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Grande Artista e Goleador

Três ideias para revolucionar a Liga NOS

Mais uma vez, dou eco a um artigo do GoalPoint. Desta vez, o 'escriba' é Pedro Cunha Ferreira, ex-Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting.

Não sei se já aqui abordei ou não este tema mas não sou uma mente fechada, bem pelo contrario.

Sou entusiasta do modelo desportivo norte-americano e, na Europa, só vejo algo com semelhante sucesso em Inglaterra, França e Alemanha.

Há anos que, em conversa com amigos, assumo que uma revolução de todo o modelo competitivo das ligas profissionais seria o melhor caminho. A divisão mais equitativa dos direitos televisivos premiaria a gestão financeira bem como o sucesso desportivo.

O modelo actual não é sustentável, atractivo e muito menos vendável.

Sei que Bruno de Carvalho é entusiasta de ideias semelhantes e as bases foram lançadas com as propostas entregues em instâncias nacionais e internacionais que visam melhorar o modelo competitivo e rentabilizá-lo, balizando-o com certas regras que premeiam a boa gestão.

Num país normal, só isto faz sentido mas, em países como Portugal e Espanha, promove-se uma espécie de monopólio que exclui à partida os ditos clubes pequenos que, por não terem acesso ao dinheiro se prestam a favores pouco lícitos a quem dele dispõe.

Um modelo mais claro, mais competitivo e menos sectarista só traria melhorias ao futebol português.

Para isto, é necessário que se acabem com 'tachos' e se ponham à frente das instituições desportivas (Liga, Federação e Clubes) pessoas com vontade de trabalhar em prol do futebol português. Espero que Pedro Proença possa ser pioneiro e pegue em bons exemplos para cumprir o que prometeu.

AQUI fica o artigo que aconselho e ao qual faço a minha vénia. É apenas um conjunto de 3 ideias e, como é óbvio, outras terão a mesma validade.

Comichões

Há coisas que me fazem 'comichão'.

Há 30 dias que o plantel de futebol do Sporting começou os treinos e apesar de notar nos Sportinguistas uma cada vez menor credibilização da comunicação social nacional, que muito contribui para a tão falada bipolaridade do adepto leonino, continuo a observar fenómenos difíceis de explicar.

Tudo é motivo de preocupação e comentário em grupos do facebook, blogs e afins.

Ou é o grau de exigência dos jogos particulares ou a quantidade dos mesmos.

Ou os defesas-centrais que são banais em apenas 45 minutos e numa semana de treinos.

Ou o Carrillo que não renova.

Ou o drama porque não temos alternativa ao William.

Ou...ou...ou...ou...

A lista de preocupações é interminável e, neste momento, dou comigo a pensar em todos esses exigentes e preocupados adeptos.

De tão participativos que são na internet, será que se preocupam em participar activamente na vida do Clube? Será que são sócios? Será que fazem o esforço possível para apoiar a equipa? Será que já pensaram que temos um treinador novo? Que os jogadores têm ainda de interiorizar o modelo de jogo? Que há jogadores que levam mais tempo que outros a estar em forma? Que o trabalho pode estar a ser bem feito e que os frutos não são imediatos?

É este tipo de atitude que faz com que um simples jogo possa ser o princípio ou o fim de tudo. O primeiro jogo deste ano decide um título. E parece-me importante que todos estejamos preparados para o vencer, cientes das possibilidades disso não acontecer.

Dia 9 é que conta e uma vitoria ou uma derrota, não tendo igual valor ou significado, não serão o princípio nem o fim de nada.

Dará para fazer um balanço lá para outubro, outro para janeiro mas o rescaldo só se fará em maio.

Acreditem em quem nos tem dado provas de competência e apoiem o Clube!

As guidelines para o plantel de JJ

Sou um leitor ocasional do blog Lateral Esquerdo. Hoje fiz uma visita e deparei-me com um post que poderá ajudar aqueles que gostam do exercício que é fazer o plantel e o 'onze' para esta temporada.

Publico-o aqui porque o Roberto Baggio é um 'estudioso' do futebol de Jorge Jesus e um confesso fã do nosso 'mister'. Para além disso é alguém a quem reconheço capacidade de análise do jogo e, por isso, merece crédito da minha parte.

Aqui vai:

"Jesus é um treinador fantástico, com um modelo de jogo especial, e com uma capacidade ímpar de transmitir o que idealiza aos seus jogadores. É um treinador talhado para o rendimento, e dando-lhe as condições que precisa triunfará. Como bom treinador que é, é fiel ao seu ideal de jogo e de jogador. E o seu ideal de jogo e de jogador está amplamente representado por Angel Di Maria.
 
Numa entrevista que deu num final de época disse duas coisas: 
- O melhor jogador que treinou é Aimar, já depois da saída do genial médio ofensivo do Benfica;
- Se pudesse escolher um jogador que já tinha treinado para voltar a ter na equipa escolheria Di Maria.
 
Isso indicia que no dia a dia, nas contratações, na escolhas para o seu onze inicial, o seu perfil de jogador mais facilmente entrará que outros. Isso, e isso só, explica o porquê de algumas opões que foi tendo ao longo do tempo no seu Benfica, com Capdevila, Nolito, Saviola, Aimar, Ola John, Djuricic, e Bernardo. Jesus, mais do que a inteligência, é um profundo admirador de jogadores dotados do ponto de vista físico e técnico. Talvez por acreditar que é capaz de melhorar todos os jogadores ao nível do conhecimento do jogo. E essa confiança cega que tem nas suas capacidades funciona como a sua maior força, e como a sua única fraqueza. Não é no discurso para a comunicação social, na liderança dentro do balneário, na leitura de jogo, ou na vertente estratégica que Jesus perde. É sobretudo no pensar que pode mudar um jogador por completo do ponto de vista ofensivo e defensivo, e na pouca valorização dos pormenores que os mais inteligentes, e menos vistosos nas capacidades condicionais, acrescentam ao jogo.
 
Jesus quer para qualquer posição em campo capacidades físicas ímpares. E tecnicamente, para quem joga nos corredores (laterais ou médios ala), para o médio centro, e para um dos avançados, jogadores de condução, que tenham a capacidade para transportar a bola em velocidade, para ultrapassar o adversário em acções individuais. Para que dessa forma permitam que a equipa chegue mais à frente no jogo, fruto dos constantes duelos que vão superando nas suas zonas de acção. A excepção são o médio defensivo - que desde que seja alto, agressivo na primeira bola, e razoável do ponto de vista técnico serve -,bem como o avançado que pode só procurar zonas de finalização, e ser jogador de um toque em apoio frontal. Até para os guarda-redes a altura é o primeiro factor determinante na escolha de Jesus. Tudo isto surge em oposição à escola da pausa - temporização -, da excelência no passe  e na recepção. Da qualidade na tomada de decisão, dos desequilíbrios com o cérebro. Jesus prefere gente que em determinados momentos tem um lance genial, que se precipita constantemente para cima do adversário, e que corra muito e rápido - ainda que passe a maior parte do jogo a errar na tomada de decisão -, a gente que jogue constantemente o que o jogo dá e que não seja vistosa do ponto de vista físico. A preferência cairá, na esmagadora maioria do tempo, em jogadores que criem em condução no lugar de jogadores que criem com o passe. 
 
Como escrevi num artigo anterior, para a posição 8 do seu modelo, Jesus colocaria Enzo à frente de Xavi. Assim como prefere Di Maria ao melhor jogador que treinou. Porque Di Maria do ponto de vista técnico e físico representa tudo o que ele quer num jogador, ainda que peque constantemente na utilização do cérebro."

A inteligência ao serviço do jogo

A opinião generalizada que se instalou no universo Sportinguista quanto à inutilidade de André Martins não tem em mim qualquer tipo de influência.

Já várias vezes aqui defendi a utilidade de André Martins no plantel do Sporting, com a particularidade de achar que lhe tem sido quase sempre destinada uma função que 'pede' um jogador com outras características.

E Paços de Ferreira jogou na sua posição e ocupou no campo espaços mais adequados às suas capacidades e inteligência.

Sim, em inteligência, Martins é o melhor dos médios do Sporting. Porque entende o jogo como ninguém e não 'faz por fazer'. Faz por dar a melhor sequência possível aos lances, resolvendo colectivamente os problemas e não individualmente.

Fá-lo por dois motivos: por que o rasgo individual não é o seu forte e porque, ao fim e ao cabo, o futebol é uma modalidade colectiva.

Ontem, o Roberto Baggio no blog "Lateral Esquerdo" voltou a abordar o tema André Martins.

Passo a transcrever:

"Um novo tipo de raciocínio é essencial para o futebol português sobreviver, e atingir patamares mais elevados. A frase adaptada foi dita por Albert Einstein há mais de cinquenta anos, mas não podia ser mais relevante do que o é hoje. E o novo tipo de pensamento passa por mudar completamente a forma como se olha para o jogo. Se antes se olhava para o jogo de uma perspectiva individual, onde a valia de um jogador podia ser medida em quantidade pelo resultado directo das suas acções individuais (sucesso-insucesso), hoje não se pode medir essa valia em quantidade porque as acções não têm um resultado imediato. Ou seja, as acções são qualitativas e o resultado só se vislumbra, normalmente, no final da jogada. Como é que se mede a presença de um jogador em campo, se não se percebe que um passe de primeira para trás, quando a bola não vinha em boas condições, e quando ele estava pressionado, permitiu a equipa não só manter a bola, como dar a possibilidade de atacar em melhores condições através de outros interpretes? Não se percebe, porque o que se quer é que a cada lance - ou na sua esmagadora maioria - o jogador resolva individualmente problemas que podem (devem) ser resolvidos colectivamente. E a chave de tudo é isto: o jogo é mais colectivo que nunca. Logo, a maior parte das acções são qualitativas e como tal não podem ser medidas em quantidade. Um passe nas condições citadas, nunca vai aparecer como lance chave ou como acção a destacar. Mas é deste tipo de acções, que não têm destaque, de que mais vive o melhor futebol - o futebol de hoje.
Olhando para o futebol como no passado, dirão que André Martins não arrisca. Ignorando tudo o que ele permite ao colega, aos colegas, à equipa, com a sua segurança. Olhando para o futebol como ele deve ser visto hoje, percebe-se que não arriscou porque o risco de perder a bola acarreta consequências piores do que jogar em segurança. E essa acção não se esgota no resultado dela mesma, mas sim em tudo o que pode dar no futuro: a possibilidade de um novo ataque em melhores condições do que se tivesse optado por uma acção de risco. A capacidade de perceber a importância de um passe para trás, e tudo aquilo que ele significa para o jogo, a capacidade de entender a situação de jogo (passe de recepção difícil, e ainda para mais com pressão a vir nas costas) e a solução encontrada pelo jogador, é o caminho para mudar o nosso futebol. A qualidade com que um jogador se relaciona com colegas - aquilo que lhes permite de cada vez que lhes entrega a bola, as soluções que lhes oferece sem bola - é o atributo mais importante do futebol actual, e é o talento mais necessário para se despontar no futebol moderno. E esse talento que ninguém consegue ver, esse talento que é de forma recorrente marginalizado pelo futebol pragmático de Portugal tem um nome: inteligência. E marginal o continuará a ser... Porém, de marginal a relevante vai um jogador como Busquets que um dia precisou de um treinador como Guardiola, ou um jogador como Guardiola que um dia precisou de um treinador como Cruyff."

Eu, não podia estar mais de acordo.

Não que eu goste especialmente do que é apelidado no texto como "o futebol de hoje". Não gosto. Demasiado táctico. Extremamente estratégico. Sem rasgo. Sem magia. Tudo parece um conjunto de acções mecânicas como se de uma produção em série se tratasse.

Mas, a verdade, é que a inteligência de André Martins cai que nem uma luva no tipo de futebol que hoje se pratica.

E sim, merece mais do que meros 15 minutos em campo.

 

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