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Grande Artista e Goleador

Meritocracia ou propaganda

Foi já sem qualquer espanto que se assistiu à estreia de Renato Sanches na selecção nacional. Tem sido frequente esta tentativa de valorizar os poucos talentos nacionais emergentes na equipa do Benfica e, não discutindo o valor do jogador, é discutível a diferença de tratamento para jogadores do Sporting com rendimento ou utilização semelhantes.

O caso de Renato Sanches, de todos, nem é o mais escandaloso. Não podemos ignorar o facto do jogador se ter imposto em definitivo na equipa principal dos encarnados e de ser inclusive uma peça importante no onze.

Mas é fácil identificar aqui um padrão. Nélson Oliveira, Ivan Cavaleiro, Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches. Por esta ordem os vimos estrear na principal equipa nacional. Todos com um propósito propagandístico de valorização no mercado ou 'justificação' a futuros investidores. Todos incluídos num complot financeiro que tem privilegiado nos últimos anos o Benfica e que conta com a missão propagandística da comunicação social, sobretudo a escrita que, "silenciosamente", vai montando o circo mediático com capas de jornais sucessivas como que na tentativa de justificar estas chamadas.

Ivan Cavaleiro foi vendido por 15M€ (mesmo que sejam dos da treta) depois duas internacionalizações incompreensíveis.

Nélson Oliveira foi convocado sem quase passar pelos sub-21, depois de "meia-dúzia" de jogos em competições secundárias e com um número de golos marcados ridículo para a posição que ocupa.

Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches fazem parte da vaga que tenta vender a ideia de aposta na formação para os lados da Luz (mesmo que Semedo não tenha sido lá formado). Todos foram chamados sem reservas e, nos casos de Semedo e Guedes, sem qualquer motivos que o justificassem.

Semedo não passou por nenhum dos escalões jovens nacionais. Bastou o agenciamento de Jorge Mendes (algo comum a todos estes casos) para lhe valer uma chamada.

Guedes tem quase tantas internacionalizações "A" como pelos sub-21 quando nada provou que justificasse queimar etapas, prova disso, são as poucas internacionalizações sub-21, onde sai maioritariamente do banco.

Renato Sanches foi convocado para justificar o alto valor pelo qual será vendido no final desta época (até porque as coisas estão complicadas em termos de finanças para os lados da Luz) e nem passou ainda pelos sub-21. Diria que estamos em frente de um fora de série...ou talvez não.

Volto a dizer, aceito até a chamada do Renato mas critico o tratamento diferenciado para com os jovens do Sporting na última década.

Vejam quantos jogos e minutos tiveram de fazer os jogadores do Benfica para se estrearem na selecção e a idade com que o fizeram:

Meritocracia vs Propaganda.png

Tal como no Benfica, também o Porto tem apostado muito pouco em jogadores portugueses nos últimos anos e, por isso, são poucos os exemplos de chamadas à selecção. Também aqui há casos paradigmáticos de valorização espontânea. 

Bastou a Licá aparecer no Porto para merecer uma internacionalização. Fenómeno idêntico para Josué, que acumulou 4 presenças na selecção nacional e até deu para Miguel Lopes também ser chamado.

Rúben Neves, fenómeno idêntico a Renato Sanches (ambos com qualidade e potencial imenso), precisou de participar em quase o dobro dos jogos para merecer uma chamada à selecção.

Vejam um quadro idêntico para os jogadores do Porto citados:

Meritocracia vs Propaganda 1.png

Depois, como é lógico, não posso criticar a falta de "renovação" da selecção (como já fiz) e castrar a entrada de todos os jovens só porque estes não jogam no Sporting. Não é isso que pretendo fazer.

Têm é de haver critérios claros. Principalmente qualidade, potencial. minutos e influência nas equipas onde actuam.

Assim sendo, assumo as chamadas de Renato Sanches e Rúben Neves como normais e naturais. Preenchem todos os requisitos e, embora tenham ainda imensos defeitos, não deixam de merecer uma chamada para um particular da selecção, até como forma de integração futura e motivação extra.

Curiosamente, parece que para os jogadores do Sporting há sempre algo mais a provar. E para sustentar esta "teoria" analisemos mais de duas dezenas de casos distintos.

Começo pelos que, embora não tenham justificado uma chamada, não fizeram no Sporting menos do que alguns supracitados nem apresentavam qualidade ou rendimento muito distintos dos mesmos (estes nunca chegaram a estrear-se na selecção):

Meritocracia vs Propaganda 2.png

Claro que podemos também alegar a maior competitividade e qualidade de selecções anteriores, que possam ter dificultado a entrada de algum dos que acabo de mencionar mas, recordo, só reclamo da chamada para um amigável, como foi concedido a outros, ressalvando que nenhum deles terá feito o suficiente para uma chamada.

No entanto, era Abel menos fiável que Miguel Lopes? Que terá faltado a Esgaio (titular em todo o Euro sub-21) para ser ultrapassado por Nélson Semedo? O que não tinha Mané que Cavaleiro mostrava? O que viram em Licá que Wilson não fazia? Comparem o rendimento de Saleiro com o de Nélson Oliveira (embora neste caso a concorrência que enfrentava o jogador do Sporting e os seus fracos atributos nem o considerem como equacionável na altura).

...

Sigo com alguns que são internacionais mas nunca foram chamados enquanto jogaram no Sporting:

Meritocracia vs Propaganda 3.png

Daniel Carriço mereceu amplamente uma chamada enquanto jogador do Sporting e Cristiano Ronaldo, pese embora o imenso talento para a sua posição quando apareceu em 2002/03, só foi chamado imediatamente depois de se transferir para Manchesterem 31 presenças na equipa do Sporting serviram para marcar presença num amigável. Olhem para cima e riam...

A última lista mostra os jogadores que justificadamente se estrearam na selecção enquanto serviam as cores do Sporting e vejam as diferenças:

Meritocracia vs Propaganda 4.png

Só João Mário e William Carvalho foram precoces mas ambos justificaram plenamente a aposta.

João Moutinho e Nani são os casos mais semelhante ao de Renato Sanches ou Rúben Neves, até pelas semelhanças na idade com que se estrearam.

André Martins, André Santos e Paulo Oliveira são casos de afirmação já em idade sub-23, pelo que me parece que as chamadas terão surgido na altura certa.

Tonel chegou ao Sporting mais velho, justificou a chamada, e foi chamado também ele quando foi possível, até porque sempre estivemos bem servidos de defesas centrais.

Todos os restantes casos demonstram jogadores que demoraram demasiado tempo a receber a merecida chamada à equipa que cada vez menos é a de todos nós.

Os casos de Adrien e Cédric são um escândalo. Adrien precisou mesmo de duas convocatórias para se estrear, visto que na 1ª não foi utilizado em ambos os jogos. Miguel Veloso precisou de quase o dobro dos jogos pelo Sporting do que os que Sanches fez pelo Benfica. Yannick era no mínimo idêntico a Licá, Cavaleiro ou Guedes e basta ver as diferenças nos números apresentados. Procurem quanto precisou de jogar Anthony Lopes para se estrear e comparem com Rui Patrício.

Sim, em jeito de conclusão (até porque isto já vai mais longo do que esperava) parece-me óbvio que é mais difícil ser chamado à selecção jogando no Sporting ou não sendo agenciado pelo Mendes.

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