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Grande Artista e Goleador

Formar a ganhar

Parabéns aos novos campeões nacionais de juvenis. Após uma época praticamente irrepreensível e de domínio total, chegaram os merecidos festejos.

Depois de uma primeira fase sem derrotas, seguiu-se uma segunda fase em que voltamos a ser líderes com apenas uma derrota. Na terceira fase, voltámos a perder apenas um jogo (o primeiro) e corremos atrás do título, sempre firmes e com qualidade.

Grande trabalho de João Couto e deste fantástico plantel, recheado de talento individual e espírito colectivo.

 

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Juvenis a um ponto do título

Com a vitória de hoje no Seixal, o Sporting coloca-se em posição privilegiada para festejar um título que, depois do tetra-campeonato em 2006/07, não voltou a Alcochete.

João Couto, um ano e meio depois do regresso ao Sporting, justifica as valências que sempre lhe foram reconhecidas no Clube, onde sempre foi bem sucedido.

 

Ontem, no Seixal, o Sporting entrou numa atitude expectante que, infelizmente tenho detectado em vários jogos de vários escalões, muitas vezes mesmo em jogos em casa. Vou fugir um pouco ao tema do jogo para comentar aquilo que tenho observado. Talvez devido à clara noção da aproximação dos rivais em termos de condições/qualidade dos seus técnicos e jogadores, tenho notado que, por vezes, o Sporting altera a sua matriz de jogo em jogos em que defronta o Benfica (com o Porto não tenho notado o mesmo). Essa alteração quase sempre nos prejudica e só quando voltamos a acreditar em nós próprios mostramos todo o nosso potencial e qualidade.

Ontem, isso voltou a verificar-se. Num plantel recheado de qualidade, nada inferior ao do rival, não gostei de ver a nossa equipa a jogar em contra-ataque e sem um ponta-de-lança de raiz. Foi isso que aconteceu na 1ª parte e, ao intervalo, o resultado era-nos desfavorável por 1-0.

 

Só quando soltámos Elves Baldé na sua posição de raiz e fixámos Rafael Leão na frente de ataque o nosso futebol sobressaiu. Dominámos por completo os últimos 30 minutos, marcámos 3 golos e podíamos ter feito mais. Ataque rápido, mas organizado. Nada de defesa baixa nem receio do adversário. Respeito, sempre. Medo, nunca.

O que aconteceu no Seixal foi um festival de futebol rápido e objectivo com Elves Baldé e Rafael Leão como principais protagonistas. Elves tem algo de Gelson Martins e Leão tem semelhanças com Ronaldo Tavares.

Rafael Leão foi mesmo a chave do encontro e, aproveitando a qualidade de Elves sobre a esquerda, estava criado o dínamo que viria a derrotar as águias, levadas ao tapete com dois golos de Leão em 5 minutos.

Algo apagado numa primeira fase da época, Rafael Leão, um dos recentes campeões europeus de sub-17, tem mostrado serviço nesta fase final e apontou o 5º golo nesta fase decisiva. Quase metade dos golos da equipa e quase sempre partindo de uma posição de suplente utilizado.

 

Com uma jornada por realizar (o Sporting recebe o Braga e o Benfica desloca-se ao Olival, para defrontar o Porto), basta ao Sporting um empate para trazer de volta o título para Alcochete e dividir mais uma vez os títulos da formação com os rivais (Porto venceu nos juniores e o Benfica nos iniciados - já na época passada havia sido distribuído um título para cada um).

 

Seguem o resumo do jogo e as palavras de João Couto após o mesmo e espero que o titulo seja uma realidade no próximo domingo, às 11 horas, na Academia Sporting.

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Faz o que eu digo, não faças o que eu fiz

"O meu lugar na História" é um dos artigos interessantes que semanalmente o Jornal Sporting nos traz. Esta semana o entrevistado é João Couto, um dos melhores nadadores se sempre do Sporting e de Portugal.

Escolhi partilhar convosco, pois julgo ser um bom exemplo da dicotomia "talento/trabalho" e da importância que a tomada de decisão pode ter na vida de um atleta.



Saiu do clube em 2001 por divergências com o seu técnico Carlos Cruchinho, ficando uma década sem sequer pisar o solo do Estádio José Alvalade, até que, em 2012, decidiu voltar à estaca zero. "Foi a última vez que fui a Alvalade. Desloquei-me ao complexo para falar com o técnico Carlos Cruchinho e resolver as discordâncias que tínhamos desde 2001. Achei que não fazia sentido continuarmos desta forma e fui pedir-lhe as desculpas que achei que deveria pedir. O tempo passa, na altura era novo e um pouco extrovertido e hoje sinto que levei longe demais as minhas ideias. Felizmente as coisas correram bem e já está tudo resolvido", revela. Contudo, os anos que passaram e que o ajudaram a mudar de ideias, também alteraram as suas capacidades físicas, bem longe daquelas que fizeram dele um dos melhores nadadores da história do Clube e do País. "Tentei regressar em 2012, mas as coisas não foram tão fáceis como pensei e acabei por desistir da ideia".

Voltou a Alvalade e a lugares que bem conhece - ao contrário da sua esposa e filha que nunca lá tinha estado - para falar daquilo que foi, do que mudou e do que agora é. Ao chegar perto da piscina, começaram os reencontros com algumas das pessoas que o viram crescer (começou na natação do Sporting com apenas 4 anos) enquanto atleta. Quanto à conversa com Cruchinho, em pouco mais de 20 minutos deu para entender que é daqueles que diz o que pensa, desde logo pelo arrependimento que demonstrou, relativo a decisões tomadas nos tempos de nadador. "Quando sentimos que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, saímos descansados e seguimos em frente. Mas quando não demos o nosso melhor acabamos por nos sentir arrependidos, que é o meu caso. Não tenho dúvidas que o Cruchinho foi o melhor treinador que poderia ter tido. O único problema foi a minha falta de disciplina. Fui um atleta que ganhou alguns títulos no estrangeiro, mas que nunca passou da vulgaridade. No desporto não chega ao topo quem é talentoso, mas sim quem trabalha. Havendo um objectivo muito concreto e vontade de o alcançar, a pessoa acaba por chegar lá. Mas não tinha qualquer uma das qualidades em mim".

Hoje, a natação, que lhe proporcionou três participações em Jogos Olímpicos, uma medalha de prata nos Mundiais de piscina curta em Moscovo, no ano de 2002, em 50 metros bruços - o melhor resultado de sempre de um português em Campeonatos do Mundo -, entre outros feitos, está longe do seu dia-a-dia. "Nem é um dos meus desportos favoritos, gostava muito de ter sido jogador de ténis. Comecei na natação ao acaso, como muitos miúdos. Aos 14 anos, começam a bater-se os primeiros recordes e começamos a não colocar outras hipóteses em cima da mesa, mas espero que a minha filha venha a ser tenista, apesar de lhe deixar total liberdade de escolha". Não havendo nada a fazer quanto ao seu passado, João Couto foca-se agora no futuro, tendo como grande objectivo dar à filha o apoio que, diz, nunca teve. "Quero ajudar a minha filha a tornar-se campeã. Não decidindo por ela, mas ajudando-a mentalmente, a consciencializar-se que o sacrifício vale a pena, ao contrário daquilo que eu era. A nível da capacidade de sofrimento sempre fui fraco, nunca suportei muito a dor e isso treina-se. Gostava muito de estar com os meus amigos, passear, viajar, e não se chega ao topo com este estilo de vida. Temos de tomar opções e termos pessoas ao nosso lado que nos guiem para o melhor caminho, até porque os nadadores atingem o seu ponto lato muito jovens", diz. "Os meus pais nunca foram esse apoio, não por falta de vontade mas, essencialmente, porque sempre me deram muita liberdade para escolher e nunca tiveram uma grande cultura desportiva para me auxiliarem", explica.

Também para os nadadores de hoje e do futuro, José Couto deixa uma mensagem, mostrando-se preocupado com a falta de apoio dos pais em ajudarem os filhos a alcançar as metas desportivas. "Muitos pais, chegando à hora de entrar na faculdade, exigem dos filhos a máxima dedicação aos estudos, desleixando a componente desportiva. Ajuda muito chegar a casa após um treino e ser estimulado. Os pais têm sempre muito receio dos problemas que os jovens possam vir a ter se apostarem numa carreira desportiva, criando neles uma pressão que os dificulta, e intimida até, na actividade que praticam, deixando-os psicologicamente longe daquilo que é preferível para um atleta com ideias de seguir a alta competição", considera. "Neste cenário, muitos acabam por desistir desse sonho. No meu tempo era dos poucos que tinha a ambição de ser atleta profissional. Consegui-o até aos 25 anos, depois enveredei pelos estudos. Cedi à pressão da sociedade e comecei a pensar no meu futuro fora da natação. Na minha opinião, há tempo para seguir uma carreira desportiva profissional e há tempo para seguir os estudos depois", diz.

O antigo nadador mudou-se para os Estados Unidos - onde ainda treinou dois anos com o mítico nadador norte-americano Ryan Lochte -, para estudar Engenharia Civil durante cinco anos e trabalhar outros dois. Regressou ao país que o viu nascer porque existem coisas mais importantes na vida - como a família. "Foi um retorno inesperado. Casei-me e nasceu a minha filha. Não queria perder estes momentos por nada nesta vida, então decidi vir e fazer uma pausa no trabalho e daqui a um ou dois anos volto a pensar nisso. Quero estar com a minha filha e a minha mulher. Filhos terei um ou dois, empregos posso ter os que quiser. A minha vida já deu tantas voltas que não temo esses 'riscos'. Não me arrependo da decisão", conta José Couto, que deixou ainda um conselho para os mais novos. "Arrisquem, não tenham medo de tentar chegar ao topo. Há tempo para tudo, incluindo a escolaridade".

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