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Grande Artista e Goleador

Ecos: «Francisco Geraldes, o Bryan de Moreira de Cónegos. E o atrevido Podence»

"Francisco é centrocampista, mas foi na ala esquerda que passou praticamente todo o tempo na jornada transacta.

São incríveis as semelhanças com Bryan Ruiz. Na forma como toca a bola. A cabeça levantada, a condução e o passe assertivo com a parte externa do pé. Dos pés. A pausa que coloca no jogo, a forma como descobre sempre no corredor oposto os espaços que a equipa precisa para respirar. Tem soluções técnicas incríveis e entende ofensivamente sem bola onde poderá ser mais perigoso, movendo-se sempre para ofertar opções ao portador. Qualidades evidentes para ser bem sucedido mesmo em organização onde o espaço escasseia, de quem apesar de bastante jovem e pela primeira vez num ambiente diferente não se coíbe de mostrar caminhos e orientar a equipa no relvado.

Na outra ala e com traços bem diferentes Podence. O baixinho é provavelmente o melhor driblador da Liga. Tem mil soluções mesmo quando se move a grande velocidade, e se os adversários não aproximam coberturas é certo que passará pela oposição. Ainda a precisar de perceber que nem tudo se resolve sozinho e que associar-se com quem aparece dentro trará dividendos para a equipa. Quando encarar o jogo entendendo que tabelas e combinações são tantas vezes a forma mais eficaz de conseguir os mesmos desequilíbrios, tornar-se-à mais imprevisível e a sua equipa beneficiará por ter quem só porque recebe a bola no pé obriga adversários a aproximarem e juntarem rápido. Há potencial para ser aquilo que mostra com espaço em todos os momentos."

 

Post original no blog Lateral Esquerdo

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Ecos: "Educação para a vida"

O destaque vai para as crónicas do Escondidinho do Leão na Tasca do Cherba, mais especificamente para a desta semana, que podem ler AQUI.

 

Quase sempre a temática abordada ronda aquilo que o rugby, enquanto desporto e "escola de valores", dá a quem o pratica e não tanto sobre o jogo em si e, por isso, hoje puxo a brasa à minha sardinha.

 

A malta da bola (a redonda) não está habituada desde cedo a formar um bom carácter mas sim em potenciar ao máximo um conjunto de pessoas para a máquina financeira e mediática que é o futebol. Com isso, em muitos dos casos, esquecem o mais importante. Formam-se "batoteiros" em vez de competidores leais, moldam-se pessoas à semelhança de um desporto, pelos seus maiores defeitos, muitas vezes ignorando que o mais importante é formar homens.

 

Deito a minha colherada como homem do futebol, sabendo que o exemplo do rugby é uma excepção neste mundo e congratulo-me por ter tido a sorte de me formar num local onde, de forma excepcional, me formaram como homem, com bons valores e respeito pelo jogo e seus intervenientes. Nunca me prepararam para o profissionalismo mas prepararam-me para a vida e, por isso, também no futebol há bons exemplos. Também a mim o desporto me formou para a vida.

 

Acompanhem o Escondidinho do Leão na Tasca do Cherba.

 

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Ecos

O eco de hoje chegou do outro lado do atlântico. Descobri o blog por acaso e encontrei um post sobre Jorge Jesus e o nosso Sporting.

Mostra um ponto de vista muito interessante sobre o que é hoje o futebol de JJ. Eficaz mas, efectivamente, muito mecanizado. Não vive muito das individualidades nem lhes dá grande liberdade.

Será que ganharíamos mais, faríamos mais pontos ou jogaríamos ainda melhor com mais liberdade para os protagonistas?

Fica a questão.

 

"Nunca tiveste paciência com o baixo nível da mídia que toma o precioso tempo de um treinador com perguntas rasas, repetitivas e óbvias. Nunca tiveste paciência com jogadores que colocavam sua vaidade acima das tarefas que tinham que ser cumpridas dentro de campo, mesmo que de vaidade tu sejas também especialista. Mas sempre, e absolutamente sempre, mesmo quando o resultado não era o esperado, foste capaz de fazer o que ninguém conseguia. Sempre te debruçaste sobre problemas que a maioria dos treinadores nunca nem se questionou e nunca nem percebeu a existência. Sempre vais ser capaz de criar uma equipe coletivamente forte, sempre criarás mecanismos que farão com que qualquer equipe do mundo que venha a enfrentar a tua sofra para marcar e não sofrer gols. És capaz, definitivamente, de independente do ambiente em que estás inserido, criar uma equipe competitiva.

Dito isso, me pergunto sempre: por que não jogas futebol? Por que continuas escolhendo os mesmos jogadores para as tuas equipes com base na altura deles, na velocidade, na capacidade de resistência, na capacidade de força? Onde entrariam Saviola e Aimar na tua equipe do Sporting? Entrariam? Por que não utilizas tua grande capacidade de operacionalização para que tua equipe não deixe o adversário ter a bola por mais do que 30% do tempo de jogo?

Não vou dizer que sei como é, mas mesmo sem a experiência de treinar no mesmo escalão que tu, entendo perfeitamente a posição em que um treinador de um clube do tamanho do Sporting se encontra. A enorme pressão, as diversas e variadas opiniões, as críticas e acima de tudo, a cobrança por resultados. Sempre eles, os resultados. Mas, nessa temporada continuaste brilhante e os resultados não irão ser atingidos. Bom, na verdade serão. O Sporting chegar a uma Champions com a facilidade que chegou nessa temporada é notável, mas os resultados a nível Jorge Jesus é que não irão chegar. O título, salvo milagre, será do Benfica. Mesmo sendo obcecado pela segurança em todos os processos, mesmo garantindo que a maioria dos teus jogadores em campo sejam altos, fortes, não percam divididas, sejam preponderantes em disputas físicas e que estejam sempre a cumprir os posicionamentos defensivos, às vezes um chute acaba por sobrar no pé do Mitroglou frente a frente com Rui Patrício e perdes em casa para o teu rival na disputa pelo título.

Então, novamente: por que não jogas futebol? Os verdadeiros melhores não ganham sempre. Arsène Wenger perde mais do que deveria, Marcelo Bielsa ganha menos do que deveria. E suas equipes são das melhores. São a representação da insignificância da vitória pela vitória, do ganho a qualquer custo, de noventa minutos de sofrimento e medo para chegar ao sentimento efêmero da vitória. Mesmo sofrendo derrotas catastróficas, jamais foram derrotados de joelhos. Hoje ganhaste ao Porto, mas sabes bem como é perder para eles de joelhos, literalmente. A derrota às vezes é inevitável, dado o número de variáveis incontroláveis que existem num jogo de futebol. No entanto, o que certamente controlamos é a maneira que perdemos, e a perda do Campeonato Português da temporada 2015/2016 poderia ter sido muito melhor."

 

La Rodilla de Modric, é o nome do blog. Visitem que vale a pena.

 

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A sorte protege os audazes...e dá muito trabalho

Já todos leram (ou quase todos) através d'A Tasca do Cherba ou d'O Artista do Dia e volto a trazer à baila o assunto.

Normalmente, o adepto vai à bola para se divertir, vibrar ou simplesmente apoiar o seu clube. Fa-lo-ão a maioria de forma desprendida de análises técnico-tácticas. Identificarão facilmente quem jogou bem ou mal mas ignorarão pormenores que, convenhamos, nem sempre são visíveis ao vivo, sobretudo porque a emoção sobrepõe-se à razão.

Quero com isto dizer que é essencial que os adeptos do Sporting (e do futebol em geral) percebam qual a estratégia e modelo de jogo de Jorge Jesus para que possam fazer uma melhor análise do rendimento da equipa.

É fácil estar no estádio e mandar o Patrício bater a bola rapidamente, pedir ao Slimani para correr para a área ou vociferar a cada troca de bola entre os centrais.

O artigo do blog francês "premièretouche" ajuda a perceber o risco a que a estratégia adoptada por Jorge Jesus expõe a equipa. Basta um erro mínimo para que possamos sofrer um golo e a exigência mental daqueles 90 minutos são um factor que deve nortear a nossa tolerância ao erro e reforçar o nosso apoio.

Por querer fazer mais e melhor, de forma ousada e eficaz, este Sporting merece o nosso apoio e alguma tolerância.

A sorte, diz-se, protege os audazes mas, diz-se também, dá muito trabalho. Até ver, não nos podemos queixar daquilo que tem sido esta temporada.

Amanhã há mais e aposto que depois desta leitura (e sobretudo do visionamento dos vídeos) nunca mais verão um jogo do Sporting de Jesus com os mesmos olhos. Se, como eu, gostam de viver o jogo no estádio, revejam-no em casa sempre que possam.

A cultura futebolística refina a cultura de adepto.

Ecos: "Este país não é para Sportinguistas moderados"

O texto que se segue é da autoria do Cherba e limito-me a transcrever uma opinião com a qual estou 1000% de acordo.

Nunca foi fácil ser do Sporting. Quer dizer, deve tê-lo sido por altura dos Cinco Violinos, mas eu refiro-me aos últimos trinta anos, décadas em que se foi cozinhando em lume brando a bipolarização desportiva em Portugal. Durante esse tempo, à medida que benfica e fcp iam dominando nas mais variadas frentes, o Sporting ia-se aconchegando ao papel de gigante adormecido. Tão adormecido e tão aconchegado que os adversários, com toda a falsidade que lhes era e é inerente, passaram a dizer que o desporto nacional fica mais pobre sem um Sporting forte nas mais variadas modalidades. Com o futebol à cabeça, claro está.

A falsidade e o tom de gozo era subliminados com o maldito aparecimento do conceito “clube-empresa”, com o desprezo por uma história única ao nível da modalidades, com a escolha de presidentes que mais depressa têm um ameaço de AVC ao darem uma grande tacada no green do que ao festajar um golo com as nossas cores. E para quem consiga ter passado por tudo isto a assobiar para o alto, nunca é demais recordar que o Sporting Clube de Portugal esteve perto de ter refundar-se face ao espartilho finaceiro em que, imagine-se, os Sportinguistas o deixaram. “Epá, ó Cherba, mas tu vens disparar para dentro ou para fora?”, poderão perguntar-me, ao que eu respondo que uma das coisas que mais me entristece e ver que aquelas que deviam ser armas comunicacionais de excelência para nos defendermos e contra-atacarmos são, diariamente, utilizadas por quem veste as mesmas cores para continuar a cultivar interesses pessoais ou para promover um discurso que promove a contenção e a moderação, as mesmas que nos deixaram literalmente na merda.

E todo este cenário, que me incomoda profundamente, voltou a desfilar em frente dos meus olhos na noite passada. Num canal privado, a SIC, um tal de Marques Mendes aproveitava o seu tempo de antena para assumir a propaganda pró-Vieira e para carregar nas mentiras que são ditas de forma tão natural como beber um copo de água: este negócio com a NOS coloca o presidente do benfica na galeria dos épicos e vai permitir-lhe acabar com o passivo do clube. Como se o dinheiro entrasse no clube de uma só garfada, como se o passivo não fosse superior a 500 milhões, como se… enfim, testas e testas a serem brindadas com gelado fesquinho e uma orda imensa de orcs a gritarem de felicidade. Depois, nesse mesmo canal, mais uma reportagem sobre um tal de Renato que, por este andar, acabará o ano como o futebolista que mais capas teve em 2015. E quando um gajo se farta e faz zapping, leva com uma promo da Champions, na RTP, o tal canal que se governa com o nosso dinheiro, que só pode ter sido escrita e realizada pela dupla Guerra e Gabriel (só não passou foi na btv). Esta merda, todos os dias, cansa. Revolta. E mostra-nos, claramente, que este país não é para Sportinguistas moderados.

Caso não te tenhas apercebido, já lá vai o tempo em que compravas um jornal desportivo escrito por pessoas sérias e capazes de disfarçar os imperativos editoriais manietados por cores clubísticas. A Bola assumiu-se, sem pudores, como o jornal do rei dos pneus, tendo em Delgado o porta-voz de toda a falta de ética jornalística que grassa no nosso país. O Jogo mandou às malvas a máscara do equilíbrio e assume-se como jornal oficial ao fcp. E o Record vive dividido entre a tentação de dar continuidade a anos de Queridos e de Manhas ou de aceitar ser o único a dar voz a quem tenta desmontar o sistema. E nem vale a pena passarmos aos generalistas, ou vale? Correio da Manhã, DN, Público, qual deles o mais empenhado em mostrar que não é só o equipamento da selecção que procura rebaixar o verde para fazer brilhar o vermelho.

Caso não te tenhas apercebido, já lá vai o tempo em que conseguias falar de futebol com os teus amigos sem que a conversa seguisse outro rumo que não o do futebol jogado nas quatro linhas. Esquece essa merda. Até porque se tiveres amigos do benfica eles vão ser capazes de dizer-te que o Tonel fez penalti de propósito e tu vais ficar à beira de perder uma amizade face à vontade de lhe dares uma cabeçada (só para limpares o gelado da testa, claro). É triste, mas conseguiu-se promover o futebol que não é futebol, sendo Portugal um dos porta estandartes dessa miserável forma de estar. Os 15 ou 20 programas de paineleiros são tudo menos programas de debate futebolístico e a única utilidade que têm é a de fazerem-nos ter a certeza de que, ao contrário do que acontecia há 30 anos, qualquer puto Sportinguista deixou de precisar de imaginar como funcionam os bastidores mafiosos do nosso futebol. Afinal, está ali tudo, sem qualquer pinga de decoro. Diz-se o que se quer, manipula-se a informação, envenena-se a opinião pública. Mata-se o futebol aos poucos, mas que se lixe se for esse o caminho para a bipolarização. São as chamadas “agendas”.

O que não estava previsto nas agendas era que, de um momento para o outro, o Sporting, o tal acomodado ao seu papel de gigante adormecido, resolvesse espreguiçar-se e, com isso, fazer abanar o tabuleiro do jogo. E é por isso que, caso não tenhas reparado, este sistema 2.0 que rege o desporto em Portugal esteja a ser diariamente reprogramado para atingir o mesmo alvo. E, face a isto, tens duas opções: ou continuas a assobiar para o lado e és engolido, ou lutas e respondes com as armas que tens. Até te dou de barato que possas não querer entrar em discussões acesas, mas há um mínimo que podes fazer: faz-te sócio do Sporting. Não podes? Assina o jornal! Não podes? Faz like no facebook oficial! Não tens facebook? Segue o teu clube no Linkedin! Não tens? Usa o Twitter! Não usas redes sociais? Deixa de assinar a SportTV! Não és assinante? Boa. Agora deixa de alimentar os diários desportivos com o teu dinheiro e os teus cliques. É à borla no café? Então desmascara toda a propaganda que veiculam! Isso vai dar confusão no café? Estás a ver o que eu estava a dizer-te: este país não é feito para Sportinguistas moderados. Quanto mais depressa o entenderes, mais próximo estarás de poder ajudar o teu clube num momento da história onde, como se acaba de ver com o regresso da equipa de ciclismo, podemos esperar todas e quaisquer movimentações vindas do esgoto. E que é impossível estagná-las e combatê-las sem estar disposto a aguentar o cheiro e a caminhar no meio de tudo o que te repugna e revolta.


Em, "A Tasca do Cherba"

Ecos: "Os Invisíveis"

Costumam ser altos, entroncados e fortes. Durante o jogo, têm de disputar muitos lances pelo ar e beijam a relva quando os cortes são feitos na raça. Eles entram em campo com um olhar determinado, mas sabem que o mais importante é parecerem invisíveis.

 

Quando um central não marca numa das suas caminhadas até à área contrária e quando a equipa adversária faz três remates durante a partida, há muitos adeptos que se esquecem da sua existência. O jogo de ontem é o exemplo ideal para explicar esta perda de memória: desejámos um golo durante noventa minutos. Pontapeámos cadeiras depois de mais um lance perdido. Segurámos a respiração quando os nossos jogadores não encontravam a direcção da baliza depois de outro remate. Desesperámos, mas nunca deixámos de cantar. Fizemos setenta e um ataques, estivemos muito mais de metade do jogo instalados no meio-campo do Belenenses, mas as estatísticas não nos oferecem vitórias. As estatísticas não, mas a nossa dupla de centrais sim. E é quando olho para o passado que me apercebo, ainda mais, da nossa evolução. Quando olho para o passado, vocês deixam de ser invisíveis. Sabem que mais? Todos nós, depois de jogos como o de ontem, deveríamos olhar para o passado. Jorge Jesus tem toda a razão quando oferece estrelinhas aos jornalistas para colocarem nas árvores de Natal. Quem acompanha o Sporting Clube de Portugal tem consciência de que, muito provavelmente, em épocas anteriores, não teríamos saído de Alvalade com mais três importantíssimos pontos. Quantas e quantas e QUANTAS vezes assistimos a réplicas da tarde/noite de ontem? Querem falar-me dos episódios em que coleccionámos mais uma derrota devido a uma falha de um dos centrais? Estávamos muito tempo a colidir com o muro e, quando nos respondiam com a única arma disponível – o contra-ataque –, não tínhamos peões à altura na retaguarda.

Ewerton e Paulo Oliveira não nos deixam com as pernas a tremer quando pegam na bola, quando permitimos saídas rápidas em direcção à nossa grande área. Invariavelmente, impõem-se! Encostam o corpo, esticam a perna, saltam mais alto e são muito inteligentes tacticamente, adivinhando o movimento do opositor. Na minha opinião, Ewerton é um central com uma classe fora do comum, que tem o seu percurso manchado por variadíssimas lesões. Paulo Oliveira é a força inabalável que consegue ocupar quase sempre o espaço onde a bola irá cair. Os dois completam-se, e é isso que se pede a uma dupla de centrais. Mais: ainda têm a capacidade de disfarçar as lacunas defensivas dos nossos laterais. Há quanto tempo é que não estávamos tão descansados nesse sector?

É injusto deixar Naldo fora deste texto, até porque fez mais um jogo impecável na Rússia, contra o Lokomotiv. Se Jorge Jesus me estivesse a ouvir, talvez me falasse deste outro “problema”. E coloco entre aspas, porque há pessoas que têm dificuldade em entender ironias. A verdade é que se torna bastante complicado escolher os dois patrões da defesa mas, sinceramente, eu acredito que eles conseguem melhorar jogo após jogo porque sentem que existe uma competição saudável para a posição que ocupam.

Vejamos:

– Jornada cinco: Sporting 1-0 Nacional;

– Jornada nove: Sporting 1-0 Estoril;

– Jornada dez: Arouca 0-1 Sporting;

– Jornada onze: Sporting 1-0 Belenenses.

Eles podem parecer invisíveis, mas são bem reais. Mais reais do que a estrelinha.

Iluminem-me: o lance mais importante do jogo foi protagonizado pelo central do Belenenses, certo? Quanto é que ele pagaria para ter sido invisível?

Sporting sempre.

Rugido de uma leoa (As Redes do Damas)

Bem-vindo, Bruno César!

"O Sporting tem problemas individuais graves, na frente, por não jogar com jogadores com capacidade de desequilíbrio individual no último terço. Sabendo-se da dificuldade da equipa em marcar golos, Bruno César, saindo Carrillo, é o seu sucessor natural. Alia grande qualidade técnica à uma velocidade de execução tremenda. Inteligente na forma como procura o último passe, e veloz na passada como Jesus gosta. Fortíssimo na finalização. Poderá não estar nas melhores condições agora, mas estará de certeza em condições para entrar no onze assim que Jesus quiser. É a solução que o treinador procurava, a tal criatividade individual, tão necessária no seu modelo de jogo para partir equipas mais compactas. Sendo que não há muita qualidade na frente do Sporting, "Chuta-chuta" vai ser fundamental no desfecho do campeonato, e no sucesso que o Sporting possa ter. 

 

Percebe-se que para um treinador o mais importante é o treino, e o trabalho que ele desenvolve com os jogadores, bem como as relações que os jogadores desenvolvem entre si, quando opta por retirar Bruno César da competição até Janeiro, dando-lhe já tempo de trabalho dentro da sua ideia de jogo. Poderia, para alguns treinadores, pensar-se que o melhor seria o ritmo competitivo. Mas em competição, e para quem trabalha de forma tão específica, o mais importante é o ritmo de aquisição de comportamentos colectivos e o conhecimento das competências e do perfil dos colegas de equipa. É um grande golpe de Jesus ter Bruno César já, ainda que não jogue. Quando aparecer, estará muito mais preparado do que se estivesse a competir pelo Estoril."

BLESSING, no blog Lateral Esquerdo

Desagrada-me mais a duração do contrato do que a contratação em si mas, até ver, não há motivos para não confiar em Jesus.

Leitura recomendada

Análise aos Relatórios & Contas dos 3 grandes por: O Artista do Dia

Parte 1 - O endividamento

Parte 2 - Os custos com o pessoal

Parte 3 - Os proveitos e custos operacionais

Sporting’s New Golden Boy

O momento parece-me adequado para falar de Gelson Martins, na sequência de mais uma excelente exibição pelos sub-21 coroada com um golo.
O artigo original foi publicado no site Outside off the boot e é assinado por Tiago Estevão (2015TiagoEstv).
A tradução é minha e fiz o melhor que sei, com alguma ajuda do Google Translator. Caso detectem erros graves, espero que me corrijam.


"Se eu contasse a alguém do mundo do futebol que o Sporting tem mais um extremo da sua formação a 'explodir' na equipa principal, ninguém ficaria surpreso. Com uma Academia conhecida mundialmente pela formação de extremos talentosos, a cada época aparece mais um na equipa principal. Claro que foram jogadores como Nani, Ricardo Quaresma e o inevitável Cristiano Ronaldo que trouxeram fama à Academia de Alcochete. Mas agora é hora de um novo lote de extremos talentosos aparecerem em cena com Mané (já completamente estabelecido na primeira equipa), seguido por Gelson Martins, Iuri Medeiros, Matheus Pereira e Podence. Destacado do grupo, Gelson é definitivamente aquele que desperta para o estrelato neste momento.

QUEM É GELSON MARTINS?

Trazido para Portugal na adolescência, após ter nascido em Cabo Verde, Gelson jogou dois anos no CF Benfica antes de chegar à mais reputada Academia do país. Aqui, ele acabaria por ultrapassar etapas até se tornar profissional, enquanto foi aparecendo nos diferentes escalões jovens portugueses. Depois de toda uma temporada passada na equipa B e de um fantástico Mundial Sub-20, esta temporada não se adivinhava fácil a sua entrada na primeira equipa. O novo treinador Jorge Jesus não é conhecido por dar prioridade aos jovens da formação mas sim à qualidade global da primeira equipa, o que tornou ainda mais surpreendente a presença de Martins nas fichas de jogo do Sporting.

ESTILO, FORÇAS E FRAQUEZAS

Apesar de ser capaz de jogar em ambas as alas, o destro, destaca-se mais pelo flanco direito. Utilizado num esquema assente num 4-3-3, tanto na equipa do Sporting B como na selecção nacional de sub-20, o jovem habitua-se agora a jogar no 4-4-2 de Jesus, que lhe amplia as responsabilidades defensivas. De acordo com o treinador do Sporting, não terá apenas de melhorar defensivamente mas também enquanto jogador de equipa, com o treinador português a dizer que Gelson sabe como jogar bem 'sozinho' mas precisa de o fazer 'a um nível competitivo'. A verdade é que apesar de ter muito a aprender, quando se fala de talento puro, o cabo-verdiano é incrivelmente dotado.

Mais do que um extremo rápido, ele é verdadeiramente veloz em espaços curtos e tem a capacidade de segurar a bola mesmo sendo um jogador relativamente fraco, quando falamos do lado físico do jogo. Com 1.73 metros, Gelson tem uma altura semelhante à dos jogadores a que foi comparado, tais como Nani e Quaresma. Não sendo tão forte e robusto quanto eles na sua idade, esse factor torna-o ainda incapaz de suportar certos desafios em campo.

Como driblador realmente habilidoso, tem a capacidade de ultrapassar jogadores com relativa facilidade. Jogando pela direita, ele é ao mesmo tempo capaz de entregar uma boa bola num dos seus companheiros na área (uma equipa com um avançado como Slimani agradece) e derivar para o interior, onde pode mostrar o seu talento, mesmo com o pé esquerdo. As movimentações ofensivas sem bola do jovem de 20 anos são também bastante boas, sabe como aparecer por dentro após passe do extremo ou lateral oposto, mostrando-o em alguns dos seus 6 golos pela equipa B na temporada passada.

Fonte: GSN Índice SRC (Soccer related characteristics): Avaliação de características (30+), que são essenciais para os jogadores. Estatística +/-: Com base em dados de desempenho, os jogadores recebem + e - pontos por suas acções em campo. Potencial: Algoritmos económicos e financeiros modificados, mostram como um jogador se pode desenvolver no futuro. Nível de jogo: O sistema avalia e analisa cada jogo em que o jogador alinhou em toda a sua carreira.

Depois de iniciar a temporada como opção de banco do Sporting, para substituir a estrela André Carrillo, caso fosse necessário, Gelson está agora a tirar proveito do facto do peruano estar fora da primeira equipa por tempo indeterminado. Neste momento, o extremo português jogou por duas vezes consecutivas os 90 minutos nos últimos dois jogos do Sporting em casa, frente ao Lokomotiv para a Liga Europa e o Nacional para a Liga Portuguesa. Apesar das dificuldades dos dois jogos para os leões (uma derrota e uma vitória por escassos 1-0, respectivamente), Gelson mostrou que é uma opção válida para substituir Carrillo. Em ambos os jogos foi, do meu ponto de vista, o melhor jogador do Sporting em campo. Tentou criar individualmente, visto que os companheiros estavam com dificuldades em fazê-lo, completou vários dribles e nunca desistiu de uma jogada. Lutou por cada bola como só um jogador da casa faz e nunca parou de correr durante qualquer dos jogos.  Isso leva-nos a uma fraqueza clara que é comum à maioria dos jovens jogadores, que é correr muito, mas não correr "bem" - algo que se pode ver em tantos jovens talentosos que sentem a necessidade de provar o comprometimento com a equipa.

Com o apoio claro de um treinador poderoso como Jorge Jesus, tenho a certeza que trabalhará por forma a poder ser mais colectivo, fazendo com que a sua resistência dure um jogo inteiro, levando o seu talento puro para níveis de classe mundial."

Pippo Russo e o caso Doyen, traduzido pelo Mestre de Cerimónias

Esperava há uns dias pela já habitual tradução ao artigo do Pippo Russo, publicado no Calciomercato.com. O Mestre de Cerimónias, no blog "O artista do dia", pôs mais uma vez mãos à obra e aqui está o resultado.

"Um documento fundamental. Trata-se do contrato assinado entre a Doyen Sports Investments e a antiga direção do Sporting Clube de Portugal no verão de 2012 para a transferência do defesa argentino MarcosRojo para Lisboa. Jogador que no verão de 2014 está no centro de um conflito entre o fundo maltês e o clube verde e branco, que entretanto tinha passado a ser conduzido pelo novo presidente Bruno de Carvalho. A controvérsia à margem da venda de Rojo ao Manchester United levou à quebra do contrato de TPO que tinha sido assinado entre a Doyen e a antiga direção sportinguista encabeçada pelo presidente Luís Godinho Lopes.

 
Segundo a versão de Bruno de Carvalho, a rotura do contrato é justificada pelas pressões feitas no verão de 2014 pela Doyen para convencer o Sporting a vender o jogador. A Doyen alega por sua vez nunca ter feito qualquer pressão sobre os clubes (Sporting incluído) para a cedência dos jogadores em que o fundo investiu, e que portanto os leões são culpados de uma rotura de contrato ilegal. Um contrato cujo conteúdo, até agora, não era do conhecimento público. Mas ontem, graças ao precioso trabalho desenvolvido por Tariq Panja daBloomberg (LER AQUI), ficámos a saber mais. E aquilo que ficámos a saber contradiz a defesa do fundo, que se baseia no argumento de não ter influenciado a política do clube. Mas antes de analisar o conteúdo do contrato revelado pela Bloomberg é conveniente fazer um resumo rápido da história.
 
No verão de 2012 o Sporting Clube de Portugal, presidido por Godinho Lopes, contratou dois jogadores graças ao financiamento da Doyen Sports Investment: falamos de Zakaria Labyad, um ala de dupla-nacionalidade holandesa e marroquina, proveniente do PSV Eindhoven, e ainda de Marcos Rojo, proveniente do Spartak de Moscovo. O site da Doyen dá a notícia na área Press Room, especificando que o fundo financiou 35% da aquisição de Labyad e 75% da aquisição de Rojo (LER AQUI). Em relação a este último, cujo custo foi de 4 milhões, a Doyen pagou 3. Trata-se portanto de um caso de Third Party Investment (TPI), um esquema em que um fundo financia uma percentagem da aquisição de um jogador e como tal tem o direito a receber uma soma calculada a partir dessa percentagem numa futura venda. Passaram-se duas épocas, durante as quais Labyad não esteve particularmente impressionante. A conversa foi diferente com Rojo, protagonista no Brasil de um ótimo mundial com a finalista Argentina. A sua cotação disparou, e partir daí o conflito explode. Rojo faz pressão para ser cedido, enquanto o Sporting (que entretanto passou a ser liderado por Bruno de Carvalho) prefere mantê-lo ou vendê-lo por uma cifra mais elevada. No espaço de alguns dias chega-se a um confronto entre o jogador e o clube, mas posteriormente o Sporting decide vender Rojo ao Manchester United por 20 milhões. Nessa mesma altura o clube decide não entregar à Doyen a quota de TPI, acusando o fundo de ter estado na origem da atitude de Rojo e, como tal, ter entrado em incumprimento contratual. E fá-lo publicamente através de um comunicado detalhado no qual emergem detalhes grotescos a propósito da conduta do fundo e do seu CEO, Nélio Lucas (LER AQUI). Dos 20 milhões amealhados na venda, o Sporting entrega apenas os 3 milhões do investimento inicial a título de restituição. Por outro lado, contratualmente, cabe-lhe entregar ao Spartak Moscovo 20% das mais-valias realizadas acima de 5 milhões: portanto, 3 milhões. Sobram 14 milhões, que o Sporting retém para si. Se tudo tivesse corrido conforme o contrato, a única coisa certa seriam os 3 milhões a pagar ao Spartak. Tudo o resto é um mistério que não podemos resolver sem ler o contrato, com muitas interrogações a surgirem. Os 3 mihões entregues ao Spartak deveriam estar a cargo do Sporting e Doyen segundo a percentagem (25% e 75%), ou apenas a cargo do Sporting? Os 75% reclamados pela Doyen seriam calculados sobre a totalidade da venda (20 milhões) ou sobre os 17 que sobraram depois da parcela a que o Spartak tinha direito? Interrogações que permanecem sem resposta, porque Bruno de Carvalho declarou a nulidade do contrato assinado com a Doyen durante a presidência de Godinho Lopes. Para além disso, há que acrescentar que existem outras versões sobre a estrutura do valor de aquisição de Rojo comparticipado por Doyen e Sporting Clube de Portugal, o que faz-nos perceber o nível de incertezas que existem neste negócio. Um comentário de um internauta português no artigo da Calciomercato.com que citámos mais abaixo, reporta outros valores, e revela uma hipótese chocante: segundo notícias reportadas por alguma imprensa portuguesa no dia em que explodiu o conflito entre o clube e o fundo, o Sporting estava obrigado contratualmente a pagar uma prestação de 1 milhão por época por Rojo, como se o jogador estivesse alugado.
 
Por seu lado, a Doyen referiu não ter feito pressões sobre o Sporting para a venda de Rojo e recorreu ao TAS em Lausanne, pedindo um ressarcimento calculado com base em 25 milhões de euros. Segundo o fundo, na realidade, há que considerar ainda o valor de Nani, jogador que o Manchester United cedeu por empréstimo ao Sporting no âmbito do negócio de Rojo. As audiências do TAS, que contaram com um desfile de testemunhos "ilustres" a favor do fundo (LER AQUI), iniciaram-se em meados de junho e a sentença deverá ser conhecida em setembro. Mas agora, aqui ficam os detalhes revelados pela Bloomberg, graças aos quais podemos ter uma ideia mais precisa.
 
A Bloomberg refere que, no contrato, Sporting e Doyen estabeleceram em 8 milhões a cifra mínima para a venda de Rojo, que seria o dobro do valor pago ao Spartak no momento da aquisição. E neste ponto, refere a Bloomberg, aparece uma cláusula que vai ao encontro das alegações do clube. A cláusula diz, de facto, que na eventualidade de chegar ao clube uma oferta igual a esse valor ou superior, e se o clube recusasse, teria que pagar à Doyen 75% do valor recusado. Para ajudar a perceber, façamos um exemplo. Suponhamos que Rojo interessa ao Bayern, e que o clube bávaro apresenta ao Sporting uma proposta de 10 milhões. E vamos assumir que o Sporting rejeita essa oferta pelo seguinte motivo: porque nesse momento não pretende privar-se do jogador, ou porque crê que o pode vender por um valor mais alto nessa janela de mercado ou numa janela de mercado posterior. E bem, se a Doyen não concordasse com a decisão do Sporting de não aceitar os 10 milhões, poderia pedir ao clube para ser compensada em 7,5 milhões. Não me parece uma liberdade total, do ponto de vista do clube. Assim como não é a outra cláusula do contrato que estabelecia que, se o clube renovasse com o jogador sem o consentimento da Doyen, o clube deveria ressarcir o fundo no prazo de 3 dias uma cifra designada como "juro". Cláusula que, como especifica o artigo da Bloomberg, estão fora do perímetro das regras da FIFA, que proíbem "qualquer entidade externa de influenciar (um clube), em matérias relacionadas com o recrutamento e com o mercado de transferências, a independência, as políticas e a composição do plantel. Para além disso, no artigo vem citado o peremptório SMS enviado por Nélio Lucas a Bruno de Carvalho, já mencionado no comunicado oficial do Sporting de há um ano. Um comportamento para o qual não há comentários possíveis.
 
Seguramente que o contrato conterá numerosos outros detalhes dignos de nota. Mas aqueles que são citados pela Bloomberg são mais que suficientes para definir a forma como esta questão deverá terminar. É difícil sustentar que certas cláusulas contratuais não são instrumentos de pressão sobre um clube."

 
O artigo original pode ser consultado AQUI.

Onde vão chegar João Mário, Carrillo e Paulo Oliveira?

"A época vai demasiado curta, mas já hoje é impossível não imaginar onde vão chegar João Mário, Carrillo e Paulo Oliveira.

Nenhum treinador do mundo consegue fabricar um talento que não tenha potencial para lá chegar. Todavia, como sempre fomos afirmando ao longo dos últimos muitos anos, os jogadores que beneficiavam de estar integrados no modelo de Jesus saíam extremamente valorizados enquanto individualidades. Aquele jogo apaixonante, de várias linhas de passe próximas, em apoio, em profundidade, à esquerda, à direita, no apoio frontal ou na cobertura potencia uma tomada de decisão mais fácil e consequentemente mais acertada. Naquele modelo de jogo todos se arriscam a crescer como nunca se previu. O segredo esteve sempre no modelo que Jesus trabalha. Por isso o vimos, sempre com razão, afirmar que era indiferente jogar X ou Y. O modelo faz crescer. O seu modelo é o segredo.

Nos últimos seis anos, ao contrário do seu rival Sporting, o Benfica somou transferências inacreditáveis. Hoje é fácil prever que também o Sporting num futuro não muito longínquo poderá entrar numa espiral muito positiva também nas verbas que somará com transferências.

João Mário. Enormíssima qualidade. Sempre a uma rotação elevadíssima, como se exige a quem ocupa o espaço central no 442 de Jesus. Qualidade técnica assinalável, sempre a decidir rápido. A mudar o centro de jogo, a progredir quando há espaço. Agressividade na ocupação e a sair para a contenção. Não há muitos médios na Liga com mais qualidades que o português.  Está no local certo há hora certa para crescer como nunca.

Carrillo. Finalmente todas aquelas capacidades individuais encontram um colectivo que potencie toda a sua criatividade. Recebendo no corredor central, entre linhas, conforme impõe o modelo de Jesus aos seus extremos, é um verdadeiro quebra cabeças. Define com qualidade. Sempre mostrou capacidades também na decisão. Faltava-lhe apenas um modelo ofensivo bem definido como o que encontra agora. Drible, remate, decisão. Candidato a uma das figuras do ano.

Paulo Oliveira. Cresceu muito com o contexto competitivo que encontrou no Sporting. Hoje prepara-se para crescer individualmente naquilo que é mais complicado para um defesa perceber. Distâncias para a bola em função do contexto em que o portador tem a posse. (de costas? Com pressão? Corredor lateral? Corredor central?) Grande qualidade a interpretar o que o rodeia, bem demonstrada na capacidade para se antecipar. Muito potencial tem o jovem português.

Ruiz. Qualidades que encaixam bastante bem no modelo ofensivo do Sporting. Qualidade técnica assinalável que lhe permite jogar por dentro, como é pedido aos extremos leoninos. Decisão rápida e fácil. Capaz de desequilibrar mas também de equilibrar pela forma como percebe o espaço a ocupar e os momentos em que o fazer. Sabe quando acelerar ou temporizar. Jogador de classe, Ruiz é um dos bons reforços da Liga portuguesa.

Aquilani. Alguns minutos em campo a fazerem perceber toda a sua qualidade. De frente para o jogo mexe com toda a equipa. Capaz de colocar a bola onde mete os olhos, o italiano vê tudo e tem qualidade técnica para impor no relvado o que a mente vislumbra. Será decisivo no início das transições, mas também em organização pela forma como o seu passe quebra linhas."

Paolo Maldini em: Lateral Esquerdo

Não desgostei da analgia

Metralhas de Alvalade
 
"Os Irmãos Metralha são uma criação da Disney que se mobilizam para roubar a caixa forte do Tio Patinhas. São figuras engraçadas e desengonçadas, que normalmente vêem frustrados os seus intentos, porque o pato rico arranja sempre maneira de defender a sua enorme fortuna.
 

Lembrei-me deles, agora, não apenas porque o futebol, às vezes, tem muito de desenhos animados, tipo Tom e Jerry, o gato e o rato, estes uma criação de Hanna e Joseph Barbera, mas também porque no Sporting o papel que Octávio Machado, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus querem protagonizar parece mais próximo dos Bad Boys, Beagle Boys para ser mais exacto, porque o seu grande objectivo é "roubar" o "tesouro" do ‘Tio Patinhas’, isto é, os títulos que FC Porto e, ultimamente, Benfica têm conquistado nos últimos anos. A metáfora do Tio Patinhas neste caso só se enquadra para as questões de natureza desportiva, porque, financeiramente, as caixas-fortes estão vazias, com a devida licença da nossa mui optimista ministra das Finanças…
 

Os Irmãos Metralha são três e, nas suas aventuras contra o pato, às vezes tropeçam uns nos noutros, mas nunca se desviam do objectivo: caçar-lhe a fortuna. Os "Metralhas de Alvalade" ainda não tropeçaram uns nos outros, ninguém sabe se isso algum dia irá acontecer, há quem vaticine e deseje que sim, mas ninguém tem dúvidas de que estão unidos no mesmo propósito: bater o pé ao Benfica e FC Porto. E com todas as armas que tenham à disposição, das mais inofensivas às mais destruidoras…
 

Agora na Supertaça apresentaram-se juntos e unidos, e, para já, como acontece nos "bonecos" com os Irmãos (muito parecidos e vestidos da mesma maneira), ninguém parece preocupado com questões de (maior ou menor) protagonismo. Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e Octávio Machado são aquilo a que se chama a "estrutura" do futebol do Sporting. Bruno de Carvalho escolheu Jorge Jesus e Jorge Jesus escolheu Octávio Machado e não é por acaso que há um denominador comum entre eles: não são de "comer e calar", não são românticos, não acham que o "tótismo" (ideologia perfilhada pelos totós) dê vitórias e títulos e, por isso, já começaram a mostrar as garras, e não apenas Bruno de Carvalho que, até aqui, assumia as despesas todas e acumulava o desgaste de um elefante.
 

Na África do Sul, Octávio Machado já se havia destacado quando mandou o árbitro ‘para o c…", perante os sorrisos presidenciais, e Jorge Jesus não teve problema algum – como nunca tem – em provocar os adversários, mesmo que eles sejam os seus "queridos amigos" do Benfica, como se viu agora antes e depois da Supertaça. O próprio Bruno de Carvalho, mais escudado e protegido, mesmo ainda no "banco", consciente de que ali quem manda é mesmo o treinador (ai Jesus), já refreou os ímpetos: entre os Metralhas até parece (agora) o mais bonzinho…
 

Não foi o destino nem um acaso que ditou que Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e Octávio Machado se juntassem e formassem a "estrutura-Metralha". Há muito que o presidente do Sporting, este presidente do Sporting, disponível para todas as batalhas, mesmo aqueles que aparentam ser mais difíceis de ganhar, tem a convicção de que é preciso fazer com o que o leão rebente com as grades onde esteve enjaulado durante anos. Ainda pensou que era possível fazê-lo como um jovem capitão a comandar um exército de soldados e um alferes. Cedo percebeu que o alferes Silva não alinhava na sua estratégia e o plano ruiu. Eram necessários sargentões, sargentões-Metralhas, que falassem a mesma língua, que tivessem os mesmos trejeitos, sem gongorismos éticos e estéticos, assim na linha antiviscôndica e anticroquética que havia distribuído mordomias a rodos em troco de quase nada.
 

Esta "representação" de Jorge Jesus perante Jonas, arrastando com ele o Benfica, não foi apenas uma manifestação de ADN. Foi também a exteriorização de uma estratégia – a estratégia-Metralha..."

(Rui Santos, Pressão Alta, in Record)

Um obrigado ao Álamo, do Leoninamente, de onde transcrevi o texto.

Rescaldo da pré-época dos três grandes

Já não é a primeira vez que recorro às análises do Lateral Esquerdo para uma análise mais táctica. Há que confiar em quem mostra mais conhecimentos na matéria que eu.

Não me considero um leigo na matéria mas, como concordo com a grande maioria das análises e estas vêm acompanhadas de bases visuais que em muito sustentam e ajudam à melhor explicação dos modelos e ideias de jogo não há motivos para não aproveitar, parabenizando, mais uma vez, o Roberto Baggio pelo excelente trabalho de análise.

Neste caso, aproveito também para dar eco àquilo que escreve sobre os mais directos rivais.

Quem é quem no Sporting de Jesus.

Ponto de situação do novo Sporting.

A segurança do Porto de Lopetegui.

Rui Vitória e a dura tarefa de substituir Jesus.

Claro que a admiração do blogger por Jorge Jesus é evidente e pode parecer que o desprimor para com o actual Benfica tenha a ver com a mudança daquele que considera o melhor treinador português para o Sporting. Não passa de pura ilusão. A análise é isenta e séria, como se pode observar pelo passado do blogue.

Boa leitura!

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