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Grande Artista e Goleador

Benfica 1-1 SPORTING CP: A sorte não protege apenas os audazes

Foi com muita sorte que o Sporting saiu ontem do Estádio da Luz com um ponto. Porém, acaba por ficar um amargo de boca por não termos somado os três pontos. tal foi a forma como sobrevivemos 43 minutos do segundo tempo.

Não que o Benfica tenha dado um banho de bola mas, a verdade, é que nos sufocou durante toda a segunda parte.

Ainda assim, fica a mágoa de não termos retribuído a derrota de 2015/16, em jogos algo semelhantes.

 

A primeira parte foi repartida e equilibrada, tanto em domínio e controlo do jogo como em oportunidades de golo criadas.

Gelson abriu o marcador, após uma grande jogada pela esquerda, com Acuña, Bruno Fernandes e Coentrão como protagonistas.

Piccini voltou a mostrar (como tem demonstrado em todos os jogos) uma leitura de jogo perfeita e negou o empate a Jardel, em cima da linha de golo.

Marcos Acuña respondeu de fora da área, para uma grande defesa de Varela e Krovinovic ripostou com uma "bomba" à trave de Rui Patrício, num lance em que os encarnados reclamaram mão, num lance em que a bola vai claramente à cara de Fábio Coentrão.

A última grande oportunidade da primeira parte podia ter-nos levado para o intervalo com uma vantagem de dois golos mas, cara-a-cara com Varela, Gelson atirou por cima e enjeitou a possibilidade de bisar na Luz, algo que desde 2006 ninguém faz (Liédson foi o autor do último bis em casa do Benfica, numa vitória por 1-3).

Ao intervalo, a vantagem do Sporting não deixava de ser justa, por premiar a equipa mais eficaz, em 45 minutos divididos.

 

Não sei o que Jesus disse ao intervalo aos jogadores mas o segundo tempo nada teve de semelhante ao primeiro. Deu a ideia que, tal como na época 2015/16, pediu para defender e gerir o resultado. A (grande) diferença foi que o Sporting vão vencia por três golos ao intervalo mas sim pela margem mínima.

 

A segunda parte trouxe um Benfica mais dominador, mais até pelo domínio territorial que oferecemos ao rival do que por uma capacidade fenomenal do Benfica em recuperar bolas e partir para cima da nossa defesa.

O Sporting abdicava de atacar, oferecia literalmente a bola e remetia-se à defesa, confiando na fiabilidade do quinteto defensivo.

Battaglia fez um jogo péssimo e, aos 60 minutos, era já demasiado evidente (não que não se tivesse notado antes) que o meio-campo do Sporting não conseguia suster a pressão que se agudizava.

O primeiro calafrio da segunda parte vem precisamente ao minuto 60, quando um desvio de Coates quase faz auto-golo. A partir daqui, foram 30 minutos de sofrimento e de sinais claros que desafiavam a sorte.

Na sequência do canto, mais um remate desviado, desta vez por Piccini, quase leva a bola a trair Patrício. Este é o segundo lance que se reclamou penalti e mais um em que nada se verifica. A bola bate na barriga de Piccini mas, mesmo que tivesse ido ao braço, não há qualquer movimento suspeito de aumentar a volumetria do corpo (bem pelo contrário). Mais uma vez bem, tanto o árbitro como o vídeo-árbitro.

O Benfica continuava a não acertar na finalização e mesmo que os remates saíssem todos longe do alvo, o Sporting estava encostado às cordas, muito por culpa própria. Jesus não mexia mas, nesta altura (estávamos nos 66 minutos), se tivesse Palhinha no banco (o médio português foi preterido para a bancada), tenho a certeza que já teria alterado a configuração do meio-campo. Erro crasso, não levar um médio de características mais defensivas para o banco, num jogo em que se sabia que podíamos ter de sofrer para segurar uma vantagem.

 

O Benfica já actuava com dois avançados e o Sporting continuava sem alterar nada, limitando-se a despachar bolas e a defender nas imediações da sua área.

Ao minuto 74 surge o terceiro pedido de penalti na Luz. Este é o único dos três lances relatados até ao momento em que a bola toca efectivamente o braço de um jogador do Sporting mas convém não ignorar a interferência no lance de Raúl Jiménez. O mexicano empurra William Carvalho e é a acção do jogador encarnado que acaba por levar William a tocar a bola com o braço. Mais uma vez, concordo com a decisão da equipa de arbitragem, corroborada pelo vídeo-árbitro que, calculo, fez exactamente a mesma leitura que eu. 

Quinze minutos para o fim, Coates desvia mais uma bola, desta vez quase a "beijar" a barra, William já nem corre, Battaglia continua perdido e Acuña está de rastos. Jesus há muito que já devia ter mexido em algumas destas peças mas, na falta de um elemento válido, prefere deixar como está e acaba por esperar pelos 78 minutos para trocar Bruno César por Acuña. A substituição peca por tardia mas o maior problema mantém-se. O "miolo" não consegue fazer frente à avalanche encarnada, mesmo que esta se revele completamente anárquica, uma vez que também Rafa já estava em campo.

 

O Sporting não queria atacar, num momento em que o Benfica estava desprotegido na retaguarda, jogando com André Almeida a "trinco".

Vitória meteu em campo três homens de ataque e retirou do jogo um central e o médio defensivo. Mostrou coragem e boa leitura do jogo. João Carvalho, acabado de entrar, rematou com perigo a rasar a barra da baliza leonina.

A entrada de Bryan Ruiz (continuo sem perceber como passa de dispensado a uma das principais opções para sair do banco) para o lugar de Gelson (84') é a machadada final em qualquer ambição da nossa parte em "matar o jogo".

Restava sofrer até final, com os jogadores a reagirem como podiam às investidas consecutivas do adversário, que chegava à área sem qualquer dificuldade.

O lance que acaba por dar o empate ao Benfica é totalmente responsabilidade de Rodrigo Battaglia, que já nem devia estar em campo. É ele que deixa Piccini sozinho, frente a dois jogadores encarnados para depois cortar com a mão, no coração da área, um remate de Rafa que ia por cima da barra.

Nem rezar a São Patrício nos valeu. Faltavam os quatro minutos de compensação para o final do encontro, Jesus teve medo de mexer mais e o adversário estava galvanizado.

Jiménez ainda haveria de assustar, num remate acrobático e Coates ainda faria um corte providencial, no último minuto de descontos.

 

O jogo acabou, terminou o sofrimento e um jogo que podíamos ter vencido, mesmo que nem tenhamos merecido o empate. O resultado acaba, de facto, por ser melhor para nós do que para o Benfica mas fica a ideia clara que, com outra abordagem ao segundo tempo e outra intensidade e qualidade de alguns jogadores, poderíamos ter alcançado mais uma vitória sólida no terreno do eterno rival.

A sorte acabou por não durar sempre mas nem foi ela quem nos traiu mas sim um disparate autêntico de Rodrigo Battaglia, que não merece ser crucificado por isto mas deve fazer auto-critica. Já vimos muito melhor do argentino esta época.

 

Como pontos positivos, destaco a actuação do quarteto defensivo, com destaque paraPiccini (sobretudo ele) eCoates, que tiveram muito trabalho com a ala esquerda contrária e souberam quase sempre resolver bem, com a preciosa ajuda deGelson, que nunca negou apoio ao italiano e foi mesmo decisivo no jogo, tal com eu havia previsto ontem.

 

Bruno Fernandes e Bas Dost, que não teve uma única situação de finalização, fizeram o que puderam mas faltou-lhes outro acompanhamento, sobretudo da parte dos homens do meio-campo e de Acuña, que continua a ser um jogador algo inofensivo no ataque, talvez por se esgotar em demasia em outras tarefas, que fazem com que esteja quase sempre em esforço a partir da hora de jogo.

 

Contudo, saímos vivos e estamos na luta, apesar da vitória do Porto na Feira.

Segue-se o Marítimo em casa, antes do embate para a taça de Portugal, no terreno do Cova da Piedade.

 

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