Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Grande Artista e Goleador

A bola já rolou em Alcochete

No primeiro dia de treinos da temporada 2016/17, Jorge Jesus contou com 31 dos 32 jogadores disponíveis (apenas Wallyson não integrou a sessão de treino, por se encontrar a recuperar de uma lesão).

A sessão foi marcada pela carga ligeira, boa disposição e uma peladinha onde Daniel Podence protagonizou o momento da tarde.

 

 

Depois do treino, Jorge Jesus falou à Sporting TV, numa espécie de resumo do treino e lançamento desta temporada.

 

 

Para os mais curiosos, ficam os 20 minutos de treino transmitidos em directo na Sporting TV, que permitem vislumbrar alguns bons pormenores de Gauld e Barcos, entre outros.

 

 

Sigam o GAG no facebook e no twitter.

Isto sim, já mexe comigo

Depois de saber que Gelson Martins, Rúben Semedo e João Palhinha já se treinam na Academia sobre as ordens de Jorge Jesus que, tal como os três pupilos, abdicou de uma das semanas de férias, chega a hora de começarem a regressar os restantes jogadores, que se apresentarão ao trabalho na próxima semana.

 

Ezequiel Schelotto já está em Portugal e falou em exclusivo para a Sporting TV.

A pré-temporada já mexe e o 'bichinho' já morde.

Sigam o GAG no facebook e no twitter.

Ecos

O eco de hoje chegou do outro lado do atlântico. Descobri o blog por acaso e encontrei um post sobre Jorge Jesus e o nosso Sporting.

Mostra um ponto de vista muito interessante sobre o que é hoje o futebol de JJ. Eficaz mas, efectivamente, muito mecanizado. Não vive muito das individualidades nem lhes dá grande liberdade.

Será que ganharíamos mais, faríamos mais pontos ou jogaríamos ainda melhor com mais liberdade para os protagonistas?

Fica a questão.

 

"Nunca tiveste paciência com o baixo nível da mídia que toma o precioso tempo de um treinador com perguntas rasas, repetitivas e óbvias. Nunca tiveste paciência com jogadores que colocavam sua vaidade acima das tarefas que tinham que ser cumpridas dentro de campo, mesmo que de vaidade tu sejas também especialista. Mas sempre, e absolutamente sempre, mesmo quando o resultado não era o esperado, foste capaz de fazer o que ninguém conseguia. Sempre te debruçaste sobre problemas que a maioria dos treinadores nunca nem se questionou e nunca nem percebeu a existência. Sempre vais ser capaz de criar uma equipe coletivamente forte, sempre criarás mecanismos que farão com que qualquer equipe do mundo que venha a enfrentar a tua sofra para marcar e não sofrer gols. És capaz, definitivamente, de independente do ambiente em que estás inserido, criar uma equipe competitiva.

Dito isso, me pergunto sempre: por que não jogas futebol? Por que continuas escolhendo os mesmos jogadores para as tuas equipes com base na altura deles, na velocidade, na capacidade de resistência, na capacidade de força? Onde entrariam Saviola e Aimar na tua equipe do Sporting? Entrariam? Por que não utilizas tua grande capacidade de operacionalização para que tua equipe não deixe o adversário ter a bola por mais do que 30% do tempo de jogo?

Não vou dizer que sei como é, mas mesmo sem a experiência de treinar no mesmo escalão que tu, entendo perfeitamente a posição em que um treinador de um clube do tamanho do Sporting se encontra. A enorme pressão, as diversas e variadas opiniões, as críticas e acima de tudo, a cobrança por resultados. Sempre eles, os resultados. Mas, nessa temporada continuaste brilhante e os resultados não irão ser atingidos. Bom, na verdade serão. O Sporting chegar a uma Champions com a facilidade que chegou nessa temporada é notável, mas os resultados a nível Jorge Jesus é que não irão chegar. O título, salvo milagre, será do Benfica. Mesmo sendo obcecado pela segurança em todos os processos, mesmo garantindo que a maioria dos teus jogadores em campo sejam altos, fortes, não percam divididas, sejam preponderantes em disputas físicas e que estejam sempre a cumprir os posicionamentos defensivos, às vezes um chute acaba por sobrar no pé do Mitroglou frente a frente com Rui Patrício e perdes em casa para o teu rival na disputa pelo título.

Então, novamente: por que não jogas futebol? Os verdadeiros melhores não ganham sempre. Arsène Wenger perde mais do que deveria, Marcelo Bielsa ganha menos do que deveria. E suas equipes são das melhores. São a representação da insignificância da vitória pela vitória, do ganho a qualquer custo, de noventa minutos de sofrimento e medo para chegar ao sentimento efêmero da vitória. Mesmo sofrendo derrotas catastróficas, jamais foram derrotados de joelhos. Hoje ganhaste ao Porto, mas sabes bem como é perder para eles de joelhos, literalmente. A derrota às vezes é inevitável, dado o número de variáveis incontroláveis que existem num jogo de futebol. No entanto, o que certamente controlamos é a maneira que perdemos, e a perda do Campeonato Português da temporada 2015/2016 poderia ter sido muito melhor."

 

La Rodilla de Modric, é o nome do blog. Visitem que vale a pena.

 

Sigam o GAG no facebook e no twitter.

E a selecção?

Ontem vi o jogo da selecção nacional. Não que não tenha dado uma olhadela no jogo com a Noruega mas ontem era um teste mais sério e queria ver com o mesmo desprendimento de ultimamente (infelizmente, pois sinto uma certa nostalgia de quando vibrava com a equipa das quinas) mas com maior atenção. Queria aferir as nossas reais possibilidades no Euro, sobretudo quando chegarmos às fases a eliminar.

 

Depois, havia o aliciante extra de ouvir a comentar alguém que realmente percebe de bola, em vez do Dani ou outro qualquer do lote de 'invisuais' que pululam na TVI. Jorge Jesus comentou em directo o jogo frente à Inglaterra e, no seu estilo e de forma sábia e subtil, deu a sua opinião sobre o nosso modelo de jogo e dinâmica.

 

JJ constatou aquilo que só alguém com as suas competências diria. Portugal defendeu como equipa pequena (mesmo 11x11) e praticamente não atacou. O nosso processo ofensivo foi inexistente e limitou-se sempre à esperança num ou outro rasgo individual, primeiro de Nani e depois de Quaresma (que quase fez mais um golo de antologia).

 

Portugal não rematou enquadrado uma única vez e acabou por sofrer um golo numa 2ª bola que Patrício socou (e bem) para fora da área mas onde a nossa defesa não foi lesta no ataque à bola 'perdida'. Pior, os 10 jogadores que praticamente nem da área saíram deixaram o inglês cabecear sem qualquer oposição.

 

Nem o resultado se salvou e Jesus, para além de, subtilmente, dar sinais de pouca esperança na dinâmica do modelo de Fernando Santos, não deixou de elogiar a formação do Sporting e criticar, com alguma graça, o jogo de cabeça de William Carvalho. 

 

Neste momento já toda a gente percebeu porque Renato foi convocado. Há que aproveitar os amigáveis para somar internacionalizações pois o único dinheiro que o Benfica ainda pode ver, relativo à sua venda, vem precisamente daqui. Quando começar a sério, jogarão os melhores e, mais uma vez, deu para perceber que Renato não é um deles. O seu estilo e a propaganda beneficiam-no e colocam sobre ele as luzes da ribalta mas o espectador mais atento vê a sua movimentação e posicionamento, por exemplo, no golo da Inglaterra e fica convencido (isto aconteceu várias vezes em jogos do Benfica, nomeadamente na Champions).

 

Agora, em traços gerais, concordo com Jesus. O nosso processo e dinâmica ofensiva não existe e tenderá ainda mais a individualizar-se com Ronaldo em campo. Fernando Santos teve com a Noruega e terá com a Estónia a possibilidade de testar um modelo alternativo mas não o fez (e duvido que o faça). Teimou neste novo modelo que só funciona com CR7 em campo e que nunca pode ter como avançados Nani e Rafa. O nosso processo defensivo é 'à grega', pouco dinâmico, demasiado expectante e com muito homens atrás da linha da bola.

 

Claro que tudo isto se modifica com o melhor Ronaldo em campo. Mas...e se o melhor Ronaldo não 'fôr' a França?

 

Sigam o GAG no facebook e no twitter.

Crescimento sustentado

É inegável o crescimento do futebol profissional do Sporting nestes 3 anos.

Leonardo Jardim restituiu o orgulho, Marco Silva recolocou-nos na rota dos títulos e Jorge Jesus devolveu-nos a nossa identidade, lutando até ao fim pelo título nacional, depois de ter entrado a vencer a Supertaça.

Três bons treinadores permitiram ao Sporting crescer e reerguer-se, aumentado sustentadamente a sua competitividade e melhorando o rendimento global.

Jardim teve o plantel menos apetrechado mas gozou de um calendário menos apertado, sem competições europeias e com eliminações precoces nas taças. Silva viu aumentada a competitividade, aliada ao crescimento de alguns dos jovens da casa e fez quase 20 jogos a mais que Jardim. Jesus teve o melhor dos 3 plantéis e, quanto a mim, implementou a mentalidade imprescindível ao regresso do "Crónico".

Gráfico 1.png

Hoje, o Sporting vence mais do que vencia antes e é a essa mentalidade que hoje se encontra implementada que isso se deve.

Gráfico 2.png

Fruto de um estilo de jogo mais atractivo e ofensivo, marcamos hoje mais golos que antes.

Gráfico 3.png

O equilíbrio conseguido hoje entre a vertigem ofensiva e as transições defensivas, permite-nos também sofrer menos golos que no passado recente (Jardim sofre menos golos no total mas mais para a Liga num registo ainda assim assinalável e bem próximo do de Jesus).

Gráfico 4.png

Estes dados estatísticos, embora não nos tenham permitido melhorar ao ponto de vencer a principal competição nacional, deixam clara a melhoria em termos de percentagem pontual na Liga. Jesus conseguiu a 7ª melhor percentagem de pontos de sempre, a melhor desde 1979/80, onde curiosamente também fomos segundos classificados. Acabámos com um título ganho, tal como no ano passado, igualando a 2ª posição de Leonardo Jardim e com um passo em frente rumo à reafirmação definitiva no panorama futebolístico nacional.

Gráfico 5.png

É importante materializar na próxima época (a última do mandato de Bruno de Carvalho) o crescimento que se vem verificado com o mais importante título nacional, se possível, com uma boa campanha europeia, que faça subir mais um patamar neste trajecto ascendente.

 

Sigam o GAG no facebook e no twitter.

SPORTING CP 0-1 B. Leverkusen: Eliminatória comprometida

Tal como eu tinha dito ontem, encontraríamos uma equipa ao nosso melhor nível e só uma exibição dentro daquilo que tem sido o nosso melhor nos aproximaria de um resultado positivo.

Sendo a derrota por 0-1 um resultado negativo, nada tem de irrecuperável. Podemos discutir até final a eliminatória na Alemanha, assim os escolhidos para a disputar lutem por isso.

O jogo de ontem começa a perder-se bem antes de começar. A partir do momento em que o próprio treinador retira do jogo o foco principal e o atira para 2ª feira, é natural que todos relaxem.

E, a verdade, é que todos relaxaram. Os jogadores adoptaram um nível e uma intensidade mais baixa e até os adeptos o fizeram, comparecendo em menor número e sendo menos entusiastas no apoio. Até assobios saíram, algo nada normal e que demonstra bem que o episódio de dezembro 'marcou' Teo perante a massa associativa.

E se entendo a protecção de Jorge Jesus ao colombiano, não entendo porque não resguardou também Rúben Semedo. Em sentido oposto ao que fez com Teo, criticou Semedo quando podia ter refreado os ânimos. Faltou tratamento igual.

Por fim, e porque não quero alongar-me na análise ao jogo, um recado para Jorge Jesus:

Jorge, nenhum treinador teve nos últimos anos o apoio e a tolerância total em prol de um só objectivo. Aceitámos que o campeonato é a prioridade mas somos exigentes, como o senhor e o Presidente. O senhor e a equipa têm tido apoio total em todos os momentos, mesmo nos mais negativos e nós, adeptos, como ontem disse (e bem), temos sido parte integrante no campeonato bem sucedido e que, neste momento, nos coloca na liderança. Por isto, não nos ameace. Não nos ataque por causa de um jogador, ainda mais porque sabe da nossa força. Até ao final da época, treinador e jogadores (mesmo o Teo) terão o nosso apoio. Nós queremos o Sporting campeão e estamos dispostos a tudo por isso, com dedicação máxima, como temos mostrado sempre.

Finalmente, o foco está no Boavista e, agora sim, é imperioso vencer.

Só há 34 anos

Corria a época de 1981/82, o Sporting de Malcom Allison deslocava-se a Penafiel para dobrar o segundo terço do campeonato.

Vitória por dois golos sem resposta (bis de Ademar), a 15ª em 20 jornadas (o campeonato disputava-se com 16 equipas).

O Sporting cumpria o segundo terço do campeonato sem derrotas e com 87.5% dos pontos conquistados.

É este o registo mais próximo na história a ultrapassar o actual do Sporting de Jorge Jesus. São 83.3% dos pontos averbados, o melhor registo desde 82, num ano em que o Sporting se sagrou campeão.

Nunca desde que a vitória vale três pontos (desde a época de 1995/96) o registo havia sido superior a 77.3% (em 2003/04, com Fernando Santos ao 'leme').

Exceptuado o fantástico registo de Malcom Alisson, em 81/82, e Fernando Mendes (que já havia substituído Rodrigues Dias), em 79/80, só recuando à década de 60 se encontram registos de aproveitamento superiores.

Em 79/80, à 20ª jornada, o Sporting repartia a liderança com o Porto, em 81/82, o Sporting era líder isolado já com o Benfica a sete pontos de distância. Em ambos o Sporting foi campeão.

Esta época, o segundo terço não se completa precisamente agora mas as 34 jornadas não permitem dividir de forma exacta o campeonato em três terços.

Assim sendo, o registo de 55 pontos ontem alcançado perfaz o melhor aproveitamento pontual no final do segundo terço do campeonato dos últimos 33 anos, o 3º desde 1970.

Apenas em 11 épocas o registo foi superior ao deste ano e apenas em 3 foi igual, a maior parte delas em campeonatos disputados com 14 ou menos equipas.

Por curiosidade, nas 10 épocas anteriores à que disputamos, apenas três registos superam o que o Sporting apresenta: o de Jesus, no ano passado, o de Jesus e Vítor Pereira, que repartiam a liderança em 12/13 e o de André Villas-Boas em 10/11. Em 07/08, Jesualdo Ferreira igualou o registo alcançado ontem pelo Sporting de Jesus. Em todos estes 10 campeonatos o campeão foi a ou uma das equipas que apresentavam o melhor aproveitamento ao segundo terço do campeonato.

Sim são apenas números. Não nos garantem o título mas garantem que, até agora, Jesus cumpriu com o prometido. O Sporting estará certamente até final na luta pelo título e apresenta um aproveitamento que há mais de 30 anos não se via para os lados de Alvalade.

Nos 14 anos anteriores em que o Sporting apresentava ao segundo terço do campeonato um registo igual ou superior, foi campeão em 10 deles.

2º terço.png

Como estavam Jardim e Silva ao jogo 35

Faço agora esta análise porque 35, o número actual de jogos oficiais do Sporting, foram o total de jogos do Sporting de Leonardo Jardim.

A análise vale o que vale, pois Jardim não tem culpa daquilo que fizeram os seus antecessores, deixando-o sem competições europeias onde orientar a equipa.

Mas sim, é verdade, para Jardim, o jogo 35 só chegou em Maio.

Vamos ver como se saíram os 3 treinadores da 'era' Bruno de Carvalho nos primeiros 35 encontros disputados.

Aos 35.png

 

Num exercício ainda mais especulativo mas, ainda assim, interessante, diluindo estes registos em pontos (mesmo que muitos dos jogos tenham sido a eliminar)...

JORGE JESUS - 79

LEONARDO JARDIM - 77

MARCO SILVA - 70

Não que isto fosse necessário para atestar o upgrade que Jesus representou para o Sporting mas, mais do que isso, coloca Marco Silva num patamar inferior a Leonardo Jardim e Jorge Jesus (mesmo assim, ajudou a conquistar uma Taça de Portugal - algo que Jardim não conseguiu).

Afinal, para que serve a cabecinha desta gente?

A imprensa nacional está tão habituada a não ter de pensar, servindo de veículo a interesses alheios, que nem entendeu a intenção de Jorge Jesus nestas declarações.

Não houve um único meio de comunicação social, escrita ou falada, que não destacasse estas palavras como uma preocupação de Jesus com eventuais saídas face ao assédio aos jogadores do Sporting.
No Sporting, tudo é um problema.
E assim se valorizam activos, num estratégia inteligente de comunicação.
A cabecinha destes tarefeiros só serve para usar o chapéu...ou será um barrete?!

A sorte protege os audazes...e dá muito trabalho

Já todos leram (ou quase todos) através d'A Tasca do Cherba ou d'O Artista do Dia e volto a trazer à baila o assunto.

Normalmente, o adepto vai à bola para se divertir, vibrar ou simplesmente apoiar o seu clube. Fa-lo-ão a maioria de forma desprendida de análises técnico-tácticas. Identificarão facilmente quem jogou bem ou mal mas ignorarão pormenores que, convenhamos, nem sempre são visíveis ao vivo, sobretudo porque a emoção sobrepõe-se à razão.

Quero com isto dizer que é essencial que os adeptos do Sporting (e do futebol em geral) percebam qual a estratégia e modelo de jogo de Jorge Jesus para que possam fazer uma melhor análise do rendimento da equipa.

É fácil estar no estádio e mandar o Patrício bater a bola rapidamente, pedir ao Slimani para correr para a área ou vociferar a cada troca de bola entre os centrais.

O artigo do blog francês "premièretouche" ajuda a perceber o risco a que a estratégia adoptada por Jorge Jesus expõe a equipa. Basta um erro mínimo para que possamos sofrer um golo e a exigência mental daqueles 90 minutos são um factor que deve nortear a nossa tolerância ao erro e reforçar o nosso apoio.

Por querer fazer mais e melhor, de forma ousada e eficaz, este Sporting merece o nosso apoio e alguma tolerância.

A sorte, diz-se, protege os audazes mas, diz-se também, dá muito trabalho. Até ver, não nos podemos queixar daquilo que tem sido esta temporada.

Amanhã há mais e aposto que depois desta leitura (e sobretudo do visionamento dos vídeos) nunca mais verão um jogo do Sporting de Jesus com os mesmos olhos. Se, como eu, gostam de viver o jogo no estádio, revejam-no em casa sempre que possam.

A cultura futebolística refina a cultura de adepto.

Hoje joga o Sporting

Se a prova em si não for suficientemente motivadora, que o sejam as bancadas, previsivelmente cheias do Estádio do Portimonense. Espera-se lotação esgotada para receber o Sporting no Algarve, coisa rara nos tempos que correm, onde as equipas do sul do país se encontram arredadas do principal escalão do futebol nacional. A onda verde estará certamente em maioria.

Na 1ª jornada o Portimonense surpreendeu ao golear em casa o Arouca e parte para esta jornada em pé de igualdade com o Sporting. Quem vencer, dará um passo importante rumo às meias-finais.

No Sporting há uma certeza: Marvin Zeegelaar vai estrear-se e será titular na lateral esquerda.

Como é natural, temos do nosso lado a obrigação de averbar três pontos, frente a uma equipa que tem feito uma boa campanha na 2ª Liga, onde se encontra a apenas 1 ponto dos lugares de subida, gozando do estatuto de 2º melhor ataque da prova, apenas superado pelo líder, Porto B.

É previsível que Jorge Jesus faça algumas alterações na equipa, afim de manter toda a gente em forma, sem comprometer os objectivos do Clube na prova.

Espero um regresso de Mané à titularidade e anseio por mais golos de Fredy Montero. Aquilani deverá voltar à titularidade e é de esperar que Matheus também integre o onze.

Será mais fácil manter o foco depois de um resultado negativo e tenho a certeza que os rapazes de verde-e-branco não facilitarão a tarefa aos de Portimão.

Vamos lá levantar a moral antes da deslocação a Paços de Ferreira.

SPOOOOOOOOOOOOOORTING!

SPORTING CP 3-2 Braga: uma 'remontada' épica

Eu tinha avisado ontem...o Braga sabe defender e, connosco, fê-lo em bloco baixo, só arriscando pressionar no próprio meio campo.

Eu tinha avisado...o Braga sabe jogar em ataque rápido, usa para isso processos simples e tem jogadores rápidos e de qualidade que ajudam (e muito) a dar-nos alguns calafrios.

Foi assim que, sem qualquer problema, entregaram o domínio total do jogo ao Sporting e se limitaram a tentar chegar à área de Rui Patrício em jogadas rápidas, aproveitando bem alguns erros a que o nosso estilo de jogo é propenso.

Os primeiros lances de perigo surgem de duas desatenções de Jefferson e William Carvalho. Na primeira, Wilson Eduardo não acertou na baliza. Na segunda, Rui Patrício teve de mostrar serviço.

Na primeira parte, ofensivamente, o Braga só existiu nestes primeiros cinco minutos e nos últimos cinco (pena que com efeitos diferentes dos que acabei de mencionar).

Entre estes dois períodos, as melhores situações de golo foram do Sporting, por João Mário, que só não finalizou melhor porque a bola lhe sobrou para o pior pé, por Slimani, que complicou uma finalização que se queria simples e por Paulo Oliveira, que cabeceou de forma violenta ao poste da baliza de Kritciuk, que havia defendido as duas ocasiões anteriores.

Já diz o povo que, quem não marca, sofre. E assim foi.

Ambos os golos que haveriam de colocar o Braga em vantagem por 0-2 ao intervalo têm um denominador comum: Jefferson, que num deles tem a 'colaboração' de Adrien e no outro de William Carvalho.

No primeiro golo, o alívio de William é o possível, tendo em conta a trajectória da bola e o posicionamento do jogador (correcto, diga-se). O resto, é 'sono' de Jefferson (que se deixa antecipar) e Adrien (que está demasiado longe de Wilson para que possa estorvar a sua acção).

Curiosamente, é no momento do 0-2 que o Sporting começa a vencer o jogo. Imediatamente após o golo de Rafa (que também tem mérito do próprio e de Rui Fonte, que desposiciona totalmente Paulo Oliveira) o vulcão de Alvalade mostrou a sua força e a palestra de Jorge Jesus começou com aquelas gargantas a cantar "Só eu sei, porque não fico em casa".

Os adeptos sabiam que ia valer a pena e, na segunda parte, os jogadores acabaram por fazer valer o bilhete.

Era preciso arriscar para virar um resultado de dois golos frente a este Braga e Jorge Jesus não esperou. William ficou no balneário (porque já tinha amarelo e era, naquela altura, o elemento mais 'descartável' do nosso meio-campo).

Jesus sabia que a pressão ia fazer moça e que Gelson ia ser importante para isso.

A segunda parte é poética.

A toada do jogo não se altera. O Sporting domina e o Braga tenta explorar o ataque rápido, nunca com mais de três homens.

A primeira oportunidade, não estava ainda completo o terceiro minuto, esteve nos pés de Ruiz, servido por Slimani, que havia recebido de Gelson. Tal como nas oportunidades anteriores, o ressalto vindo do guarda-redes não nos é favorável mas estava dado o primeiro aviso.

Logo a seguir, Pedro Santos volta a por Patrício à prova, após mais um deslize (literalmente) de Jefferson. O Braga mostrava também que estava pronto a aproveitar os nossos erros.

Quase dez minutos de futebol algo atabalhoado de ambas as partes e Jesus percebe que este não é o dia de Bruno César. Fredy Montero está na linha lateral, preparado para entrar, quando o cruzamento de Gelson é travado pelo braço de André Pinto. Grande penalidade bem assinalada, que Adrien não desperdiça. Mais do que nunca, as esperanças reacendem. Grita-se o amor ao Sporting! É possível!

Montero entra para o lugar de 'chuta-chuta'. O golo não altera nada. Ainda estamos em desvantagem.

Na primeira vez que toca na bola, Montero isola Slimani. Kritciuk chega primeiro.

Neste momento, o Braga já abusa do anti-jogo. Era um bom sinal. Sentiram o golo. Fonseca troca de avançados. Nada muda na estratégia do Braga.

Montero tenta um passe picado, ganha a segunda bola e ataca a área. Segunda grande-penalidade, desta vez não assinalada mais uma vez com um jogador do Braga a jogar a bola com a mão no interior da área (desta vez foi Ricardo Ferreira).

Ruiz coloca de bandeja na cabeça de Slimani, mesmo como ele gosta. O argelino desperdiça, o público desespera, o Braga respira de alívio. A pressão está a subir de tom.

Montero tenta mais um passe picado. Não resultou mas eu sentia a sua confiança.

Minuto 70. Mais um aviso. Gelson combina com Ruiz, remata, o russo defende e, na recarga, Slimani volta a acertar no boneco. Está quase...já cheira a golo em Alvalade!

João Mário tem uma entrada dura que devia ter valido cartão amarelo. Não vou discutir nem esmiuçar a arbitragem mas, para os lampiões (sejam do sul ou do norte) que exigiam a expulsão do jogador do Sporting, recomendo que revejam as três faltas de Ricardo Ferreira até ao lance que origina a grande-penalidade não assinalada. E fico-me por aqui.

Wilson Eduardo sai ovacionado após marcar um golo em mais um regresso a 'casa'.

Faltam quinze minutos para o final. 

Para os menos desatentos, o lance do golo de Fredy Montero surge após uma troca de bola de quase um minuto, em que a bola passa pelos três corredores e por nove dos onze jogadores do Sporting em campo (só Rui Patrício e Bryan Ruiz não participaram no lance). Só Fredy Montero transformaria um remate de Jefferson numa assistência, tornando o que parecia difícil em fácil. Pé direito para receber e esquerdo para rematar, sem pedir licença, com a potência e direcção certas. Estava feito o empate e eu estava eufórico. Foi o golo que mais festejei e que mais tranquilo me deixou.

Porquê? Slimani ainda não tinha marcado e tínhamos um quarto de hora para tomar de assalto a baliza dos bracarenses.

Paulo Oliveira tenta o tiro do meio da rua. Sai por cima e está na hora de apostar na qualidade de passe e veia goleadora de Aquilani. João Mário é o 'sacrificado'. Faltam dez minutos para o final.

Seguem-se cinco minutos em que abrandámos a pressão (os homens não são de ferro) e o Braga teve mais bola, embora se sentisse desconfortável com ela. Este momento de jogo haveria de culminar com o recém-entrado Marcelo Goiano a isolar Rafa que, na cara de Rui Patrício viu o guarda-redes leoninio ser aquilo que é...o Rei! Mancha monumental, a mostrar aquilo que vale...pontos.

O Sporting volta a carregar a anunciam-se mais de 42 mil em Alvalade. O melhor, ainda estava para vir.

Patrício emenda um erro de Naldo e antecipa-se a Stojilkovic. Falta um minuto para os 90 e o publico ainda acredita.

Ruiz também e mostra porque é que nunca sai. Mais uma redondinha na cabeça de Slimani que, desta vez, não perdoa e escreve o último verso de um poema épico.

Estava feito o 3-2. Estava virado o jogo em menos de 45 minutos e eu só dizia ao meu puto: "Filho, este ano somos campeões! Este é o ano do Sporting!"

Podia nomear um homem do jogo e vou fazê-lo: Jorge Jesus.

Pela mestria como leu o jogo e mexeu na equipa, pela forma como cantou com os mais de 40 mil, pela forma louca como festejou a vitória.

Jesus é treinador do Sporting de corpo e alma. Vive e entrega-se ao jogo como se jogasse e, embora não tenha marcado um golo, esta vitória é dele. Dele e daqueles 40 e tal mil leões que nunca desistiram e acreditaram sempre.

E assim foi...até ao Natal

Não vou fazer qualquer tipo de análise profunda, até porque se torna demasiado maçador, mas partilho convosco os números de Jorge Jesus e dos seus antecessores até ao Natal.

Nada de falar em estilos de jogo, plantéis ou outros factores passíveis de análise diferente por cada um de nós.

Serão apenas números.

Até ao Natal 1.png

Até ao Natal 2.png

Até ao Natal 3.png

Até ao Natal 4.png

 

(clicar para aumentar)

Por curiosidade, pois vale o que vale, partilho os números nos primeiros 26 jogos (aqueles que já temos realizados nesta época) de cada um, sabendo que foram atingidos em períodos diferentes de tempo.

Primeiros 26.png

 

(clicar para aumentar)

Braga 4-3 SPORTING CP: Desta vez faltou-nos a estrelinha, num grande jogo de futebol

O JOGO

Um verdadeiro jogo de futebol, com duas equipas a procurar a vitória, jogadores empenhados em cumprir a estratégia dos treinadores e golos...bons golos e bom futebol, numa partida bem jogada técnica e tacticamente em que a balança pendeu mais para a eficácia dos ataques em detrimento da das defesas.

Um jogo que, pelo que fizeram as duas equipas, merecia ter sido resolvido nas grandes penalidades.
Um hino ao futebol poucas vezes visto por cá e que certos e determinados patrocinadores não mereciam pelo que não fazem em prol do nosso futebol.

OS JOGADORES

Torna-se injusto enumerar erros colectivos ou individuais quando todos se empenharam em ganhar e dar um bom espectáculo.
Claro que os nossos erraram. Os do Braga também. Mas muito do erro é provocado pela estratégia de ambos.
Não foi pelo que fizeram ou deixaram por fazer os nossos jogadores que não passámos aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Não foi por eles que o Sporting não estará no Jamor.
Não me é fácil individualizar, pois foi o colectivo que mais se destacou.
Falo apenas de Slimani, apesar de vários merecerem menção honrosa. Nem é pelo que jogou (nem terá sido o melhor em campo), pelo golo ou pela entrega. Faço-o porque, como sabem,Slimani não é dos meus favoritos mas isso não me impede de reconhecer que é essencial nesta equipa, sobretudo em jogos como este. Nunca pensei dizer isto, mas personifica bem o lema do nosso Clube, mesmo que o faça apenas por dinheiro.

OS TREINADORES

Jorge Jesus é o melhor em Portugal e Paulo Fonseca é talvez o melhor desta 'nova geração'. Ambos montaram estratégias fortes e compactas.
Embora com ideias de jogo diferentes, ambas as equipas terão cumprido com a maioria do que lhes foi pedido.
O único ponto em que Fonseca bateu Jesus foi nas substituições.
As do treinador bracarense surtiram o efeito desejado, as de Jesus, não.
Não que a ideia não fosse boa mas porque os jogadores não me pareceram os mais adequados para os momentos do jogo em que foram lançados.
E não digo isto a frio, pois foi exactamente a ideia que tive durante o jogo. Lançar Matheus e Gelson em conjunto pareceu-me demasiado arriscado, sobretudo num jogo em que a experiência e maturidade eram mais importantes que a irreverência (pior ainda quando essa irreverência nunca sobressaiu pela positiva).
No último terço dos 90 minutos, o jogo já pedia Montero ou André Martins. Nem a entrada de Naldo foi feliz.

A ARBITRAGEM

Irrepreensível no capítulo disciplinar (o critério foi largo mas coerente), não esteve bem no capítulo técnico e acabou por ter influência no resultado.
Tanto o Braga como o Sporting marcaram 4 golos (o Sporting até marcou 5, mas já tinha soado o apito quando William rematou para o fundo das redes, ao cair o pano do prolongamento) mas foram os leões a ficar pelo caminho.
O Braga fez quatro golos legais mas um deles é precedido de uma falta clara sobre William Carvalho, que ficou por assinalar.
O Sporting fez também quatro golos legais, mas só três contaram (Slimani está em jogo no momento do passe de Ruiz, na 1ª parte do prolongamento).

A NOSSA LUTA

O jogo de ontem prova que as lutas que o Sporting tem travado, na pessoa do seu Presidente, são justas e só pretendem credibilizar e valorizar o nosso futebol.
O vídeo-árbitro teria permitido analisar em tempo real o golo anulado a Slimani e, assim, teria havido justiça desportiva.
A centralização dos direitos desportivos permitiria ver no nosso país mais jogos com a riqueza do de ontem mas, num país de corruptos e "xico-espertos", são os mais egoístas e "habilidosos" que fazem as regras.
Quando o patrocinador principal da Liga e o actual campeão nacional resolvem negociar em prejuízo do campeonato português, está tudo dito.

O NOSSO ORGULHO

Devemos orgulhar-nos todos do jogo que a equipa fez ontem. Todos lutaram e deram o melhor de si em prol do Sporting. Todos dignificaram a camisola e o equipamento que homenageia um dos nossos fundadores. Todos, sem excepção, terão ficado tristes mas de cabeça bem levantada, pois fomos briosos e competentes na maior parte do encontro.
Mais do que isto, devemos orgulhar-nos de saber reconhecer e 'parabenizar' o esforço dos adversários que nos venceram com dois golos marcados por produtos da nossa formação (Wilson Eduardo e Rui Fonte). O Braga foi um adversário à altura e não deixa de ser um justo vencedor, num jogo que podia ter caído para qualquer dos lados. Pena que tenha sido a terceira equipa a desequilibrar os pratos da balança, ainda que isso não retire nenhum do mérito dos bracarenses.
Parabéns ao Braga!

OBJECTIVOS

Foi o primeiro objectivo falhado da temporada (ainda não consigo admitir que tenhamos sido nós a falhar o acesso à Liga dos Campeões) e a única coisa que peço é a mesma atitude de ontem para o próximo domingo. Se assim for, certamente estaremos próximos de somar mais três pontos para o principal objectivo desta época.

Mais sobre mim

imagem de perfil