

Quando ele foi substituído cinco minutos após o intervalo, já Portugal tinha quatro golos de vantagem, foi ovacionado de pé por grande parte da assistência neutra. A mudança significou uma troca para algo parecido com um 4-4-2 para a equipa de Rui Jorge, oferecendo a Carvalho a oportunidade de mostrar a sua versatilidade - uma carga do lado direito chamou particularmente a atenção e logo após a hora recuperou mais uma bola perdida e deu três toque antes de disparar por cima da barra onde outros teriam simplesmente avançado desenfreadamente para a baliza.

Se Portugal conseguir ganhar o Europeu Sub21 pela primeira vez, em muito o devem ao homem do Sporting. Independentemente do resultado, os grandes da Europa têm muito em que pensar."

Resumindo, é isto:

Para mais tarde recordar

Nunca duvidei da capacidade da nossa selecção para eliminar a Alemanha.

Mais, sempre tive a convicção de que jogaríamos a final.

Mas nunca me passou pela cabeça que o fizéssemos com uma goleada.

Classe, temos para dar e vender. Experiência também. Segurança, idem. Mas esta eficácia não é habitual.

Esperava vencer pela margem mínima, até porque ainda não tínhamos marcado mais do que um golo por jogo.

Não foi assim e pudemos assistir a uma vitória categórica dos nossos miúdos, quase todos eles com capacidade para lutar por um lugar na principal selecção.

PAULO OLIVEIRA foi, mais uma vez, o verdadeiro 'BOSS'. Ganhou todos os duelos e impôs respeito aos alemães. Jorge Jesus precisa efectivamente de um patrão...felizmente, não será necessário gastar dinheiro.

TOBIAS FIGUEIREDO foi o complemento perfeito ao patrão Oliveira. Esteve, também ele, intratável nos duelos e a defesa não tremeu.

RICARDO ESGAIO continua a marcar pontos como defesa direito. Percebe como poucos os momentos em que deve ou não subir no terreno e defende com competência. Levou um amarelo necessário e foi sempre mais seguro que o colega do lado esquerdo.

WILLIAM CARVALHO, para nós, que o conhecemos, foi igual a si próprio. Correu mais de 11.5 quilómetros e foi a mancha que 'engoliu tudo no meio-campo. Todas as jogadas saem dos seus pés e se, para nós, é tudo normal, para outros não.
A UEFA voltou a designá-lo como o melhor em campo e a reacção dos adeptos a cada toque na bola é elucidativo disso.

JOÃO MÁRIO foi um dos melhores em campo. Para mim foi mesmo o melhor, mas é difícil nomear apenas um jogador numa equipa que esteve em tão bom plano colectivo.
Assistiu, marcou e passeou classe com os seus pés de veludo.

Bernardo voltou a mostrar grande qualidade. Sérgio Oliveira, muito bem. Ricardo e Cavaleiro marcaram. José Sá voltou a manter as redes invioláveis.

Fomos enormes e o vigésimo jogo sem perder pode significar um inédito título europeu com selo de qualidade 'made in Alvalade'.

Devagar, devagarinho, até ao Rio de Janeiro

A equipa de sub-21 portuguesa garantiu ontem, com a presença nas meias-finais do campeonato da Europa, a participação nos Jogos Olímpicos do próximo ano, no Brasil.

Foi um jogo em ritmo morno. Rui Jorge confiou na experiência e capacidade dos nossos jogadores para gerir o jogo sem arriscar muito e sem nos expormos muito ao erro.

Acabou por correr bem mas espero que haja um plano B para que aspiremos à vitória no Europeu.

Estamos com uma costela 'italiana' e, embora os próprios italianos tantas vezes se tenham dado bem com esta abordagem, não é garantido que a mesma resulte para nós. 

Alé disso, temos na nossa equipa para ser mais agressivos ofensivamente visto que, defensivamente, temos estado em muito bom plano.

PAULO OLIVEIRA foi mais uma vez um dos melhores em campo e uma barreira praticamente intransponível. Num jogo em que não houve grandes destaques individuais, foi dos que esteve em melhor plano.

TOBIAS FIGUEIREDO estreou-se, rendendo o lesionado, Tiago Ilori. Não desiludiu e, para a boa exibição e segurança defensiva, em muito contribuiu o conhecimento do seu colega de sector com quem tem rotinas criadas.

RICARDO ESGAIO fez aquilo que me parece lhe ter sido pedido. Foi seguro defensivamente, salvou um golo feito e não se aventurou muito no ataque.

WILLIAM CARVALHO foi, como sempre, o pêndulo e o gestor de ritmos de todo o meio-campo. Não foi exuberante mas foi eficaz. Falhou, ainda na primeira parte, um golo na cara do guarda-redes sueco. O prémio de melhor em campo é merecido, embora pudesse ter outros destinatários que estiveram a nível semelhante.

JOÃO MÁRIO não arriscou muito no ataque, talvez para que não fôssemos apanhados em contrapé. Faltou-lhe qualquer coisa no último terço mas, mais uma vez admito, que pode ter a ver com instruções de Rui Jorge. Defensivamente, cumpriu.

IURI MEDEIROS voltou a mostrar que já merece uma oportunidade como titular. Agitou o ataque e fez tremer a defesa escandinava, tendo mesmo feito a assitência para o golo de Gonçalo Paciência.

Empate com estrelinha

Diz-se habitualmente que a 'estrelinha' da sorte protege aqueles que estão destinados ao sucesso. Se assim for, grandes feitos esperam esta equipa portuguesa de sub-21.

José Sá e a ineficácia transalpina foram garante de um ponto e da manutenção no primeiro lugar do grupo.

Foram utilizados 6 dos 7 leões em competição (apenas Tobias Figueiredo não saiu do banco de suplentes).

PAULO OLIVEIRA

Mais um jogo praticamente perfeito. Formou boa dupla com Ilori e, quando não foi Sá a brilhar, Paulo Oliveira esteve lá.

RICARDO ESGAIO

Apesar da sua versatilidade, nunca pensei que Esgaio se fixasse em definitivo na lateral defensiva. O empréstimo à Académica revelou-se acertado. Permitiu-lhe ganhar rotinas no lugar e parece cada vez melhor. Apenas uma falha já nos descontos que nos podia ter sido fatal, mas o italiano falhou.
Para mim, está pronto para se assumir como concorrente sério ao lugar na época que se avizinha.

WILLIAM CARVALHO

Não foi aquele William demolidor. Parece desgastado e acho mesmo que devia ter sido substituído para não forçar uma lesão.
No entanto, não deixou de ser o esteio do nosso 'miolo' e teve laivos dignos de Sir. King Carvalho.

JOÃO MÁRIO

Mesmo que descaíndo para a direita, tal qual extremo, João Mário foi competente e podia, novamente, ter sido ele a resolver o encontro. Falhou de forma incrível por não ser dos mais competentes naquela zona, onde se esquivou de usar o pé esquerdo.
Tem tudo para melhorar e a finalização é aspeto a rever se quer subir um patamar em termos de qualidade.

CARLOS MANÉ

Exibição apagada e, na minha óptica, devia ter sido substituído (só não o foi por gestão física de outros elementos da equipa). Teve um rasgo à Mané mas falhou no remate.

IURI MEDEIROS

O açoriano começa a pedir a titularidade. Entrou bem mas algo precipitado. Agitou as águas mas nem sempre tomou as melhores decisões numa altura em que, com Gonçalo Paciência em campo, se pedia mais a sua presença na área. Em cima do minuto 90, obrigou o redes italiano a uma boa defesa.

Nota de destaque para José Sá, Tiago Ilori e Bernardo Silva.

Inacreditável como um guarda-redes da qualidade e fiabilidade de José Sá passou uma época completa na 2ª Liga!

Tenho mais pena da saída de Ilori do que de Dier. Seguro, tem complexão física invejável, aliada a uma excelente flexibilidade, agilidade e bom jogo aéreo. Pena que tenha dado primazia ao dinheiro.

Bernardo Silva é um craque. Relação excelente com bola. Não é um Messi mas tem um controlo de bola em progressão fantástico. No dia em que decidir melhor o tempo de largar a bola, será top mundial.

João Mário resolve...Jesus sorri.

Confesso não saber se Jesus sorriu ou não. Quanto a João Mário, decidiu mesmo o encontro com a Inglaterra, para o Euro sub-21, marcando o único golo da partida.

Jogo impecável de Paulo Oliveira.

Esgaio esteve certinho, tanto defensivamente como no apoio ao ataque.

William foi o King e basta ver o que os 'bifes' disseram dele ontem no twitter para aferir a sua qualidade.

João Mário marcou o golo mas foi bem mais do que isso.

Iuri entrou muito bem e fez mais em cerca de 20 minutos que Ivan Cavaleiro.

Mané jogou pouco tempo e acabou por não dar muito nas vistas.

Chegaram a estar em campo 6 jogadores formados no Sporting (Ilori, Esgaio, William, João Mário, Iuri e Mané).

Estiveram em campo em simultâneo 6 dos 7 jogadores do Sporting convocados por Rui Jorge (Paulo Oliveira, Esgaio, William, João Mário, Iuri e Mané).

Não tenho dúvidas: Jesus sorriu e, acrescento eu, terá pensado..."Vou ter talento de sobra!"

Portugal de verde e branco

Os sete.png

Confesso-vos o meu entusiasmo pelo Europeu de sub-21 que ontem começou e hoje se inicia para Portugal.

Vejo nesta geração muita qualidade, não só, mas especialmente nos atletas do Sporting.

São os sete magníficos e vão ajudar Portugal a sagrar-se campeão europeu de sub-21, feito nunca antes alcançado.

Boa sorte, leões! Boa sorte, Portugal!

Nota 10

sub 21.jpg

A selecção nacional sub-21 venceu a Holanda por 5-4 num daqueles jogos que deixa os treinadores à beira de um ataque de nervos.

A concentração necessária para encarar um jogo desta importância só durou 13 minutos, altura em que Rúben Vezo inaugurou o marcador.
Portugal perdeu a concentração, pois achou que estava tudo decidido e a Holanda deixou de estar concentrada pois a urgência de marcar era tanta que deixou de haver qualquer tipo de discernimento na abordagem à maioria dos lances.

Todo o jogo foi jogado numa toada de parada e resposta que acabava por dar obrigatoriamente golos em ambas as balizas, tal era a desconcentração defensiva que ambas as equipas apresentavam.

Aos 20 minutos, Rúben Neves respondeu ao golo do empate holandês com um belo golpe de cabeça, na sequência de um canto cobrado por Tozé (que já tinha assistido para o primeiro golo).

O jogo acabaria por ir para o intervalo empatado a 2 bolas com o golo dos holandeses a ser marcado já em período de descontos.

No reinício do jogo, voltou a ser Portugal a adiantar-se, com um belo golo de Ricardo Pereira, concretizando uma belíssima jogada individual.

A Holanda voltou a responder com um golo na sequência de um canto, em que os portugueses se limitaram a ver jogar. Estavam decorridos 64 minutos.

No entanto, Portugal tinha um objectivo bem definido: vencer os 10 jogos da fase de qualificação. Assim sendo, aos 66 minutos, Ricardo bisou e devolveu Portugal à dianteira do marcador.

Aos 87 minutos, Bernardo Silva viria a selar a vitória que ainda seria reduzida à margem mínima com um golo holandês de grande penalidade a um minuto dos 90.

O jogo acabou por brindar o público que lotou o estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira que não pagou bilhete e ainda viu 9 golos.

Irrepreensível o trabalho de Rui Jorge e de todos os jogadores que participaram nesta caminhada que culminará com a presença na República Checa para disputar o título de campeão europeu.

Os apurados para a competição são, para além de Portugal: República Checa (organizador), Itália, Alemanha, Inglaterra, Sérvia, Dinamarca e Suécia.

 

De Paços de Ferreira a Copenhaga

Hoje temos selecção em dose dupla.

Às 17 horas, na capital do móvel, Portugal e Holanda decidem quem estará presente no Euro sub-21 2015, na República Checa. Depois da vitória na Holanda por 2-0, espero uma equipa competente e à procura de fechar o apuramento com mais uma vitória. Assim sendo, seriam dez, em dez jogos realizados.

Em Copenhaga, às 19.45 horas joga-se o importante encontro de qualificação para o Euro 2016, em França. Veremos se Cristiano Ronaldo e companhia conseguem trazer os três pontos da Dinamarca. Três pontos esses que são importantíssimos depois do tiro no pé que foi a derrota em casa com a Albânia que, imagine-se, é neste momento a primeira classificada do grupo.

Seguem aqueles que seriam os meus '11' para os dois jogos:

Por U21 Hol U21.jpg

Dinamarca - Portugal.jpg

 FORÇA PORTUGAL!!

Goed voetbal les

Hoje usei o tradutor da google para fazer o título do post em holandês. O significado é: lição de bom futebol. Foi isso que aplicámos hoje aos sub-21 holandeses, juntamente com uma boa dose de maturidade (algo quase impossível de detectar em selecções anteriores) para a qual deve ter contribuído o facto das nossas 'esperanças' terem hoje mais minutos de jogo que as suas antecessoras.

Para começar, Rui Jorge mostra que é um grande treinador. Sabe seleccionar, escolher um onze e corrigir o que não corre bem durante o jogo. Excelente!

O jogo foi de domínio quase total dos portugueses. Boa circulação de bola, com objectividade e sem nunca tirar os olhos da baliza holandesa. O resultado peca até por escasso, face ao número de oportunidades claras de golo criadas.

Acabámos por trazer da Holanda uma vantagem de dois golos, fruto da frieza de Sérgio Oliveira (convertendo um penalti cometido sobre Bernardo Silva após excelente combinação com Raphaël Guerreiro) e da qualidade individual de Carlos Mané (que surgiu isolado na cara do guarda-redes depois de excelente iniciativa na qual retirou do caminho dois holandeses antes de enviar a bola para o fundo das redes).

A equipa funcionou no seu todo e pode até ser injusto fazer destaque individuais, mas não resisto:
- Sérgio Oliveira é um excelente médio e transmite aos colegas segurança e tranquilidade. Foi sempre ele que recebeu a bola quando era necessário 'meter gelo' ou pensar mais o jogo.
- Bernardo Silva é um desequilibrador e os seus dribles desconcertantes tiram adversários da frente com uma facilidade que lhe permite ser quase sempre certeiro na tomada de decisão.
- Raphaël Guerreiro pode ser um caso sério. Passou o jogo a 'fazer piscinas' e foi sempre certeiro a apoiar o ataque sem descurar as tarefas defensivas.
- Carlos Mané fez mais em trinta minutos de jogo do que Ivan Cavaleiro numa hora e Rui Jorge detectou isso antes do meio da segunda parte. Mané não se escondeu e apareceu sempre bem em zonas de finalização e podia até ter feito mais golos.

Será necessária concentração máxima para o jogo de terça-feira em Paços de Ferreira. Um golo cedo seria o ideal para matar à nascença as esperanças com que os holandeses possam vir.
9 jogos de qualificação e 9 vitórias. Seria um 'crime' não estarmos presentes no Euro 2015.

 

É dia de carimbar o passaporte

Não, não vou fazer qualquer trocadilho com Shikabala.

Hoje a nossa selecção nacional de sub-21 joga a primeira mão do play-off de acesso ao Euro 2015 que será jogado na República Checa.
O adversário que nos separa desse objectivo é a Holanda e o jogo realiza-se hoje, às 17.30h em Alkmaar.

Rui Jorge tem tido a competência de escolher bem e prova disso é o percurso até agora 100% vitorioso.

Mesmo assim, vou lançar aquele que seria o meu 11 para o jogo de mais logo:

Holanda - Portugal U21.jpg

 

Com estes ou outros, o importante é trazer da Holanda um resultado que não comprometa as nossas aspirações. Uma vitória seria o ideal, mesmo que pela margem mínima.

Temos uma boa geração de jogadores que pelo que fizeram até agora seria uma pena ficarmos mais uma vez de fora do Euro. Seria também um bom indicador para Fernando Santos, mostrando que o futuro está a ser bem preparado e é só saber aproveitá-lo.

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