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Grande Artista e Goleador

A estatística ajuda a explicar algumas coisas

A estatística, só por si, não explica o sucesso ou o insucesso mas é um elemento importante de análise que ajuda a aferir a competência e o acerto de determinadas acções do jogo.

Quem negar isto ou ignorar os factos que os dados estatísticos demonstram terá mais dificuldades em evoluir e melhorar.

Como disse, há coisas impossíveis de medir com dados estatísticos. O comprometimento, a garra, a entrega, são coisas que só testemunhando se vislumbram mas nem elas, por si só, trazem ou levam o sucesso.

whoscored.com é um site de análise estatística que mede centenas de dados por jogador e os engloba numa nota final (quem quiser saber mais do método de análise, encontra a explicação do mesmo no próprio site).

Normalmente não uso esta ferramenta para analisar os jogos porque a Liga Portuguesa não é uma das que entra no leque de escolhas do site.

Pelo contrário, as competições europeias entram nessa análise e, através de uma simples consulta, é possível confirmar a deficiências que enumerei no post anterior.

Apenas para dar conta que, em Portugal, só o goalpoint.pt faz análise com base nestes mesmos dados. No entanto, infelizmente, não publica a análise completa e acaba por fazer análises muito superficiais e pouco elucidativas.

Por se basear apenas em dados estatísticos e apesar da escala pontual ser de 0 a 10, não considero que uma nota abaixo de 7 seja elucidativa de uma exibição aceitável. Entre o 7 e o 8 teremos uma exibição razoável. Entre o 8 e o 9, boa. E, entre o 9 e o 10, muito boa.

De referir que apenas Adrien Silva (7.83) e Fredy Montero (7.00) tiveram pontuações ao nível do que considero aceitável.

Vamos aos dados:

- Um dos pontos que referi, foi a total ineficácia dos laterais e se João Pereira ainda se safou mais ou menos defensivamente, Jefferson nem isso.
O apoio dos laterais ao ataque é fundamental no nosso modelo de jogo mas, quando a percentagem de sucesso dos cruzamentos é tão baixa (36% de Jefferson e 13% de João Pereira), num total de 22 cruzamentos, pouco mais há a dizer do sucesso das investidas ofensivas de ambos. Importante referir que o sucesso de um cruzamento, aqui, indica apenas que o jogador acertou num colega de equipa e não tem em conta a qualidade com que a bola lhe foi endossada.

- Tobias foi o elemento em campo com menor pontuação global (5.95). Apenas ganhou um duelo aéreo, algo que, frente a uma equipa que abusou do jogo directo, é manifestamente pouco para um jogador da sua envergadura. Depois há as falhas de posicionamento e concentração em todos os golos, que não podem ser quantificadas em dados estatísticos. Caso o fossem, a pontuação seria quase nula.

- Alberto Aquilani jogou, como se costuma dizer, 'de cadeirinha'. Veja-se o raio de acção dele, quando comparado como o de Adrien.

AQUILANI

1.png

ADRIEN

2.png

A incidência dos movimentos de Adrien na zona de construção indicam quem é que se escondeu do jogo.
Sabendo nós, e Jorge Jesus não saberá pior, de certeza, das limitações de Adrien Silva na construção e mais especificamente no passe, é caso para perguntar o que esteve a fazer em campo um exímio 'passador' como Aquilani, que apenas acertou 81.4% dos passes (Adrien, ao pé dele, pareceu um expert na matéria, com um índice de eficácia de 88.1%). Foram 84 os passes de Adrien, contra apenas 59 do italiano, o que joga ainda mais contra Aquilani. Juntemos a isso o facto de nem um desarme ou roubo de bola ter feito e está tudo dito sobre a exibição do italiano.
Por exemplo, e para mostrar que a substituição foi tardia, quem sabe o que faria André Martins se entrasse com o Sporting ainda na discussão do resultado. Fez um remate perigoso e acertou 95.7% dos passes.

- A Carlos Mané, critiquei apenas a sua ausência do centro do jogo. Escondeu-se em demasia e isso é bem claro quando observamos o número de passes, quando em comparação com Gelson Martins (33 vs 56).
Concordo com Jorge Jesus, que disse que o problema do Sporting não esteve nos que jogaram do meio campo para a frente.

- Destaco pela positiva Adrien Silva, que foi o bombeiro de serviço e o homem que mais bolas recuperou (8, no total).

- Uma nota para a qualidade das acções de Fredy Montero que, em muito menos intervenções que o colega de sector, foi muito mais assertivo. Nos mesmo dois remates que Teo Gutiérrez, fez um golo. Teve dois passes para ocasião (contra zero) e melhor precisão no passe (75% vs 70.5%).

- Palavra de apreço para as tentativas de Teo em se dar ao jogo e criar linhas de passe. No entanto, correu demais e desgastou-se em acções infrutíferas.

- Gelson foi, dos quatro homens da frente o que mais se deu ao jogo e aquele que mais se assumiu. 56 passes (83.9% de eficácia) e 8 cruzamentos (38% de eficácia) mostram bem que tentou. Tendo em conta a idade e inexperiência, merece um louvor por ter sido ele a assumir, muitas vezes, a responsabilidade das acções ofensivas.

Espero que, em vez de aborrecida, tenha sido uma análise interessante e que, como se vê, comprova aquilo que escrevi ontem e foi publicado hoje pela manhã.

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