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Grande Artista e Goleador

Estamos nas meias

É justo fazer uma referência histórica: em 7 presenças em campeonatos da Europa, esta é a 5ª vez que atingimos as meias-finais. Quatro delas neste novo milénio (2000, 2004, 2012 e 2016).

Não somos um país com a densidade populacional de outros mas temos uma qualidade ímpar no futebol. Ninguém na nossa condição apresenta esta consistência de resultados.

 

A verdade é que jogámos pouco. Mais uma vez fizemos uma exibição menos conseguida.

A Polónia revelou-se uma equipa mais fraca que a Croácia e só marcou um golo porque soube aproveitar um erro individual que resultou num desposicionamento geral de toda a linha defensiva. De resto, não conseguiram importunar Rui Patrício, tal como Portugal pouco importunou Fabianski.

 

Nunca uma equipa chegou às meias-finais sem vencer um jogo em 90 minutos e isso diz muito do nosso 'estilo'. É certo que temos valor individual para jogar melhor em termos colectivos mas não é menos verdade que, adoptado o estilo escolhido por Fernando Santos, não há volta a dar. Não é a meio de uma competição que se abdica da estratégia escolhida para ser bem sucedido, muito menos quando, mesmo que por vezes mal executada, esta resulta.

 

Dificilmente alguma equipa poderia almejar o sucesso jogando com dois avançados que são extremos e dois médios-centro adaptados a médios-ala e nós temos contrariado isso. E temo-lo conseguido sobretudo porque, faltando tudo o que já referi, há entreajuda, união, espírito de conquista e uma pontinha de sorte.

Tudo isto aliado a um conjunto de jogadores talentosos que, sabendo que não terão muito mais oportunidades para vencer um campeonato da Europa, estão dispostos a sacrificar-se em prol do colectivo. Sobretudo Nani e Cristiano Ronaldo, que têm sido inexcedíveis, cumprindo como podem funções que não são as suas, rendendo menos por esse motivo e mesmo assim tendo capacidade para ajudar o grupo com o seu talento. Quaresma, outro dos virtuosos, também tem sabido colocar-se ao dispor, em prol de um bem comum, que pode fazer desta geração a mais bem sucedida de sempre do futebol português.

 

João Mário não tem mostrado o jogador que é (foi frente à Hungria, com funções próximas das que habitualmente desempenha que melhor se mostrou) e é mais um que, defensivamente, tem cumprido com aquilo que são os equilíbrios do meio-campo. Meio-campo onde se têm destacado William e Adrien (e que falta fará William no próximo jogo).

 

Depois, a surpresa que é ter Renato Sanches, um box-to-box, como o maior agitador do nosso jogo. Uma estranha 'forma de vida' que lhe dá nesta estratégia um protagonismo que não teria com um modelo de jogo mais ofensivo e de ataque organizado e continuado. Quando se esperava que os momentos de maior imprevisibilidade surgissem dos pés de Ronaldo e Nani, é Renato que aparece a desequilibrar as defensivas contrárias. Erra muito (sobretudo no passe, porque arrisca demais), mas insiste. Tem algo que só os bons têm: persistência e confiança. Mas tem de melhorar muito a sua prestação defensiva se quer cumprir o que promete. São inúmeras as vezes que se abstém de defender, colocando colegas em dificuldades, obrigados a defender em inferioridade numérica. Marcou um bom golo, numa acção em que é competente, mas onde todas as posições perecem trocadas. Um movimento tão natural em Nani e Ronaldo, tem de ser efectuado pelo Renato apenas porque não temos um ponta-de-lança em França (o Éder não conta).

 

Depois, Pepe. Está a fazer um Europeu de grande nível, sobretudo nesta fase a eliminar. Melhorou muito o seu posicionamento com a presença de José Fonte, que me parece domesticar melhor a impulsividade do luso-brasileiro. Ontem foi imperial e o melhor em campo, a léguas de todos os outros.

 

Há outra coisa que tenho de referir. Por mais incrível que pareça a estratégia de Fernando Santos, denotando ambição desmedida com tão fracos argumentos tecnico-tácticos, os jogadores parecem começar a acreditar verdadeiramente que podem ser bem sucedidos desta forma. E este é o nosso maior trunfo neste momento. Jogadores de topo mundial acreditam que podem ter sucesso jogando como underdog e estão dispostos a passar despercebidos para fazer de Portugal campeão europeu.

 

Por fim, a frieza. A frieza e a qualidade de todos quantos converteram em golo a sua grande penalidade e de Rui Patrício, que fez aquilo que tantas vezes o vemos fazer no Sporting. Defendeu um dos penaltis e eu gritei: "RUUUUUUUUUUUUI". Aposto que muitos de vós também. A verdade é que a defesa de Rui Patrício é impressionante e não mereceu o destaque que lhe devia ter sido dado.

 

 

Estamos nas meias e, citando o nosso Cristiano Ronaldo, "agora tudo é possível".

 

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01-07-1906

Há anos, a data não me dizia nada. Aprendi a amar o Sporting como qualquer criança, sem prestar atenção ao detalhe, sem viver esta paixão no dia a dia, que por vezes nos consome.

 

O Sporting era vivido todos os dias, com uma bola nos pés, imitando aqueles que uma ou duas vezes por semana faziam na TV aquilo que eu sonhava fazer um dia.

 

Era viver longe, sem as vivências do estádio, com equipamentos feitos em casa, posters colados no quarto e relatos feitos na rua, muitas vezes jogando sozinho. Marcando sempre que o Sporting tinha a bola e fazendo o pior possível sempre que era o 'adversário' que a conduzia.

 

Um amor alimentado pela força do Oceano, a técnica do Balakov e a frieza do Cadete. Ídolos do passado que se acumulariam com o passar dos anos. Um presente já lingínquo que se alimentava do passado, vivido nas leituras de um livro com a história do Sporting, gasto de tantas vezes lido.

 

Um amor que cresceu num vazio de títulos, numa terra de rivais. Onde poucos eram do Sporting e onde quase nenhuns entendiam o porquê de eu o ser.

 

Nasce-se Sportinguista. Ajudou ter um pai e um avô que me souberam mostrar a força de um leão, que me disseram que este nunca desiste e está sempre pronto para se levantar outra vez. Mas só com o 'berço' se explica um amor que nasce e cresce no meio do insucesso repetido, do desespero e da tristeza a cada título perdido.

 

Só um amor inigualável explica a esperança renovada a cada nova época. Cada jogo vivido com a mesma intensidade, independentemente da classificação e das hipóteses de sucesso.

 

As alegrias, também as vivi. Não tinha, infelizmente, a maturidade para as entender, viver e encaixar como aquilo que representaram. Uma noite colado à TV a ver a festa que eu nunca fiz. Um mar verde e branco de norte a sul de Portugal que impressionou mesmo que vivido à distância.

 

Hoje este amor é diferente, á prova de tudo, consciente. Algo que só a maturidade e a experiência ajudam a vivenciar.

 

Hoje, meu amor, passados todos estes anos, as esperanças continuam a renovar-se a cada ano, com a certeza que os melhores momentos da tua história ainda estão para vir e que eu estarei cá para os viver.

 

Parabéns, meu amor! Parabéns, Sporting! E obrigado por tudo!

 

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