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Grande Artista e Goleador

Um mês de reflexão

Começando na remodelação do plantel principal de futebol, passando pela alteração do comando técnico no andebol e terminando nas saídas de ontem, de João de Deus na equipa B e de José Trindade, no comando da secção de hóquei em patins, tivemos neste início de ano um período de análise interna.

 

Parece-me óbvio que esta inflexão é o assumir do falhanço dos projectos em três das principais modalidades e, porque não, um sinal de uma certa tentativa de mostrar, em período pré-eleitoral, que não se anda a "dormir" em Alvalade e se está atento àquilo que tem corrido bem e menos bem.

Quando falo em falhanço, não o considero na totalidade. Concordo com o investimento feito nas diversas modalidades, em todos os casos dotando as equipas de grandes executantes mas o falhanço numa das pedras base de cada projecto é, por vezes, o suficiente para que jogadores de inegável qualidade não consigam suplantar expectativas e obter os resultados desejados.

 

O futebol foi vítima de uma época mal preparada e sobretudo de uma política de contratações totalmente falhada. Não se reforçaram posições prioritárias e falharam a maioria dos reforços, não correspondendo ao aumento de qualidade que o aumento do investimento fazia prever. Aguardo pela política de contratações do próximo verão e pela preparação da próxima época para tirar conclusões definitivas sobre o caminho a seguir daqui para a frente.

 

O andebol, embora estruturalmente não tenha sido alvo de mudanças profundas nos últimos anos, apostou num treinador caro e com currículo, que não justificou minimamente a aposta, chegando mesmo ao cúmulo de, com um orçamento substancialmente superior e jogadores com grande currículo internacional não conseguir elevar o projecto para outros patamares. Falhámos na escolha do treinador e teremos agora de corrigir isso. Se o Professor Hugo Canela, que tem aqui uma oportunidade de ouro mas, ao mesmo tempo, um presente envenenado, se mostrar competente, pode mesmo estar encontrada a solução mas confesso que o nome de Carlos Resende me agrada. Há três títulos para vencer e só um deles (o mais importante, eu sei) parece verdadeiramente difícil, embora a diferença pontual não seja irrecuperável. Boa sorte ao Hugo Canela e à sua equipa técnica!

 

No hóquei, parece-me que José Trindade é vítima óbvia do erro colossal de secretaria que nos tirou três pontos após um jogo ganho. Acertou-se no treinador, deu-se-lhe um plantel equilibrado e de qualidade, mas parece faltar algo na estrutura, onde agora se mexe, ainda sem saber o que o futuro nos reserva. Será que Gilberto Borges, depois de ter perdido poder na estrutura, volta a assumir a sua direcção?

 

O problema da equipa B é mais complexo e tem várias motivações, desde logo as limitações impostas pelas dificuldades em formar um plantel de futuro e com qualidade, tendo em conta que os mais dotados das épocas anteriores precisavam de respirar um ar diferente do da Academia e que a própria Academia não tinha conseguido trazer ao mais alto patamar de formação uma quantidade suficiente de jogadores com qualidade e capacidade para enfrentar o salto para o profissionalismo. Isto, aliado a apostas completamente falhadas no mercado de verão, deram a João de Deus um plantel totalmente novo, frágil, fraco e, desde o início, sem a química que só uma base da nossa formação lhe dá. Não desresponsabilizo João de Deus, que podia ter feito melhor, mas entendo que era uma tarefa muito complicada e acabo por compreender a sua saída, tendo em conta que não estava a conseguir lidar da melhor forma com o problema. Com tudo isto, acho essencial que agradeçamos a João de Deus (eu agradeço), pois acho que foi peça fundamental na subida ao mais alto patamar de jogadores como Gelson Martins, ou os mais recentemente promovidos, Podence, Palhinha e Francisco Geraldes.

Para salvar esta época e manter a esperança no projecto, que acredito que ganhará nova vida com as gerações que aí vêm da equipa de juniores, acho que até seria benéfico fazer alinhar já pela equipa B a maior parte daqueles que acabarão por fazer parte do plantel em 2017/18, mesmo sabendo que isso poderá pôr em risco o sucesso desportivo da equipa de Tiago Fernandes. É mais importante salvar a B da descida do que vencer um campeonato de juniores.

 

Como é óbvio, escapa o futsal, que mantém todos os objectivos intactos (excepto a Supertaça, perdida para o principal rival) e uma estrutura forte, sólida e ganhadora e se mantém um exemplo a seguir em todas as estruturas do Clube.

 

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