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Grande Artista e Goleador

2015/16: O Balanço

Ainda me é difícil fazer um resumo desta época. Não porque me faltem as palavras mas sim a vontade.

Não apetece fechar para balanço uma época de tão bom futebol...não enquanto não fôssemos nós os justos vencedores.

Como diz o Rui Veloso: "O prometido é devido". Jorge Jesus não falhou na promessa, mesmo não tendo cumprido o desejo.

Lutámos até ao fim como prometido, mas morremos na praia.

 

Nada naqueles primeiros meses da época faria prever este desfecho. Pelo menos para a maioria dos adeptos do Sporting, que sempre viram no Porto o principal rival, tendo em conta o desnorte dos encarnados neste início de temporada.

Eu sempre soube que era com eles que discutiríamos o título, sobretudo pelo seu poder fora das quatro linhas.

 

Dentro, no futebol jogado, fomos sempre superiores e depois de ultrapassada aquela fase inicial da época em que se venceu de forma sofrida, a lembrar outras épocas, depressa vimos a equipa 'carburar' e entrar em velocidade de cruzeiro.

Acabámos plenos que qualidade, talento individual, capacidade colectiva e exuberância. Eles acabaram como nós começámos, a vencer de forma quase sempre sofrível.

 

A verdade é que a nossa pontuação daria para vencer todos os campeonatos disputados a 18 equipas desde que a vitória vale 3 pontos e isso diz tudo da regularidade da nossa época. Não é menos verdade que o jogo fora do jogo nos impediu de ir mais longe, assim como é também verdade que mesmo com isso podíamos ter sido felizes.

Fomos tão melhores que parece impossível como é que uma equipa que faz 21 pontos em 24 possíveis com as equipas do top 5 da Liga não foi campeã.

 

Claro que os deslizes com o Rio Ave em casa e sobretudo em Guimarães podiam ter sido evitados e bastava marcar uma das oportunidades na Cidade Berço para estarmos nós em festa. Mas...quem nos garante que as arbitragens não nos teriam prejudicado ainda mais, caso fosse necessário?! Pois...

Recuso-me a apontar a nossa incompetência como principal factor de insucesso. E faço-o porque só perdemos pontos em 7 jogos e apenas em 3 desses 7 não há decisões graves das equipas de arbitragem que nos prejudicam.

Equilibrem lá os pratos da balança e depois falamos. Este campeonato decidiu-se por dois pontos. Com as novas tecnologias, talvez o campeão fosse outro.

 

Não posso deixar de destacar aquele que foi, para mim, o nosso maior erro. Jorge Jesus menosprezou o adversário e, com isso, deu-lhe força e união fundamentais para ultrapassar barreiras que numa equipa inicialmente à deriva, vazia de liderança, com falta de estratégia e errática tácticamente, pareciam impossíveis de ultrapassar. Quando esta semana Jesus se refere à cópia do seu modelo, acredito que se refira especificamente ao aporte que os membros da sua antiga equipa técnica deram a Rui Vitória que, mérito lhe reconheço, assumiu a sua imcompetência e aceitou ajuda. Acredito que a mudança táctica e estratégica tenha tido mão fundamental da estrutura técnica que Jesus deixou na Luz e foi essa a chave da recuperação. Tudo isto aliado à impunidade das suas acções em campo, protegidas pelas arbitragens, cirurgicamente controladas por Vítor Pereira, constituiu a fórmula perfeita para fazer do Benfica de Rui Vitória um verdadeiro campeão.

 

Ganhámos apenas a Supertaça e, numa época em que jogámos tão bom futebol, isso não é satisfatório.

A eliminação (leia-se ROUBO) no playoff da Champions impediu-nos de fazer uma campanha europeia mais interessante e mesmo achando que podíamos e devíamos ter feito mais na Liga Europa, acabo por entender a gestão feita na prova da UEFA. Os jogos à 5ª feira dificultam imenso a recuperação e preparação dos jogos do fim-de-semana e é por isto que a presença na Champions poderia ter marcado positivamente a nossa época europeia. Jogaríamos sempre nas mesmas circunstâncias que os rivais, algo que nunca aconteceu. Assim, fomos humilhados na Albânia e hipotecámos a passagem em 1º no grupo, factor decisivo para evitar o sorteio adverso que se veio a verificar e acabou por castrar as nossas melhores ambições na prova.

Na Taça de Portugal não fomos mais longe porque não nos deixaram. Não deve haver neste país alguém que tenha coragem de elogiar o grande jogo em Braga sem se lembrar dos casos graves de arbitragem em nosso prejuízo.

Em suma, foi uma boa época, mesmo tendo falhado a maior parte dos objectivos. Ganhámos um título, disputámos outro até final e apenas a campanha europeia deixou claramente a desejar.

 

É impossível e até desonesto não notar as melhorias nestes 3 anos. Depois de reposta a dignidade, foi-nos devolvido o orgulho. Reposto o orgulho, regressámos aos títulos. Regressados aos títulos, somos finalmente um real candidato à maior competição nacional, que não vencemos por mera injustiça, infelicidade e canalhice.

O futuro será risonho e para o ano, acredito que voltaremos a estar na luta que duvido que não seja a três e até final. Espero que sejamos nós a ser felizes. Já merecemos...

 

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