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Grande Artista e Goleador

Os portugueses no Tour

Ao todo, foram 31 os ciclistas lusos a galgar o alcatrão das estradas francesas. Foram 15 as vezes que um português festejou a vitória numa etapa. Apenas por uma ocasião vimos um português envergar a mítica camisola amarela.

A história dos portugueses na volta a França começa a escrever-se em 1956, com a participação de Alves Barbosa, que terminou num honroso 10º lugar com um pelotão composto por 88 ciclistas. Foi uma excelente forma de abrir a prestação portuguesa na prova rainha do ciclismo mundial.
1957: repetiu presença Alves Barbosa, que assistiu à estreia de Ribeiro da Silva. Alves Barbosa não repetiu a proeza do ano de estreia e acabou por desistir. Ribeiro da Silva terminou a sua primeira e única presença no Tour em 25º.

1958: mais uma vez temos dois participantes no pelotão - Alves Barbosa e Antonino Baptista. Terminou sem brilho a presença lusa, com a desistência de Antonino Baptista e o 76º lugar de Alves Barbosa.

1959: Antonino Baptista e José Sousa Cardoso foram os participantes e ambos desistiram no decorrer da prova.

1960: Alves Barbosa (4ª participação) e Antonino Baptista (3ª participação) fazem as suas últimas corridas no Tour. Alves Barbosa fecha o Tour em 65º. Antonino Baptista desistiu pela 3ª vez em três participações e é o único português (dos que participaram mais que uma vez) que nunca terminou uma volta a França.

1969: dá-se o início do 'mito' Agostinho, no Tour, com a primeira de 13 participações. Agostinho terminou em 8º e venceu a 5ª e a 14ª etapas, tornando-se o primeiro português a vencer duas etapas no mesmo ano.

1970: Joaquim Agostinho é novamente o único português em prova e termina em 14º.

1971: António Matos estreia-se no ano em que Agostinho fez o seu 3º Tour. Ambos terminaram a prova. Agostinho fez o primeiro 'top 5' português no Tour, fechando em 5º, enquanto que António Matos foi 13º.

1972: pela primeira vez, o Tour recebe três portugueses. Joaquim Agostinho, Joaquim Andrade e Fernando Mendes. Só Agostinho terminou a prova, tendo Andrade e Mendes desistido. 8º lugar para Agostinho que, em 4 anos, fez o 3º 'top 10'.

1973: são 6 os portugueses pelas estradas de França (Agostinho, António Matos, Joaquim Andrade, Fernando Mendes, Herculano de Oliveira e José Martins). Joaquim Agostinho (8º) viria a ser o português melhor posicionado na classificação geral, ganhando uma etapa e confirmando a sua versatilidade (desta vez ganhou um contra-relógio individual depois de, em 1969, ter vencido uma etapa de montanha e outra plana). António Matos foi 15º, Fernando Mendes 18º, José Martins 33º, Herculano de Oliveira 45º e Joaquim Andrade 64º.

1974: Joaquim Agostinho (6º), António Matos (40º) e Herculano de Oliveira (desistiu) repetiram presença.

1975: 8 participantes portugueses no Tour, graças à participação do Sporting pela primeira vez na prova. Fernando Ferreira (61º), José Amaro (83º), Firmino Bernardino (desistiu), Joaquim Carvalho (desistiu) e Manuel Silva (desistiu) foram os estreantes, que se juntaram aos mais experientes António Matos (desistiu), Fernando Mendes (desistiu) e Joaquim Agostinho que com o 15º lugar na geral fez o seu pior resultado no Tour.

1976: António Matos e José Martins representaram Portugal, fazendo 25º e 12º lugares.

1977: Participaram Joaquim Agostinho (13º), José Martins (16º) e Fernando Mendes (27º).

1978: Este seria um ano histórico para os portugueses na Volta a França, em especial para o até hoje inigualável Joaquim Agostinho. 1978 foi o ano do primeiro pódio português no Tour. Agostinho terminou a prova em 3º lugar e elevou o nome de Portugal. José Martins fez o seu último Tour, terminando em 22º.

1979: Com Agostinho como único participante luso, continuava a escrever-se história em português no Tour. Agostinho, na sua 10ª participação, faz o segundo 3º lugar seguido no Tour e figura na lista de vencedores da mítica etapa do Alpe d'Huez, uma das mais emblemáticas do Tour.

1980: Marco Chagas estreia-se no Tour com um 41º lugar. Mais uma vez, Agostinho estava presente e fez 5º, mostrando uma regularidade incrível, para alguém que pela 11ª vez corria o Tour.

1981: Joaquim Agostinho foi o representante nacional e, pela primeira e única vez, não conseguiu terminar a prova, acabando por desistir.

1983: Com 40 anos feitos, Joaquim Agostinho preparava-se para fazer o Tour pela 13ª vez, aquela que seria a sua última. É ainda hoje recordado pelas estradas francesas pela sua potência. Um verdadeiro monstro em cima da bicicleta que terminou a sua participação em 11º. Era a altura de dar lugar a outros. Outros que infelizmente não pôde ver correr, pois um acidente numa prova levaria à sua morte menos de um ano depois, num ano em que se preparava para voltar ao Tour com as cores do 'seu' Sporting Clube de Portugal.

1984: Pela segunda vez o Sporting participava no Tour. Era suposto ser Agostinho a liderar a equipa, mas a sua morte, meses antes do Tour atirou Marco Chagas (77º) para a liderança da equipa, que participava pela segunda vez. Manuel Zeferino (94º), Eduardo Correia (118º), José Xavier (119º), Carlos Marta (122º), Benedito Ferreira (desistiu) e Paulo Ferreira (desistiu) eram os outros portugueses em prova. A equipa estava abalada pela tragédia que tinha acontecido com Joaquim Agostinho e o prémio veio por intermédio de Paulo Ferreira. Foi ele que venceu a única etapa de uma equipa portuguesa no Tour. Uma forma de homenagear o grande Joaquim Agostinho!

1986: Ano da primeira participação de Acácio da Silva no Tour. Ele que foi o único participante no Tour na década que se seguiu. Neste primeiro ano, terminou a prova em 86º.

1987: Primeira vitória numa etapa do Tour para Acácio da Silva, na 3ª etapa, realizada em solo alemão. Viria a terminar em 64º.

1988: Segunda vitória numa etapa para Acácio, novamente nos primeiros dias (4ª etapa). Terminou a prova em 92º.

1989: O ano do ponto alto de Acácio da Silva na volta a França e um ano histórico para o ciclismo português. Ao vencer a primeira etapa do Tour, Acácio da Silva torna-se no primeiro e único português até hoje a envergar a camisola amarela, com o mérito de a ter mantido durante 4 dias. Terminou em 84º, mas isso era o menos importante, depois do feito alcançado.

1990: Na quarta participação no Tour, Acácio terminou em 108º.

1992: É o ano da última participação de Acácio da Silva. Consegue fazê-lo sem desistências e termina em 62º. Não teve resultados na classificação geral, mas 3 vitórias de etapa e andar de amarelo 4 dias é algo de extraordinário.

1996: Depois de três anos sem portugueses no Tour, estreia-se Orlando Rodrigues. Fez 69º na classificação geral.

1997: Orlando Rodrigues volta a participar no Tour, desta vez terminando em 113º.

1998: Ano da terceira participação para Orlando. Fez um modesto 167º lugar no final da prova.

2000: Na primeira edição do novo milénio, Orlando Rodrigues voltou a estar presente e finalizou a prova em 120º.

2002: Pela primeira vez José Azevedo participa na volta a França. Vence com a Once-Erosky o contra-relógio por equipas e termina num fantástico 6º lugar na classificação geral. Foi o melhor resultado de sempre após os 3º (2x), 5º (2x) e 6º lugares de Joaquim Agostinho.

2003: Na segunda participação, Azevedo terminou em 26º.

2004: No ano em que Portugal jogou a final do EURO 2004 em futebol, jogado no nosso país, José Azevedo não quis ficar atrás e fez o terceiro 'top 5´de sempre no Tour (depois de 2 de Agostinho). Terminou em 5º lugar e ganhou mais uma vez o contra-relógio por equipas, desta vez o serviço da US Postal e contribuiu decisivamente para a vitória final de Lance Armstrong.

2005: José Azevedo voltou a ser o único participante português e fez o seu pior resultado na geral (30º). Ganhou pela 3ª vez o contra-relógio por equipas, pela Discovery Channel.

2006: José Azevedo faria a sua última participação no Tour, envergando o dorsal nº1, motivado pela não-participação de Armstrong, aposentado após 7 vitórias consecutivas (que depois lhe seriam retiradas por uso de substâncias dopantes). Terminou em 19º.

2007: Sérgio Paulinho estreia-se no Tour. Termina em 65º na geral e a sua equipa (Discovery Channel) é a vencedora por equipas e na geral individual, com a vitória de Alberto Contador.

2009: Sérgio Paulinho apadrinhou a estreia de Rui Costa. Paulinho finalizou em 35º e Rui Costa desistiu.

2010: A Sérgio Paulinho e Rui Costa, juntou-se Manuel Cardoso. Paulinho venceu uma etapa fantástica que terminou em Gap e terminou o Tour em 46º. Rui Costa terminou em 73º e Manuel Cardoso não conseguiu terminar a prova, desistindo.

2011: Novamente tivémos Paulinho e Costa no pelotão do Tour. Desta vez o protagonismo foi para Rui Costa, que venceu a 8ª etapa, mostrando que era alguém a ter em conta para os anos seguintes. Costa terminou em 90º e Paulinho em 81º.

2012: Voltámos a ter os mesmos protagonistas (Costa e Paulinho). Rui Costa fez 18º na geral e Paulinho foi 50º.

2013: Foi o ano de afirmação de Rui Costa no Tour. Teve de trabalhar para ajudar Valverde na geral e depois Quintana e isso deu-lhe liberdade para lutar por etapas. Conseguiu vencer duas, ambas de forma extraordinária, com ataques em contagens de montanha e numa delas venceu o prémio da combatividade. Sérgio Paulinho também participou e voltou a vencer a geral por equipas com a Saxo-Tinkoff. Costa terminou o Tour em 27º e Paulinho em 136º.

2014: Este ano temos 5 participantes e veremos o que cada um pode fazer no final da prova. São eles Sérgio Paulinho, Rui Costa, Tiago Machado, Nélson Oliveira e José Mendes.

NÚMEROS

1 Por uma vez e durante quatro dias Acácio da Silva vestiu a camisola amarela

15 Vitória em etapas. Joaquim Agostinho (4). Paulo Ferreira (1). Acácio da Silva (3). José Azevedo (3). Sérgio Paulinho (1). Rui Costa (3).

13 Foram as vezes que Joaquim Agostinho correu o Tour. Foi o português com maior número de participações.

1975 O ano em que mais portugueses participaram no Tour (8)

CURIOSIDADES

Joaquim Agostinho é ainda hoje o maior símbolo do ciclismo português. De tal forma que em França, na 14ª curva do Alpe d'Huez foi erguido em sua homenagem um busto de bronze (1.70m de altura, 70 de largura e 70kg de peso). Está apoiado num pedestal com três metros de altura, de granito verde. A estátua é comemorativa da sua vitória na mítica etapa com chegada ao Alpe d'Huez, em 1979, ano em que terminou o Tour em terceiro lugar pela segunda vez. Nunca outro ciclista português venceu esta etapa.

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