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Grande Artista e Goleador

Ainda sobre a 4ª Bola de Ouro de Ronaldo (e a formação do Sporting)

O texto é de André Pipa, jornalista e cronista do jornal "A Bola". Um Sportinguista num antro de promiscuidade encarnada que teima em dizer o que tem de ser dito e outros nem ousam falar. (espero que não tenha em breve de passar a "independente" por ser isento e ao mesmo tempo uma espécie de "justiceiro da verdade")

 

"FANTÁSTICA consagração mundial de Cristiano Ronaldo no ano de ouro do futebol português e da Academia de Alcochete, que tem o seu nome umbilicalmente ligado à maior vitória de sempre do desporto nacional: a conquista do Euro 2016. Por alguma razão Aurélio Pereira foi convidado pelas televisões, rádios e jornais a comentar o enésimo sucesso do maior futebolista português de sempre, que até reuniu mais do dobro dos votos do rival Messi. Lógico: foi Aurélio quem o moldou, o formatou, e o preparou para ser lançado na equipa principal do Sporting - o que aconteceu por decisão do romeno Laszlo Bölöni, o homem que também lançou Ricardo Quaresma. Não sei se Aurélio Pereira e o Sporting têm noção do que significou a quarta Bola de Ouro de Ronaldo. Significou «apenas» isto: que a formação do Sporting igualou a Academia do Barcelona (La Masia) como o maior produtor mundial de Bolas de Ouro - vão cinco !!!, juntando-se o sumptuoso «tetra» de Cristiano (2008, 2013, 2014 e 2016) ao triunfo de Luis Figo em 2000. A cantera do Barcelona também tem cinco Bolas de Ouro, todas conquistadas por Lionel Messi, havendo depois quatro academias com três Bolas de Ouro no currículo: a do Ajax (Cruyff), a do UVV Utrecht (Marco van Basten), a do Nancy (Michel Platini) e a do River Plate (Alfredo Di Stefano e Omar Sivori). (......)

É claro que o triunfo de Cristiano tem vários progenitores, cada qual com méritos específicos em momentos diferentes da sua carreira. O Sporting será sempre o ponto de partida, o formador, e Aurélio Pereira o oleiro que moldou o barro. Pode e deve reclamar essa paternidade com mais que justificado orgulho. E devia fazê-lo com redobrada insistência, já que Alcochete continua a produzir diamantes de elevadíssimo quilate – olhem só o Gelson. Quem não faria o mesmo? (imaginem as reacções das «máquinas» propagandísticas benfiquista e portista se algum dia um futebolista formado no Seixal ou no Olival for considerado o melhor do Mundo !...). Mas é perfeitamente óbvio que Cristiano nunca se teria tornado o que se tornou se não tivesse ido parar às mãos de um ganhador compulsivo como Alex Ferguson no Manchester United; e nunca teria chegado onde chegou, em termos desportivos, mediáticos e financeiros, se não tivesse traçado - e cumprido! - o objectivo de representar o maior clube do Mundo, o Real Madrid, onde Cristiano chegou no auge das suas capacidades e se fez, definitivamente, um futebolista para a eternidade. Cristiano é, portanto, um «produto» elaborado pelo Sporting, aperfeiçoado pelo Manchester United e concluído pelo Real Madrid. E por ele próprio, com o seu inigualável e omnipresente carácter de vencedor, sua ânsia de superação, a sua férrea determinação de ganhar, de cortar a meta em primeiro. Creio que nesse particular – o CARÁCTER – Cristiano será porventura superior a Pelé e Maradona. Talvez o maior animal de competição que o futebol conheceu.

Em suma. Parabéns a Alcochete pela quinta Bola de Ouro no historial cinco meses depois de contribuir com dez jogadores - Rui Patricio, Cédric Soares, José Fonte, William Carvalho, Adrien Silva, João Mário, João Mário, Nani, Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo – para a maior vitória de sempre do futebol português no Euro 2016. Alcochete é certamente umas das marcas portuguesas mais prestigiadas no estrangeiro (veja-se como Gelson já traz o selo de qualidade colado ao apelido…) e o sucesso reiterado na produção de grandes jogadores deveria funcionar não como motivo de inveja ou azia, mas como exemplo e inspiração às academias dos clubes concorrentes. Parabéns a Cristiano Ronaldo pela 4.ª Bola de Ouro da carreira– extraordinária carreira ! Parabéns ao Real Madrid de Florentino Perez (e ManuelPellegrini, José Mourinho,CarloAncelotti, eZinedineZidane...) por ter feito de Cristiano «o» futebolista total. Parabéns asirAlex Ferguson e ao ManchesterUnited por terem feito do promissor Cristiano um futebolista de classe Mundial.Lastbutnottheleast, parabéns ao mestre Aurélio Pereira, ao Sporting e aLazloBölöni por terem feito de um habilidoso magricelas Madeirense o protótipo do maior desportista Português de todos os tempos. Orgulho de um País. O nosso."

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Será este o tímido reconhecimento dos campeões da Europa como os "Aurélios"?

Aurélio Pereira, uma das figuras mais destacadas do futebol de formação em Portugal, visitou a Cidade do Futebol e gostou do que viu.

A Cidade do Futebol recebeu hoje a visita de Aurélio Pereira, Coordenador de Recrutamento e Futebol do Sporting CP e figura de referência do futebol de formação em Portugal.

A convite de Joaquim Milheiro, coordenador do futebol de formação da FPF, e de Emílio Peixe, Treinador Nacional da Seleção sub-20, o homem que descobriu para o futebol nacional alguns dos maiores talentos de sempre visitou as instalações, inauguradas no passado dia 31 de março, posou para uma foto com a Taça de Campeão Europeu, conquistada em França, conviveu com Vítor Baía, responsável pelo Projeto 1- Escola de Guarda-Redes, e vários dos treinadores nacionais, além de ter observado atentamente o treino da Seleção Nacional sub-17 que hoje terminava um estágio de três dias.

Em declarações ao fpf.pt, Aurélio Pereira elogiou as novas condições de trabalho oferecidas às equipas nacionais, sublinhando o contributo que está a ser feito para o desenvolvimento dos talentos nos clubes, Associações Distritais de Futebol e FPF.      

Aurélio Pereira é um nome que ultrapassa as fronteiras do clube onde sempre trabalhou. Figura de referência nacional ao longo das últimas décadas foi pelo seu "olho" que foram descobertos e desenvolvidos talentos que se tornaram figuras de proa da Seleção Nacional. Paulo Futre, Emílio Peixe, Luís Figo, Simão Sabrosa, Quaresma ou o atual capitão da Equipa das Quinas, Cristiano Ronaldo, são alguns dos muitos futebolistas que ajudou a descobrir.

Veja aqui as declarações de Aurélio Pereira:

Fonte: fpf.pt

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The Academy Series | 10 best Sporting Clube de Portugal products

O Sporting Clube de Portugal sempre foi considerado um dos melhores clubes da Europa produzir jovens talentos. Com um departamento de formação liderado pelo honorável olheiro Aurélio Pereira - o homem por trás da descoberta de jogadores como Figo, Futre ou Ronaldo - e com centenas de outros olheiros trabalhando por todo o país para trazer apenas os melhores jovens para Alvalade. A equipa de Lisboa sempre valorizou os jogadores da sua formação, o que levou à inauguração da Academia Sporting, em Alcochete, em 2002 - um local com infra-estruturas de qualidade onde os jovens podem viver e treinar, sempre acompanhados por um conjunto de pessoas, desde treinadores a psicólogos ou nutricionistas, com o objectivo de os criar enquanto pessoas e atletas.

Os métodos de treino nesta renomeada Academia são focados no desenvolvimento individual com os treinadores a incentivar os jovens talentos a jogar com bola, incentivando-os a driblar, ultrapassar adversários e assumir riscos. Deixar os jovens desfrutar do seu jogo desta forma é definitivamente uma das razões pelas quais tantos extremos talentosos saem da Academia época após época.

No início da temporada 2012/13, equipas B de alguns dos maiores clubes do país foram reintroduzidas em Portugal. A equipa B do Sporting joga na 2ª divisão nacional, dando aos jogadores que fazem a transição para o futebol sénior a possibilidade de mostrar o seu valor. Este é outros dos factores que o clube tem a seu favor no que diz respeito ao desenvolvimento de jovens jogadores.

Outro projecto que tem dado suporte à principal Academia do clube é o conjunto de 29 "Escolas Academia Sporting" espalhadas pelo país - outras pequenas academias que, usando o nome e os métodos do Sporting têm ligação directa à de Alcochete.

OS 10 MELHORES PRODUTOS

DANIEL CARRIÇO // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2007

Um jogador que muito provavelmente a maioria das pessoas não esperava ver nesta lista, Carriço passou 13 anos no Sporting - 8 deles nas camadas jovens e 5 na equipa principal. Jogando como defesa central ou médio defensivo, Daniel chegou a capitão da equipa principal do Sporting, pela qual actuou 91 vezes. Depois de uma infrutífera transferência para o Reading, Carriço é hoje peça chave do Sevilha de Unai Emery, onde venceu dois títulos da Liga Europa, tendo jogado mais de 50 vezes pelo clube de Sevilha nas últimas duas épocas. Apesar de ter apenas uma internacionalização pela selecção nacional (este ano), é detentor do recorde para o jogador com mais jogos realizados em partidas da Liga Europa.

JOSÉ FONTE // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2007

O único jogador desta lista que não tem qualquer jogo pela equipa principal do Sporting, apesar de ser mais conhecido que alguns dos outros, sobretudo no Reino Unido. Depois de 8 anos percorridos pelos escalões de formação, enquanto sénior, Fonte apenas jogou pela equipa B do clube - mantendo-se ligado ao Sporting por mais dois anos. Depois de passagens por clubes portugueses de menor dimensão, José fez por merecer uma mudança para Inglaterra. Prestações continuamente sólidas, sempre deixando tudo em campo, tanto pelo Crystal Palace como pelo Southampton, levaram-no a um lugar na Equipa do Ano da League One na temporada de 2011 e a três grandes temporadas na Premier League pelos Saints. O actual capitão de equipa assinou a renovação que o mantêm no St. Mary's até 2018 e tem sido chamado com regularidade à sua selecção nacional.

LUÍS BOA MORTE // ESTREIA COMO SÉNIOR: 1996

Tal como Fonte, Boa Morte é alguém que passou os melhores anos da sua carreira em Inglaterra mas ao contrário da maioria dos jogadores desta lista, Luís não ingressou no Sporting antes dos 17 anos - uma idade que pode ser considerada tardia para o mundo do futebol de hoje. A juntar a isso, não ficou muito tempo: após quatro anos no Sporting (um deles emprestado ao Lourinhanense), o Arsenal contratou-o e a sua aventura no Reino Unido começou. Tendo passado por clubes como o Arsenal, Southampton e mais tarde no Chesterfield, o médio é reconhecido pelas épocas no Fulham e West Ham United. Caracterizado por um estilo de jogo agressivo, Luís foi idolatrado por adeptos de Fulham e West Ham ao longo da sua carreira e esteve presente na Alemanha com a Selecção Portuguesa no Mundial de 2006. Boa Morte está neste momento numa fase inicial da sua carreira de treinador nas camadas jovens do Sporting.

LUÍS FIGO // ESTREIA COMO SÉNIOR: 1989

Chegado ao Sporting com 11 anos, Luís Figo é um dos dois produtos da formação do Sporting vencedores da Bola de Ouro e um dos poucos jogadores no planeta a poder dizer que jogou nos rivais Real Madrid e Barcelona. Também pela selecção nacional Figo é um recordista, sendo o jogador com mais internacionalizações (127). Parte da "Geração de Ouro" portuguesa, teve várias grandes performances em competições jovens internacionais e é unanimemente reconhecido como um dos melhores jogadores portugueses de sempre.

JOÃO MOUTINHO // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2003

Muitas vezes reconhecido como um dos melhores médios box-to-box do planeta, João tem feito épocas de qualidade ano após ano. Consistência e dinamismo sempre foram os adjectivos que melhor definiram este jogador que se juntou à Academia com 13 anos. Após se estabelecer não apenas enquanto titular mas também como capitão de equipa, João Moutinho mudou-se para o FC Porto, de forma controversa, ao estilo de Futre. Após vencer vários troféus em Portugal, João mudou-se para França onde lidera neste momento o meio-campo do Mónaco. A juntar ao que atingiu pelos clubes, tem sido parte crucial do meio-campo da selecção nacional há vários anos, apesar das mudanças ocorridas na equipa.

NANI // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2005

Considerado como o novo Cristiano Ronaldo, Luís Almeida apenas chegou à Academia Sporting com 16 anos - jogando apenas dois anos nas camadas jovens. Para compensar, passou mais tempo na equipa sénior do que jogadores como Ronaldo. Nani fez duas épocas completas em Alvalade, obtendo 58 presenças e ganhando a Taça de Portugal em 2007. Seguindo os passos de Cristiano, o futebolista nascido em Cabo Verde também se transferiu para o Manchester United, onde venceu 4 Premier League's e uma Liga dos Campeões em 2008 (fazendo dele um dos cinco jogadores da Academia a vencer o troféu). A nível individual, as épocas em Inglaterra foram algo erráticas, com o extremo a ser inconstante de umas para as outras. No entanto, Nani alcançou um lugar na equipa do ano em 2011, na mesma época em que foi considerado pelo clube como Jogador do Ano. Após uma quebra de forma, o 5º mais internacional de sempre da história da selecção portuguesa voltou a elevar as suas performances num regresso de uma época ao Sporting (vencendo mais uma Taça) e exibe agora as sua capacidades na Turquia.

CRISTIANO RONALDO // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2002

O que dizer dele que ainda não tenha sido dito? Um atleta extraordinário, Cristiano é a nata da cultura de Academia do Sporting. Três Bolas de Ouro, recordes ultrapassados semana após semana e estatuto de lenda em dois dos maiores clubes do planeta: Manchester United e Real Madrid. Desde a juventude, todos haviam previsto que o miúdo seria uma futura estrela. Estabelecendo recordes desde tenra idade, Cristiano mudou-se para a Academia com 11 anos (na altura, apenas com 15 anos podiam fazê-lo) depois do clube ter pago por ele a exorbitante quantia de 25000€. Como poderia qualquer clube do planeta justificar um investimento de 25000€ num miúdo de 11 anos? Ele tinha de ser algo verdadeiramente especial e como se provou...é-o.

SIMÃO SABROSA // ESTREIA COMO SÉNIOR: 1997

Mais um extremo de qualidade produzido pela formação do Sporting e mais um que acabou como estrela numa das equipas rivais. Após evoluir nos escalões de formação durante 5 anos, o extremo completou duas épocas de qualidade pela equipa principal do Sporting. Depois de ter passado duas temporadas um pouco desapontantes no Barcelona, Simão assinou pelo outro grande de Lisboa: o Benfica. Pelas águias, tornou-se estrela numa estadia de seis temporadas, sendo capitão na maior parte delas. Seguiram-se três boas temporadas pelo Atlético de Madrid, ao mesmo tempo que acumulou um total de 85 internacionalizações - sendo regularmente chamado para os grandes torneios. Com os anos a levarem o melhor dele, o ídolo do Benfica joga neste momento na índia tal como muitos outros reconhecidos futebolistas.

MIGUEL VELOSO // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2005

Da mesma geração de João Moutinho e Nani, Veloso é outro jogador que beneficiou da subida de Paulo Bento à equipa principal do Sporting. Filho do antigo capitão do Benfica, António Veloso, Miguel esteve no Sporting 10 anos, cinco deles na equipa principal, onde atingiu o ponto mais alto da carreira. O agora quase 'trintão' teve uma passagem infrutífera pelo Génova, antes de chegar ao Dínamo de Kiev, onde o internacional português joga até hoje. Apesar de não ser hoje um habitual titular da selecção nacional como foi no passado, Miguel já ultrapassou a marca das 50 internacionalizações e esteve presente em dois Mundiais e dois Euros.

RICARDO QUARESMA // ESTREIA COMO SÉNIOR: 2001

Para acabar a lista temos ainda outro talentoso e irreverente extremo que passou os melhores anos da carreira jogado por um dos rivais do Sporting: o FC Porto. Quaresma jogou nas equipas jovens do Sporting desde os 14 anos, chegando à equipa principal, onde passou apenas dois anos da sua carreira. Depois de uma sequência de lesões pelos gigantes do Barcelona, Ricardo voltou a Portugal, desta vez para jogar no Porto. Aqui, tornou-se num jogador essencial para a equipa, ganhando vários títulos e alcançando o estrelato. Com uma carreira recheda de golos bonitos, desentendimentos com treinadores, truques incríveis pelas alas e estadias desapontantes em gigantes europeus, o rei da "trivela" teve uma vida futebolística de altos e baixos desde que deixou o seu clube de juventude. No entanto, o "Mustang" foi parte integrante da selecção nacional nos Euro 2008 e 2012.

O FUTURO

Neste momento podemos ver muitos jovens talentos jogando tanto na equipa B como nas equipas jovens do Sporting. Na segunda equipa , temos alguns dos mais promissores jovens jogadores portugueses, tais como o defesa central Domingos Duarte, os médios ofensivos Francisco Geraldes e Rafael Barbosa e os avançados Ponde, Podence e Luís Elói.

Dos jogadores que estão nas equipas jovens, um dos mais promissores é Bubacar Djaló, um médio que já é seguido por equipas como a Roma ou o Tottenham. Muitas vezes comparado a Paul Pogba devido à sua combinação de presença física e qualidade técnica, Bubacar assinou recentemente a renovação de contrato que supostamente o manterá em Alvalade até 2020.

Alguns dos mais talentosos 'graduados' da Academia já foram integrados na equipa sénior. Jogadores como os extremos Gelson Martins (que está na primeira equipa desde o início da época) e Matheus (um extremo nascido no Brasil) têm ambos tido oportunidades por parte de Jorge Jesus. A acrescentar a estes talentos, outros jovens jogadores estrangeiros foram trazidos para o clube, como Bruno Paulista (comprado ao Bahia este verão) e Ryan Gauld (transferido do Dundee United na pré-época de 2014/2015), têm evoluído na equipa B e podemos ver a influência do Sporting no seu crescimento, sobretudo em Gauld, visto que o Escocês chegou a Portugal à mais tempo.


Volto a destacar um artigo de Tiago Estêvão, publicado no site Outside Of The Boot.
Porque independentemente das escolhas do autor ou de uma ou outra imprecisão, prestigiam a nossa Academia além fronteiras e dão-lhe ainda mais visibilidade, mas sobretudo porque presta uma justa homenagem à nossa formação, reconhecidamente uma das melhores a nível mundial. 
O facto do artigo se destinar ao Reino Unido explica algumas das escolhas e destaques mas nem por isso deixa de destacar bons exemplos da nossa Academia.

Paixão, o segredo para o sucesso

Disse numa entrevista que no Sporting só entram dois tipos de miúdos - os talentosos e os bons jogadores. E em que fase avaliam a capacidade de trabalho, de dedicação e de sofrimento?

_Na hora: um talento, para o provar, tem de ter três coisas: paixão pelo treino, pelo jogo e pela profissão.

Um bom jogador pode chegar a grande jogador?

_Pode, se tiver também esses três fatores. Já um grande jogador nunca chegará a talento.

Mas o miúdo talentoso pode nunca chegar a ser um grande jogador, ou não?

_Exatamente, se lhe faltarem os mesmos três fatores.


Este é um excerto da entrevista de Aurélio Pereira ao DN que partilhei há uns dias.

Trago a lume este assunto pois o que está descrito neste conjunto de três perguntas e respostas é fundamental.

O sucesso de um jogador como profissional depende disto e só disto: paixão pelo treino, pelo jogo e pela profissão.

E isto é o mais difícil de incutir aos que estão no último estadio formativo e o motivo pelo qual muitos chegam a profissionais sem ter a noção da realidade com que se deparam.

É complicado para um miúdo de 19 anos entender o futebol como uma profissão, porque nunca trabalharam antes e porque fizeram aquilo a vida toda por prazer.

O acompanhamento é crucial nesta fase e se o jogador falha enquanto profissional no Sporting, grande parte das culpas vão também para quem não soube traçar o perfil do jogador e lhe ofereceu um contrato profissional sem que reunisse estes três factores essenciais.

Claro que os factores emocionais e motivacionais incidem directamente sobre a paixão com que se treina, joga e se entrega à profissão e é por isso que os dois primeiros anos de sénior são terríveis para a maioria dos jovens. Porque normalmente se joga pouco e porque a paciência para esperar por uma oportunidade é escassa.
Porque a vontade de jogar é mais importante que o resto e porque o estado emocional é, normalmente, flutuante.
O jogador estará satisfeito e motivado se joga e, muitas vezes insatisfeito e desmotivado se não joga. Claro que estar insatisfeito por não jogar é natural, normal e até saudável. Já o mesmo não se pode dizer da desmotivação. O jogador que tem estes três factores fundamentais, não desmotiva. Trabalha sempre no limite, com a mesma paixão e com a certeza de que hão-de olhar para ele pela qualidade do seu trabalho.

Trabalho é aquilo para que se devem preparar os jovens no momento de encarar o nicho que é o mundo do futebol profissional. Um dos mais privilegiados mercados de trabalho em termos financeiros mas aquele em que a meritocracia é mais dura e em que a análise que cada um faz do trabalho excutado pode ter leituras diferentes.

O Sporting deve preocupar-se (e estou certo que o faz) em preparar para o profissionalismo a partir dos sub-17. Aos 16 anos o jovem deve já entender que não é qualquer um que tem o privilégio de evoluir numa das mais conceituadas Academias do Mundo e deve exigir de si o máximo em cada dia que pode desfrutar da possibilidade de progredir em tão conceituado e reputado local. Exige-se responsabilidade, compromisso e retorno desportivo.

Os jovens do Sporting são dos mais preparados do Mundo para as exigências do futebol profissional, como o comprovam estudos recentes que demonstram a elevada quantidade de formados na nossa Academia a jogar nas mais reputadas ligas europeias e até pela simples análise dos habituais convocados para as selecções nacionais.

Mas podemos fazer melhor. Podemos exigir que os bons não descansem enquanto não forem muito bons e que os talentosos não se deixem deslumbrar pelo dom com que nasceram.

O futuro do Sporting depende deste trabalho bem feito e só algo muito perto da perfeição fará com que evitemos que bons jogadores não passem disso e, portanto, nunca nos sejam úteis e se limitem a alimentar as equipas de segundo plano de Portugal e da Europa.

Cabe aos jovens interiorizarem isto como leis para a vida desportiva e como base para o sucesso.

É olhar para o exemplo de Cristiano Ronaldo passando pelo que ele passou para lá chegar e não apenas desejando atingir semelhante patamar, batalhando todos os dias para se ser melhor.

Não são todos os anos que dois jogadores sobem à primeira equipa. Gelson e Matheus estão a mostrar aos restantes que isso pode acontecer ainda com maior frequência mas dependerá da paixão que cada um empregar no que faz, todos os dias.

Aurélio Pereira: 'Se passar por um bando de miúdos a jogar, paro logo o carro'

Ex-treinador de todos os escalões da formação leonina, Aurélio Pereira anda há mais de duas décadas a descobrir talentos em nome do Sporting. Encontrou Futre, Figo, Ronaldo, Nani e muitos outros, alguns deles roubados aos principais rivais. Apreciador de western e de fado, fã da sobrinha Rita Redshoes e grande contador de anedotas, Aurélio Pereira explica o sucesso e revela os segredos.

Ao fim de 43 anos de ligação à formação do Sporting - 24 deles passados na prospeção -, qual é o maior elogio que podem fazer-lhe?

_Ser-me reconhecida a paixão pelo Sporting e pela formação.

Recentemente, foi homenageado pelo Sporting e o relvado principal do centro de estágio passou a ter o seu nome. Contas saldadas com o clube?

_Não estava à espera de tal homenagem e não sei como agradecer ao Sporting. Mas mais do que eu, a formação, pelo trabalho feito ao longo dos anos, merecia. É um grande património do clube.

E qual é o principal segredo de um caçador de talentos, de um olheiro?

_Primeiro, é importante conhecer bem os escalões etários. Um verdadeiro observador, quando entra num campo de futebol, sabe identificar imediatamente a que escalão pertencem os miúdos. Depois, a paixão - ainda hoje sou incapaz de passar por um bando de miúdos a jogar sem parar o carro para ficar a ver.

O que é importante ver em primeiro lugar?

_A habilidade natural é a primeira qualidade que se pode observar mas a velocidade de execução, de deslocamento, são fatores determinantes. Uma criança pode ter uma habilidade natural fantástica, mas sem a velocidade (de deslocamento, execução e reação), não há talento que resista.

Neste caso, como define talento?

_A habilidade natural, isto é, aquilo que nasce com o miúdo mas não só. O talento é também não ter medo de perder a bola, de errar. Esse é o verdadeiro talento.

Vai muitas vezes contra a corrente, apostando no miúdo menos provável. O que é que vê que outros não veem?

_Em regra olha-se para o rendimento atual da criança. Eu prefiro avaliar as potencialidades. Imaginemos dois miúdos de 10 anos; um nasce em Dezembro e outro em Janeiro. Sendo da mesma idade, um tem praticamente mais um ano do que o outro. Ou seja, não podemos ficar-nos pelo rendimento atual. Saber o mês de nascimento dos miúdos é fundamental.

Qual é o primeiro conselho que dá aos seus colaboradores?

_Há uma regra que implementei desde o início - nenhuma criança deve ser excluída à partida. Alto, magro, baixo, franzino ou gordo, todos devem ser analisados, vendo para lá dessas caraterísticas.

Foi assim que apanhou Miguel Veloso, um miúdo que o Benfica rejeitou por ser gordo.

_Por exemplo. Ora quem é gordito pode sempre emagrecer. E quando eu olhei para o Miguel pela primeira vez vi-o fazer coisas especiais - o posicionamento, a forma como se enquadrava utilizando já os apoios (provavelmente alguns ensinamentos do pai, António Veloso), a forma como colocava a bola à distância, a capacidade de antecipação. No dia seguinte chamei-os, ao pai e ao filho, e fiz-lhes o desafio. Foi um caso curioso porque no dia seguinte a mãe ligou-me e perguntou: «Vai levar o miúdo para aí para depois ser dispensado para o ano?». Disse-lhe que a nossa convicção era a de que ele ficaria. Tenho muito respeito por um jovem, faz-me muita confusão criar falsas expetativas.

Como desengana um miúdo que acredita que vai ser um Figo ou um Cristiano?

_Com muita paciência e dando tempo ao tempo. Com o tempo ele próprio perceberá.

Disse numa entrevista que no Sporting só entram dois tipos de miúdos - os talentosos e os bons jogadores. E em que fase avaliam a capacidade de trabalho, de dedicação e de sofrimento?

_Na hora: um talento, para o provar, tem de ter três coisas: paixão pelo treino, pelo jogo e pela profissão.

Um bom jogador pode chegar a grande jogador?

_Pode, se tiver também esses três fatores. Já um grande jogador nunca chegará a talento.

Mas o miúdo talentoso pode nunca chegar a ser um grande jogador, ou não?

_Exatamente, se lhe faltarem os mesmos três fatores.

Dani e Quaresma, dois talentosos, estão nesse grupo?

_O Dani ainda há bem pouco tempo fez uma palestra na Academia do Sporting. E quando mostrámos um vídeo com algumas das suas jogadas os nossos jovens ficaram boquiabertos. Ele tinha um talento fabuloso. Que jogador com 17 ou 18 anos entra no Ajax, joga e faz golos na Liga dos Campeões Europeus? Está tudo dito. Acontece que naquela altura não achava que na sua idade os sacrifícios fossem necessários nem estava vocacionado para os fazer. Acabou a carreira muito cedo, com muita pena minha. Tenho por ele o maior carinho e respeito, até porque é um miúdo fantástico. Os pais eram do melhor. Não lhe faltava nada.

Por outros motivos - e vindo de outro meio social - o Quaresma também ficou abaixo das expetativas. Porquê?

_Penso que tudo teria sido diferente se ele tivesse tido a sorte de ir com o Cristiano Ronaldo para o Manchester, um clube com capacidade para dar sequência a um trabalho de formação. Quando o Quaresma foi para o Barcelona, o clube estava numa outra fase, precisava de resultados na hora. As pessoas não imaginam como é importante para um jovem dar-lhe tempo e espaço de crescimento. Do ponto de vista humano podemos dizer que no Sporting somos catedráticos. O Quaresma não teve isso no Barcelona. A passagem para o Inter também o marcou. Ele tinha feito uma época fantástica no FC Porto, a transferência nunca mais se consumava, ainda por cima para um futebol muito defensivo.

Recorda-se da primeira vez que lhe falaram dele?

_Muito bem. Tive uma informação muito positiva de um atleta chamado Alfredo Quaresma e mandei o nosso observador ver esse miúdo num jogo Carcavelos-Domingos Sávio. O nosso olheiro gostou do que viu e combinou um encontro com a mãe. Enquanto esperava que o Alfredo saísse dos balneários, reparou num miudito de 7 anos, muito bom. Depois de saber que era irmão do Alfredo, telefonou-me. «Traz já os dois», disse-lhe. E assim ficámos com o Alfredo e o Ricardo.

O Dani foi descoberto por mero acaso.

_Completamente. Estava de férias com a família, em Troia quando vejo um puto num jardim a fazer de uma bola o que queria. A bola até se encolhia. Fui logo falar com ele.

Em que termos é feita essa primeira abordagem?

_Perguntei-lhe o nome e pedi-lhe que fosse chamar o pai. Ainda há dias encontrei um miúdo na Quinta das Conchas, assim, desta forma. Tenho a felicidade de, de cada vez que abordo um pai, ter um bom acolhimento.

Quando se identifica, os pais devem ficar até com os olhos a brilhar, não?

_Sinto um carinho muito especial que decorre da nossa credibilidade. Somos a primeira cara que lhes aparece em representação de uma estrutura que assume a responsabilidade de ter em casa cinquenta miúdos e de os encaminhar. Porque nós vamos desafiar uma criança para, provavelmente, lhe inverter o percurso de vida.

Já leva no currículo dois jogadores considerados os melhores do mundo, Figo e Ronaldo. E Futre esteve muito perto de consegui-lo. Qual é o melhor presente que estes jogadores, mais tarde, lhe podem dar?

_O maior retorno seria vê-los a jogar no Sporting. Gostava muito que eles tivessem princípio, meio e fim no meu clube. Mas o Sporting, ou o Benfica e ou o FC Porto não são destinos. São passagens. O Barcelona é um destino, é um clube que pode dar-se a esse luxo.

O Barcelona é o topo para um profissional da formação?

_Sim. É o Barcelona. Há um conceito onde as coisas têm princípio, meio e fim.

Como está montada a rede do Sporting?

_Atualmente, a informação é tão célere que não há possibilidade de esconder um miúdo. Todos os grandes clubes que apostam na formação fazem o mesmo trabalho de pesquisa. E, muitas vezes, chegar primeiro não chega. É o período da negociação que interessa, quando o pai já tem o convite dos três grandes. Por vezes, tiramos partido da guerra FC Porto-Benfica, confesso. Mas o mais importante passa pelos recursos humanos. O clube que não tiver no departamentos de recrutamento pessoas disponíveis 24 horas por dia está condenado ao fracasso. O Sporting tem.

E quantos são os olheiros espalhados pelo país?

_Cerca de 150. Mas não me interessa muito a quantidade se não houver paixão e disponibilidade para estarem em rede permanentemente.

Os olheiros têm uma avença, um ordenado?

_Nada. Só recebem ajudas de custo.

E como se processa o recrutamento?

_O processo de recrutamento começa nos 7 anos. Durante seis anos vamos seguindo os miúdos. Treinam nas nossas academias, os de fora vêm jogar aos fins de semana. A decisão de entrar na Academia é tomada dos 12 para os 13 e quando chegamos a essa fase de amadurecimento, o Sporting já conhece a família e o atleta por dentro e por fora, até clinicamente.

É a fase da grande decisão. Como é que convence um miúdo benfiquista, requisitado igualmente pelo Benfica, a escolher o Sporting, por exemplo.

_Não vou citar nomes mas já aconteceu com muitos. O meu argumento é sempre o mesmo: a garantia de que vindo para o Sporting o miúdo tem salvaguardado um conjunto de fatores decisivos para a sua vida. Treinar toda a gente sabe e também não lhes digo que temos as melhores instalações. Garanto-lhes, sim, que sob o ponto de vista humano ninguém tem a experiência do Sporting.

As paredes do seu gabinete com as fotos do Figo, do Ronaldo, do Moutinho, do Futre, do Nani, fazem meio caminho?

_Não podemos ocultar o nosso trabalho. O clube é uma referência de formação em todo o mundo exatamente porque formou esses jogadores.

E alerta os pais e os miúdos para a impossibilidade de todos poderem chegar a vedetas do futebol mundial?

_Falo sempre a verdade. Nunca garanto a um miúdo que ele vai ser um jogador de primeira equipa. O que lhe prometo é que vai sair dali melhor jogador, melhor atleta, e mais - que se tiver de regressar a casa, não irá, em termos escolares, descalço. Aliás, miúdos que eram alunos de cinco, continuam a ter as mesmas notas na Academia. O pai do Postiga, quando recrutámos o filho mais novo, o José Postiga (atualmente titular da seleção sub-17), disse-me isto: «O José é aluno de cinco. No dia em que ele não for aqui aluno de cinco regressa a casa.» E ele manteve as notas e pertence hoje ao quadro de honra da Academia.

Nesse processo, o pai e a mãe comportam-se da mesma maneira?

_Quem verdadeiramente decide é a mãe. Se a mãe não estiver do nosso lado, nada feito.

Como é que se conquistam as mães?

_Quem anda com os filhos para a frente são as mães. Por vezes, quando se trata de filhos de pais separados, o pai só aparece quando vê que o filho vai jogar para o Sporting, mas a mãe está lá sempre. A minha preocupação não é que os pais assinem papéis mas que saiam dali, mesmo que não assinem nada, com a certeza de que a instituição sabe o que está a fazer.

A criança ou os pais recebem dinheiro?

_Nada. E se um jogador for para ali discutir comigo problemas financeiros, a minha resposta é que vá para o Benfica ou para o FC Porto. Até por isto: os pais sabem que não há dinheiro que pague aquilo que damos aos filhos.

Quanto custa, em média, um desses miúdos à Academia?

_Não disponho dessa informação mas existe um orçamento e somos dos clubes que mais investe em formação.

Qual é o valor orçamentado para a prospeção?

_Não sei.

Nunca lhe fizeram um pedido especial ou tentaram uma cunha?

_Um ou outro pai pode tentar interferir, mas o Sporting está blindado. Não há um atleta que não tenha relatórios dos observadores, dos técnicos. Somos certificados e auditados e quando chega o momento da auditoria têm de constar no processo todos os elementos que justificam a entrada do jogador no Sporting. O processo passa pelas seguintes fases: informação, deteção, seleção e, depois, contratação. O departamento deteta e a área técnica seleciona. O recrutamento, em determinadas circunstâncias, pode decidir mas sempre em sintonia com a estrutura técnica. Eu gosto de analisar sempre o atleta para, na conversa com os pais, não correr o risco de criar falsas expetativas.

Diga-me um jogador que tenha escapado à sua malha?

_Sinceramente, não estou a ver um jogador que tivéssemos discutido e que ele tivesse optado por um rival.

O Nélson Oliveira para o Benfica?

_O Nélson. Sim, realmente ele esteve na nossa Academia. Eram benfiquistas convictos, não os podemos ter todos. É normal que um atleta escolha o clube da sua preferência.

Saíram do Sporting muitos e dos melhores extremos do mundo. A que se deve essa tendência?

_No Sporting não formamos equipas mas jogadores. Não responsabilizamos os miúdos, não gritamos, deixamos que eles tenham capacidade para criar. Eu que treinei o jogador que mais amava a bola, o Paulo Futre, fui muitas vezes atormentado de fora porque permitia que aquele miúdo não passasse a bola a ninguém. No Sporting esses jogadores de talento e de qualidade técnica são criados nas zonas interiores do campo para que possa tocar na bola cem vezes em vez de dez e sejam capazes de resolver as coisas em espaços reduzidos. Ora, qualquer treinador que visse um Nani, um Figo, um Ronaldo, um Simão, os colocaria nas faixas laterais. Mas não foram criados como extremos, sim no centro do jogo.

Não era fácil obrigar o Futre a passar a bola, ainda que quisesse.

_Atenção, eu castiguei o Futre, mesmo sofrendo com isso. Certa vez, porque ele faltou a um treino e um dos meus mandamentos era claro - quem faltar a um treino sem dar explicações não joga. Foi em vésperas de Sporting-Benfica, eu levei-o para a minha cabina e expliquei-lhe porque é que não podia jogar. Ele chorou e chorou. Deixei-o chorar. No fim disse-lhe: «Se tu fosses o treinador, o que fazias?». Ele deu-me razão, retratou-se perante os colegas.

O Futre foi a sua primeira grande descoberta, ainda treinador, em meados dos anos 1970. Antes, tinha sido jogador de futebol e treinador de todos os escalões da formação. Como é que chegou à prospeção?

_Em 1987, soube no decurso do campeonato de que ia ser substituído como treinador. Na altura, propus abrir um departamento de prospeção. Quando fui treinar ao Sporting aos 14 anos, de centenas de crianças apenas escolheram cinco (eu fui uma delas) com base num único critério, a altura. Aquilo marcou-me, ficara-me na cabeça e eu queria mudar alguma coisa. Primeira regra - ver todas as crianças. Mas selecionar em tão pouco tempo obrigava-nos a ter uma enorme atenção. Cheguei a tirar férias do meu emprego para ver esses miúdos num processo que era muito cansativo para nós e para as crianças. Os jogadores nem algarismos tinham. Por isso, revoltei-me e disse que só aceitava o lugar se acabassem com os treinos de captação. O Sporting deveria ir ao encontro dos miúdos e não o contrário e a direção aceitou.

Estava-se em 1988. Antes da sua chegada à prospeção, o Benfica e o FC Porto levavam um avanço?

_O Benfica tinha poder económico e qualquer jogador que aparecesse acabava lá. Os dirigentes benfiquistas chegavam a um clube, perguntavam quanto queriam por tal jovem e pagavam. O Sporting não tinha essa capacidade financeira. Quando iniciei esse departamento, arranjei, primeiro, uma equipa espetacular dedicada à região de Setúbal e Lisboa; segundo, pedi na secretaria as moradas de todos os sócios à exceção de Lisboa e, como trabalhava numa gráfica, fiz uma circular em que lhes pedia que nos ajudassem a encontrar uma estrela. Seguiu também uma ficha de inscrição e passados uns dez dias ligaram-me a dizer que estavam inundados de pedidos de adesão. Depois, selecionámos as pessoas por distrito e atividade. Havia de tudo, treinadores, árbitros, até médicos e advogados. Criámos uma rede de vinte pessoas por distrito que nos garantia informação que os outros não tinham. Fomos o primeiro clube a criar uma base de dados de observadores que nos permitiu começar a liderar o recrutamento de jovens em todo o país. A minha homenagem às pessoas que iniciaram comigo essa tarefa gigantesca.

Nessa altura, como é que era a vida dos miúdos que viviam no Sporting?

_Jogavam e estudavam. Tinham muito apoio da nossa parte.

Ao contrário de hoje, a maioria deixava de estudar muito cedo.

_Alguns, sim, se bem que o Sporting sempre se preocupou com esse aspeto, não é de agora. Nesse tempo, tínhamos um minicentro de estágio dentro do estádio e as coisas estavam controladas até porque havia uma escola ali perto. Não tínhamos as condições de uma academia, mas do ponto de vista do acompanhamento, essa preocupação já existia. Nessa altura, no entanto, só recebíamos miúdos a partir dos 14, 15 anos. A primeira vez que abrimos uma exceção foi para um miúdo de 11 - o Cristiano Ronaldo. Não estávamos preparados mas não podíamos deixá-lo fugir.

O Cristiano obrigou o Sporting a abrir uma exceção e os cordões à bolsa....

_Sim. Quando avaliámos o Ronaldo (na altura era o responsável por todo o futebol juvenil) percebemos logo que havia ali um talento fora do vulgar. Daí ter-se assumido pagar aquela verba, que era impensável - 25 mil euros. Nunca se tinha pago tanto por um miúdo. Mas assumimos isso depois de uma análise em conjunto, lá está, conscientes de que estávamos a ver um miúdo com 11 anos, com um talento enorme e uma personalidade muito especial. Estamos a falar de um jovem que nunca se escondia, que assumia o jogo, o erro, repetia a jogada e voltava a fazer sem medo. Rapidamente os outros miúdos perceberam que ele era o líder. Mesmo quando o treinador estava a falar no meio do campo e a conversar com os jogadores, o Ronaldo estava sempre com a bola de trás para a frente. O Futre era igual. Aliás, nos dias de hoje, Futre não teria preço.

Ronaldo teve uma adaptação difícil. Chorou muito.

_Foi difícil, sim. E quantos não choram? Nesses primeiros tempos, quando ainda não há jogos ou escola, os miúdos sentem mais o desenraizamento, a falta dos amigos e da família. Enquanto não começa a competição e a escola temos de estar ali para eles. E estivemos sempre, nos bons e maus momentos. Como no dia em que a professora achou piada ao sotaque madeirense, riu e o Ronaldo não gostou. Reagiu e a coisa esteve muito feia, mas tudo se resolveu porque apesar de ter sido um miúdo com alguma rebeldia sempre acatou os conselhos.

Como era o dia a dia do Ronaldo?

_Era escola, de manhã e à tarde, e os treinos. Os afazeres dele não eram muito diferentes dos dos miúdos de hoje, na Academia. A base são os hábitos de trabalho, as equipas e as pessoas. Mas há uma alma que vem do passado e que nos alimenta.

Algum dia mereceu um castigo? E porquê?

_Nas vésperas de ir pela primeira vez à Madeira jogar pelo Sporting teve um desentendimento com uma das nossas professoras e tivemos de o desconvocar. Foi um castigo duro e ele senti-o muito mas a mãe deu-nos razão.

De tantos que já treinou ou descobriu, qual foi o jogador que mais o marcou?

_O Paulo [Futre] marcou-me muito. Eu identifico-me muito com os miúdos de bairro. Tenho muito orgulho nessas raízes. Não trocava a minha infância por nada deste mundo, tal a felicidade que vivi, mesmo sem grandes meios. No bairro somos solidários. O Futre é um ser humano fantástico. Já em jovem estava sempre disposto a defender e a ser solidário com os que mais precisavam. Nunca o vi voltar as costas a ninguém e ainda hoje é assim. Dormiu muitas vezes em minha casa, conheço-o muito bem. Ao longo destes anos encontrei pessoas extraordinárias em miúdos de 11 e 12 anos. Fico impressionado quando uma criança de 12 anos, cheia de talento, acarinhada na Academia, vinda de uma família com poucos recursos e consciente de que a espera um grande futuro nos diz «Eu quero estar perto dos meus pais. Não troco os pais por esta carreira.» Já tive um ou outro caso desses. Quando é assim, temos de encontrar uma solução que não separe a família.

Imagina Cristiano Ronaldo a dizer isso?

_Não. Os jogadores como o Ronaldo são obcecados pela carreira e têm um objetivo definido - a confirmação, na totalidade, do seu talento.

O Figo não tinha nem o perfil do Futre nem o do Ronaldo. Como o descreve?

_O Figo era um miúdo mais frio, com uma personalidade muito bem definida desde criança, pouco expansivo e muito observador. Nunca falava por falar. Nesse aspeto era muito calculista. Um homem na Cova da Piedade tinha-nos falado de um miúdo do «Pastilhas», um miúdo muito bom. Mas, antes de irmos falar com ele, veio ele treinar ao Sporting. Prestou provas com o professor Barnabé, a quem, ao fim de um tempo, interpelou desta forma: «Despache-se lá; fico ou não fico?» Isto define o Figo.

E qual foi o mais problemático?

_Problemático não diria, mas o Futre foi um miúdo hiperativo, dentro e fora do campo. Não podia estar quieto, era impressionante. Mas não foi um jogador-problema. Só para os adversários.

E o Quaresma?

_Chegou ao Sporting muito pequenino. O miúdo de bairro é mais irreverente e espontâneo, não está habituado a ficar calado. É preciso ter isso em conta quando se fala do Quaresma.

Lembra-se da primeira vez que viu o Nani?

_O Nani era um miúdo muito franzino que jogava no Real Massamá. A determinada altura foi treinar ao Sporting, mas por causa dos transportes e de uma vida familiar um pouco atribulada acabou por não ficar. Manteve-se no Massamá, as pessoas tratavam-no bem, tinha alimentação, carinho, tudo. Aos 16/17 anos foi fazer um jogo à Academia e os nossos técnicos fizeram um parecer no sentido do recrutamento. Mal o vi fiquei convencido de que tinha tudo para vir a ser um grande jogador.

E da primeira conversa com Moutinho?

_Quando o vi, miudinho e franzino, num torneio de seleções distritais na Pontinha, gostei muito. Falei com o pai, de quem fui treinador na seleção de iniciados de Lisboa, e iniciámos o processo. Mas foi uma luta muito renhida com o FC Porto.

Foi tutor de Simão. Porquê?

_O Simão chegou ao Sporting com 12 anos. Vinha de muito longe e a família pediu-me esse apoio. Aceitei o desafio e cumpri a minha obrigação mas não voltei a repetir. É uma responsabilidade imensa e chegou a determinada altura em que as incompatibilidades, face por um lado às minhas responsabilidades e, por outro, à gestão de uma carreira desportiva de jogador profissional, foram evidentes.

Como era ele?

_Um miúdo humilde, com ambição, que nunca criou problemas. Nunca tive de o chamar à atenção e se mais tarde existiram desvios não sei. Não estou por dentro.

O que primeiro o impressionou em Rui Patrício?

_O Rui tem uma capacidade notável de sacrifício. Com 11 anos, vinha duas vezes por semana de Leira a Lisboa, em autocarro para treinar em Pina Manique. E regressava no próprio dia. Amargou tanto aquele miúdo que ficou com a estaleca emocional que se lhe vê. Foi descoberto de uma maneira engraçada: ele, um esquerdino, entrou para substituir o guarda-redes que se lesionara. Foi em Pombal e o nosso observador estava lá.

Futre no FC Porto e no Benfica, Moutinho e Varela no FC Porto, Simão no Benfica. Destes três casos, qual deles lhe custou mais?

_Todos da mesma forma. Não gosto que não estejam no Sporting nem de os ver em clubes rivais.

Que relação mantém pela vida fora com estes miúdos, uns que descobriu, outros que treinou?

_Quem acompanha a sua integração e o tempo de formação no clube acredita que está a ajudar a formar um bom ser humano. Na minha relação com eles procurei sempre contribuir para que respeitassem a instituição que lhes deu tudo. Reconhecimento é o mínimo que se exige.

Continuam a visitá-lo?

_Eles têm a sua vida profissional e eu a minha. Aqui e ali quando nos encontramos a amizade e o respeito são evidentes.

Falam-se ao telefone, trocam mensagens? Com Ronaldo, por exemplo.

_Sim, há períodos em que troco mensagens semanais com ele. Lidamos com estes miúdos durante muitos anos e há sempre uma preocupação.

Como é que lhe chamam?

_Por Senhor Aurélio.

Nunca se zangou à séria com nenhum deles?

_Não. Como treinador, era obrigado a ter por vezes um discurso forte, ou a dar um murro na mesa. Fiz isso algumas vezes, mas na perspetiva de o grupo responder positivamente.

É um grande contador de anedotas. Fazia-os rir?

_Sim. Numa viagem longa, por vezes de 37 horas de autocarro, é fundamental alegrar o grupo. Recordo momentos de muito boa disposição.

E, como bom nascido em Alfama, gosta de cantar fado. Cantava-lhes fado?

_Viagens tão longas davam para tudo. Até para umas cantigas. Quem lida com jovens não pode ser cinzentão e eu sou bem-disposto por natureza.

Neste momento, há miúdos na Academia de que vamos ouvir falar muito?

_Há sim. Há alguns. Não podem aparecer Ronaldos todos os dias, mas desde que o clube tenha matéria-prima e a capacidade para, em conjunto com o jogador e sua estrutura familiar, transformar o jogador em grande jogador, nunca faltarão craques.

Atualmente, os miúdos que vivem na Academia também têm tempo para brincar e relaxar?

_Sim. Têm tempo porque lhes é permitido.

Qual é rotina deles?

_Têm uma vida perfeitamente normal, só não dormem em casa. Saem de manhã para a escola, almoçam lá e regressam todos à mesma hora (os horários estão coordenados). Depois vão lanchar e treinar. Têm o seu tempo de estudo e um gabinete psíquico-pedagógico sempre aberto, formado por quatro senhoras.

Também conhecidas por «as mães».

_Sim. Duas delas são psicólogas. Os miúdos nunca estão sós. E atenção, não há seguranças, só funcionários do clube.

A que horas é se deitam?

_Às onze.

E podem usar o telemóvel dentro dos quartos?

_Há alguns condicionalismos, tendo em conta o descanso, mas penso que sim.

Têm televisão nos quartos?

_Sim. Às onze horas desligam. As pessoas que ali estão têm de ter muito talento. Lidam com adolescentes a partir dos 13 anos.

As visitas à família e da família têm que periodicidade?

_Somos os primeiros a dizer-lhes que devem ir várias vezes a casa. Não há condicionalismo de espécie alguma. A família vem quando quer. É dentro desta liberdade que os miúdos se vão adaptando. A determinada altura os miúdos sentem que são atletas de alta competição e têm determinados objetivos e eles próprios gerem essa relação.

A Academia do Sporting é visitada por pessoas ligadas a vários clubes de todo o mundo que farão seguramente muitas perguntas. Quais são as mais frequentes?

_São sobretudo relativas à área técnica. Os processos de trabalho suscitam muita curiosidade.

Como ex-treinador de miúdos e jovens, e nessa condição venceu pelo Sporting muitos campeonatos nacionais em todos os escalões, que conselho dá a quem agora trabalha com a formação?

_Não há triunfos nem derrotas eternas, tudo começa de novo. Este é o meu princípio. No futebol, num mesmo jogo, somos capazes de fazer as melhores e as piores coisas. É preciso estar preparado para fazer as duas coisas. Por isso, mais do que ter treinadores a dizer «faz assim ou faz assado», os miúdos precisam de quem lhes diga «joguem».

A treinar ou a descobrir talentos, o que o faz mais feliz?

_Quando deixei de ser treinador custou-me muito. Mas, depois, entrei na prospeção e a paixão até redobrou.

Lamenta não ter ido mais longe como jogador ou treinador? Trabalhou como mecânico, mais tarde como diretor comercial de uma tipografia, nunca se profissionalizou no futebol.

_O meu pai vivia para o trabalho e deixou-nos essa herança. Quando tinha 15 fui aprendiz de mecânico e depois passei à oficina. Saía às quatro horas e ia para o Estádio de Alvalade. Já em 1963 o Sporting tinha um espaço para nós estudarmos. Das 18 às 20 treinava. Depois ia para a Escola Industrial Machado de Castro e tinha aulas das 21h00 às 23h00. Chegava a casa à meia-noite. Mas apesar de todo o esforço, como jogador seguramente não ia ter muito futuro. Era normal. Como treinador era uma questão de risco. Optei pela estabilidade da família.

Nunca foi convidado por outros clubes?

_Quando deixei de treinar na formação do Sporting fui convidado pelo FC Porto. Mas nunca senti motivação para viver só do futebol. Reconhecia que isso era uma aventura. No futebol profissional as pessoas passam por muita coisa.

E como especialista na área da prospeção, nunca lhe foi proposto trabalhar para um empresário de jogadores?

_Uma vez sim. Falaram comigo e eu disse que não. Não me enquadro nesse perfil.

Nunca se arrependeu de tantos anos de fidelidade ao Sporting?

_Não. É uma paixão.

Tem um neto de 2 anos e uma neta de 6. Têm jeito para o futebol?

_Noto que o Tomás tem vontade e gosta de jogar. A Carolina prefere ver comigo o Tom and Jerry. Somos capazes de estar os dois abraçados a ver aquilo. E eu depois começo a imitar as vozes e ela diz-me: «Avô, és mesmo louco.»

E continua a gostar de westerns?

_Sempre. Por uma questão de nostalgia estou a ver uma coleção do Bonanza. Nós não tínhamos televisão em casa e recordo o frenesim de comer à pressa para ir ver o Bonanza... Dizíamos «A seguir à tempestade bem a bonança e a seguir ao telejornal vem o Bonanza.» E lá íamos a correr para o café a ver se o homem nos deixava ficar em pé a ver aquilo.

E de ouvir a sobrinha, a Rita Redshoes (filha do irmão Carlos, ex-jogador do Sporting e treinador)?

_Sim, gosto muito de a ouvir. É um caso de paixão e talento. E tem a quem sair. A família, quer do lado da minha mãe quer do lado do meu pai, teve sempre uma relação próxima com a música. O meu pai tocava muito bem harmónica.

Perguntas de algibeira

Uma cena de um filme.

_Escolho uma de Rain Man - Encontro de Irmãos, um filme que me marcou muito. A cena em que finalmente os dois irmãos se abraçam depois de estarem afastados física e emocionalmente durante tanto tempo. Duas brilhantes interpretações de Tom Cruise e Dustin Hoffman.

Um livro.

_Palavra de Mulher, de Maria João Lopo de Carvalho.

Uma música para namorar.

_Feelings, de Morris Albert, uma voz pouco conhecida, mas que considero fantástica.

Um lema de vida.

_O tempo tudo resolve. Há sempre tempo para uma má decisão. Um problema grande ao amanhecer pode ser pequeno ao anoitecer. O tempo é o melhor conselheiro, pois há sempre tempo para uma má resposta, para uma atitude errada.

A última vez que chorou.

_Tenho de confessar que sou bastante emocional. E na homenagem que o SPC me fez recentemente emocionei-me e comovi-me ao olhar para a minha família ali presente a apoiar-me incondicionalmente.

O que ainda vê na TV?

_Informação, desporto e entrevistas sobre histórias de vida.

Quanto tempo gasta por dia a ler jornais?

_As duas primeiras horas do meu dia (entre as 08h00 e as 10h00).

Quanto tempo gasta por dia a ler e responder a e-mails?

_Metade do meu dia.

Contra a crise.

_Para falar de crise em Portugal teremos de a abordar no sentido global, da Europa. Acho que é um modelo falhado e que só a Europa no seu todo poderá resolver. Estou preocupado porque descontei cinquenta anos da minha vida e vejo um futuro próximo bem negro, eu que sou um otimista por natureza. Receio que a nossa democracia esteja em perigo e todos os dias conhecemos histórias que não pensava voltar a ver em vida. Vivi em ditadura e espero que não tenhamos de ouvir novamente na rua «Viva a liberdade» e ir à janela para ver quem vai preso.

Um lugar para passar a reforma.

_Lisboa, a minha cidade. Aquela que acolheu os meus pais e muitas gerações. É uma cidade com um cor única, solidária e que ainda tem muita coisa boa para oferecer. Como sempre, mais apreciada pelos estrangeiros.

 

Entrevista ao DN

Parabéns, senhor Aurélio!

Faz hoje 68 anos o homem que, em 1988, criou e passou a liderar o Departamento de Recrutamento e Formação, onde inicialmente tinha apenas um colaborador. Na época, ainda se faziam treinos de captação, mas Aurélio Pereira resolveu enviar uma carta a todos os sócios, pedindo-lhes informações sobre potenciais craques das suas zonas e assim se criou uma rede de "olheiros" a nível nacional que descobriu craques como Futre, Figo ou Cristiano Ronaldo.

Feliz aniversário a um dos maiores responsáveis pelo sucesso da nossa Academia! Que por lá se mantenha por muitos e bons anos e passe da melhor forma todos os conecimentos que o saber e a experiência lhe trouxeram.

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