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Grande Artista e Goleador

Desabafo

Dou por mim a ver os jogos da selecção com indiferença. Às tantas, até vou jantar e deixo o puto ver os bonecos.

Bem sei que, hoje, muitos são os que já não passam cartão àquela que, em tempos, era a equipa de todos nós. Alguns vão mesmo mais longe e já desejam que perca.

A verdade é que não vejo os jogos da selecção com a atenção, a paixão e o fervor de outros tempos.

Ainda não desliguei por completo porque tenho em mim uma costela patriótica que me diz que a imagem que passa do país não é a melhor, nem para dentro, nem para fora.

Bem sei que, no geral, a imagem de Portugal é má, tanto cá como no estrangeiro e, talvez seja precisamente por isso, que me incomoda que o futebol, das poucas coisas que nos tem prestigiado lá fora (bem sei que posso estar a ser injusto para com outras áreas, como a ciência ou a medicina que, infelizmente, não têm o mediatismo do desporto rei), passe esta imagem acabada e triste.

E isto acontece porque não temos treinador (apesar de, na prática, lá estar um), porque as escolhas são totalmente questionáveis e os favores demasiado óbvios.

Confesso que fui dos que até apoiou a contratação de Fernando Santos (pelo menos dei-lhe o benefício da dúvida). Porque me parecia pensar pela sua própria cabeça, não alinhando em esquemas. Porque pensei que podia melhorar o futebol de uma equipa que se vinha degradando nos últimos anos.

Enganei-me!

Fernando Santos é mais um fantoche ao serviço dos interesses da FPF e dos seus 'parceiros'. E que pena que os interesses da FPF não sejam apenas e só prestigiar o país através de um desporto que, por acaso, é o mais visto e praticado no Mundo.

Portugal não tem hoje um conjunto de extraordinários jogadores como tinha há 10 anos mas tem bons jogadores. Só temos um jogador de nível mundial mas dá perfeitamente para construir uma boa equipa à volta dele.

Mas, para isso, é necessário um modelo de jogo que o beneficie, que seja equilibrado e eficaz, de preferência, jogando futebol de melhor qualidade do que o que esta selecção apresenta.

Esta fase de qualificação, pesem embora as vitórias alcançadas (todas elas com exibições sofríveis), tem sido um vazio de ideias e uma nulidade quanto ao nível do futebol apresentado.

E se tem sido suficiente frente a Albânias e Arménias, desengane-se quem pensar que o será frente à Alemanha, a Espanha ou a Inglaterra (isto para não falar de selecções de segundo plano que, embora menos talentosas, trabalham melhor e são mais competentes que nós).

Aquilo que eu vi ontem (a juntar ao que se tem visto sempre) foi um vazio de ideias, um posicionamento defensivo deficiente e um ataque incapaz de fazer mossa na Albânia. Sim, na Albânia! Essa potência mundial que os excelentíssimos comentadores da RTP fizeram questão de enaltecer, como a única equipa invicta do grupo, agora derrotada pelos bravos portugueses, ignorando o facto de não termos jogado nada e de termos ganho com uma sorte do caraças!

Era facílimo trabalhar esta selecção para os próximos 3 anos (onde teremos o Europeu, os Jogos Olímpicos e o Mundial).

Bastava pegar nos mais preparados da selecção vice-campeã da Europa de sub-21, juntar-lhes os melhores e mais bem preparados seleccionáveis e fazer algum trabalho de casa.

Tudo isto, em vez de favores a patrocinadores e empresários e de andar a passear e a brincar às selecções.

Basta juntar os melhores, prepará-los, orientá-los e pedir-lhes que dignifiquem o país, os portugueses e a eles próprios.

Ouvir da boca de quem orienta a equipa pérolas como, "Com esta dinâmica não é fácil pararem-nos", é um atestado da própria incompetência perante tanta gente que neste país percebe de futebol.

 

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