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Grande Artista e Goleador

Daniel Bragança em entrevista

Daniel Bragança é um dos capitães dos juniores do Sporting e acabou de juntar o título nacional do escalão ao de juvenis. Em entrevista ao Jornal do Clube, o médio, que tem na criatividade uma das suas armas, defendeu que o jogador que alinhe ao seu lado não precisa de ter características distintas.

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JORNAL SPORTING – Juvenis ou juniores, qual o título que teve um sabor mais especial? 
DANIEL BRAGANÇA
– Foram os dois. Ser campeão é sempre um grande objectivo e conquistar o título, seja em que escalão for, é incrível. Cada um tem um significado diferente, mas a felicidade é a mesma.

Foste campeão pelo Sporting em dois anos consecutivos e dois escalões diferentes. Qual é o sentimento? 
É algo que me deixa muito orgulhoso. É uma recompensa do trabalho que realizámos nestes dois anos de trabalho. É merecido e nunca vou esquecer.

Se tivesses de escolher o momento mais difícil desta época, qual seria? 
[Suspiro] A eliminação na Youth League. Foi definitivamente a altura mais difícil da temporada para nós. Tínhamos qualidade para ir mais longe e termos consciência disso deixou-nos um bocado abalados.

Foi teu primeiro ano como júnior, além do campeonato tiveste a oportunidade de participar na Youth League. Foi importante para o teu crescimento?
Foi uma experiência muito positiva, apesar da eliminação precoce. Como equipa, evoluímos bastante e individualmente não tenho dúvidas de que todos os jogadores cresceram. Nós gostamos é de jogar e por isso ficámos muito felizes por ter a oportunidade de ter jogos a meio da semana e ao fim-de-semana.

O nível de dificuldade que encontram nessa competição é totalmente distinto do que têm a nível nacional? 
A nível competitivo é uma diferença enorme. Tivemos pela frente equipas de grande qualidade, de países diferentes e que por isso tinham estilos de jogo completamente diferentes.

A nível individual, és um jogador que lê bem o jogo e é dotado tecnicamente. Consideras que a vertente física é um aspecto em que tens de melhorar?
Sei que esse é um capítulo no qual tenho de evoluir muito e estou a trabalhar para o fazer. Claro que também ainda tenho de melhorar em outros aspectos, mas esse é sem dúvida o principal.

Concordas que cada vez mais o lado psicológico do jogador é fundamental para conseguir ter um bom desempenho em campo?
Não só em mim, mas em qualquer jogador. Quando entramos em campo, precisamos de confiar em nós próprios, caso contrário as coisas vão estar mais perto de correr mal do que bem. É fundamental ter a confiança no máximo.

Podes jogar mais recuado no terreno, como mais perto da zona de decisão. Achas que esta polivalência é um factor cada vez mais determinante no futebol actual?
Para nós, que ainda estamos nos escalões de formação, é algo essencial para o nosso crescimento. Temos de estar sempre aptos para jogar onde o 'mister' quiser e é para isso que trabalhamos diariamente.

Achas que esta polivalência também te pode prejudicar de certa forma, já que não crias rotinas fixas numa posição?
Sinceramente, não vejo nenhum aspecto negativo no facto de um jogador estar apto a jogar em várias posições e sempre com um bom rendimento. Jogar em mais do que um lugar ajuda-nos a perceber todos os momentos de jogo de uma forma diferente do que faríamos caso estivéssemos apenas cingidos a uma.

Quais são as características que o teu colega de meio-campo deve ter para te complementar?
Sou da opinião que não é obrigatório que o colega de posição me complemente. O que é preciso é que os dois estejam sempre em sintonia e saibam ler muito bem o jogo.

Quais é que achas que são os aspectos essenciais que um jogador na tua posição deve ter?
É preciso ter muita inteligência, tanto com bola como sem, criatividade e compleição física também é importante. Enfim, acho que estes são os principais.

Que jogadores são os teus exemplos a seguir?
Gosto muito do Pogba, do Modric, mas acima de tudo do Iniesta e do Busquets. São jogadores que aprecio e que vejo para aprender. No plantel do Sporting, revejo-me no William e no Adrien em certas características.

Tens algum jogador que, como já está há algum tempo no Clube, já achasses que podem atingir o nível do plantel principal?
O 'Chico' Geraldes e o Daniel Podence. Sempre demonstraram uma enorme qualidade e que tinham um talento especial nos escalões de formação.

 

Fonte: Jornal Sporting

 

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Excelente e esclarecedora entrevista a Bacelar Gouveia

O constitucionalista quebra o silêncio e explica as razões que o levaram a não continuar como presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting. Entre elogios a Bruno de Carvalho, fala da polémica auditoria e do ambiente "pidesco" que lhe criaram em Alvalade.

 

Como se dá a sua presença na lista de Bruno de Carvalho em 2013? De quem partiu o convite?

O convite partiu do Dr. Bruno de Carvalho, que eu conhecia mal, mas passei a conhecer muito bem no exercício do mandato que agora terminou. Julgo que reuniu consigo um conjunto de pessoas de muito valor e fez uma excelente equipa nos vários órgãos sociais. E devo dizer, tendo terminado funções, e tendo aceite o convite há quatro anos, que estou hoje muito orgulhoso: eu lembro-me nessa altura que muitas pessoas achavam que o Dr. Bruno de Carvalho era o "Vale e Azevedo" do Sporting. E não eram muitos aqueles que o apoiavam. Eu sempre acreditei nele desde a primeira hora. E não imagina as dezenas de telefonemas de pessoas amigas - uns sportinguistas, outros nem tanto - muito admiradas e até indignadas por eu ter aceite o convite que ele me dirigiu para encabeçar o Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD). Hoje, ao fim de quatro anos, posso dizer que foi uma boa decisão e os bons resultados estão à vista.

Entre essas pessoas, há alguém com maior peso no universo do Sporting?
Estão pessoas que foram antigos dirigentes do Sporting.

Está a falar de ex-presidentes?
Um deles foi presidente, mas não revelo de que órgão e de que mandato.

Por que não continuou para este mandato? Bruno de Carvalho falou em razões de ordem profissional, mas o senhor nunca deu esse motivo quando anunciou que não se iria recandidatar...

Em primeiro lugar, eu acho que estes cargos não devem ser renovação eterna. Quando aceitei o convite, o meu prazo estabelecido era de quatro anos e foram quatro anos muito duros. O CFD a que presidi foi o que mais vezes reuniu na história do clube, foram 44 reuniões e participando ativamente em sub-comissões. Houve um trabalho muito intenso, de acompanhamento das contas, da auditoria, da restruturação e depois também tivemos os processos disciplinares, que foram vários. Sinceramente, a certa altura comecei a ficar um pouco saturado e cansado de uma atividade muito intensa. Entretanto, aumentaram as solicitações profissionais para ir países de língua portuguesa. Ainda na semana passada estive em Maputo e Beira e na próxima semana estarei em Luanda. Esses afazeres levaram-me gradualmente a tomar a decisão de não me recandidatar à presidência do CFD.

Mas teve alguma coisa a ver, por exemplo, com o facto de ter uma ligação estreita, no âmbito da sua atividade como docente, com um dos comentadores do Benfica, que tem motivado mais críticas por parte do Sporting. Refiro-me a André Ventura.

Na verdade, conheço bem esse comentador e foi um dos melhores alunos da Nova Direito, sendo professor da Universidade Autónoma, onde eu também sou professor. Essa "ligação estreita", como diz, foi objeto de intervenções que não me agradaram porque, a partir de certa altura, ia recebendo comentários e inquirições de dirigentes intermédios do Sporting questionando o grau de proximidade que tinha com esse comentador, ao que eu respondia sempre com a verdade das coisas, mas sentia que essas perguntas tinham, na sua essência, uma suspeita inadmissível quanto à minha lealdade e ao meu sportinguismo. E, a partir desse momento, comecei a encarar a minha continuidade no CFD de outra maneira.

Quando começou a perceber que havia suspeitas que não eram compatíveis com a função?

Isso começou a partir de setembro, outubro, em que várias pessoas, num ambiente "pidesco" desagradável, me questionaram...

Bruno de Carvalho?

Não, nunca me abordou esse tema. Estou a falar de dirigentes intermédios, que me perguntavam, em tom "pidesco", o que é que eu tinha com esse comentador. Até logo me recordei, a esse propósito, que o presidente da Assembleia Geral é amigo de Luís Filipe Vieira. Costuma jantar ou almoçar com ele... bem, talvez agora já não possa... Aqui tem de haver bom senso e o mínimo de respeito. Uma coisa são as nossas relações académicas, profissionais e privadas, outra coisa são as nossas relações institucionais e de lealdade. Portanto, a partir do momento em que essas pessoas, agindo por conta própria ou não...

Mas acha que isso refletia o pensamento do presidente?

Nunca lhe perguntei. Ele a mim sempre me disse que o nosso trabalho tinha sido fantástico e tínhamos três listas no CFD. Para grande alegria minha, todos os meus colegas até me ofereceram um jantar de despedida, que não foi meramente protocolar. O Dr. Bruno de Carvalho num outro jantar confidenciou-me que o nosso trabalho tinha sido fantástico, ao que eu lhe comuniquei que nestas coisas de dúvidas sobre lealdade, temos de ser intransigentes.

Então a principal razão da sua saída deve-se ao facto de sentir que duvidavam da sua lealdade?

Não, não é a principal, mas contribuiu. Esse ambiente foi muito desagradável e eu não podia tolerar isso. Não podia continuar com a minha lealdade sob suspeita. O Dr. Bruno de Carvalho não se revia nessa suspeita, disse-me que não tinha a mínima dúvida sobre a minha lealdade, mas eu disse-lhe que essa suspeita era um dos fatores que me levava a não querer continuar. Não era aquilo que o presidente queria, mas esse ambiente instalou-se nalguns dirigentes intermédios.

Uma das bandeiras da campanha de há quatro anos do atual presidente do Sporting foi a auditoria às contas da SAD do Sporting entre 1995 e 2013. De quem foi essa ideia e como é que o senhor, na qualidade de presidente do CFD, a encarou?

Essa era uma ideia antiga do Dr. Bruno de Carvalho porque já a tinha apresentado em 2011 quando não ganhou. E voltou à carga (e muito bem). A definição da ideia de auditoria era em relação ao passado, para o período em que o Sporting passou a ter um novo conceito empresarial, ou seja, nos últimos 19 anos. Eis uma das coisas boas dos mandatos cessantes porque a auditoria foi cumprida. Mas a auditoria não foi feita pelo CFD, foi encomendada pelo Conselho Diretivo (CD), órgão que tem competência para fazer esse pedido, ainda que evidentemente o CFD tivesse tido uma intervenção muito relevante em vários momentos. Em primeiro lugar, para definir as cláusulas do caderno de encargos, para se saber o que os auditores iam perguntar, o tipo de documentos a obter, a parte patrimonial abrangida. Era uma coisa mais ampla, para se saber se os procedimentos nestes 19 anos eram corretos, se a gestão tinha sido boa ou má. Ajudámos também na escolha das empresas candidatas, algumas recusaram. O CD acabou por escolher uma empresa, com o nosso parecer favorável, mais uma sociedade de advogados. Creio que o valor final foi de 300 mil euros, era uma coisa muito cara. Depois, o CFD fez o acompanhamento durante a processo, houve alguma derrapagem temporal, até alguns sócios ficaram um pouco irritados e nas Assembleias Gerais culpavam o CFD quando, na verdade, tudo era da responsabilidade do dos auditores, sendo natural que se atrasasse. Nem imagina as dificuldades que encontrámos: desde contratos que não apareciam, outros fechados numa célebre cave, documentos que nem existiam, um conjunto de surpresas que ninguém esperava. Nós, CFD, não fazíamos parte da equipa, mas tínhamos membros que reuniam periodicamente com os auditores e com o CD.

Era uma auditoria necessária no seu entender?

Era e por dois motivos. Por um lado, para apurar responsabilidades e em Portugal é normal a "culpa morrer solteira". Era importante saber se havia responsabilidades, elas tinham que ser apuradas e eventualmente punidas. Por outro lado, para pensarmos no futuro e fazermos um luto sobre as coisas erradas do passado. Os sócios há muito que pediam esse esclarecimento.

O que é que se suspeitava? De fraude, de uso indevido de dinheiros do clube, de gestão danosa?

De tudo. Numa auditoria, estamos prontos para encontrar tudo aquilo que disse... até responsabilidades criminais. Mas sobretudo aquilo que nos surpreendeu foi haver processos de deliberação que não estavam de acordo com os estatutos. Por exemplo, venda de bens sem pareceres favoráveis do CFD ou venda de património sem o número mínimo de assinaturas que os estatutos exigiam ou transações que não tinham sido autorizadas pela Assembleia Geral. Não vou dar pormenores concretos.

Isso era muito importante clarificar até porque a grande venda de património não desportivo do Sporting deu-se no consulado Filipe Soares Franco...

Sim, sim é verdade. Mas a questão não era só de haver processos deliberativos irregulares, como também se colocavam questões importantes do ponto de vista do valor por que os bens foram vendidos...

Foi, então, importante a auditoria

Muito importante. O Dr. Bruno de Carvalho prometeu e cumpriu. Aliás, ele fez tudo aquilo que prometeu fazer. Deste ponto de vista, é um goleador 100% certeiro!

Durante esse longo processo, almoçou com Godinho Lopes, que mais tarde referiu que o senhor tinha criticado Bruno de Carvalho. O senhor negou e depois houve ameaças de processos de parte a parte... como está essa situação?

Exerci as funções de presidente do CFD do Sporting com muito gosto e honra e saí destas funções que exerci gratuitamente com a seguinte "herança": uma ação cível que o eng. Godinho Lopes intentou contra mim, pessoalmente, e também contra as pessoas do Dr. Bruno de Carvalho e do comandante Jaime Marta Soares, no valor de 500.000 euros. O que tenho de ligação ao Sporting, para além de ser sócio, é essa ação, que é totalmente disparatada e injusta, além de ter recusado que o Sporting me pagasse as despesas com a minha defesa em tribunal, que ficaram por minha conta, dado que esta foi uma ação movida contra mim, a título pessoal, e não na qualidade de então Presidente do CFD. O eng. Godinho Lopes nunca chegou a perceber o problema porque ele foi objeto de um processo disciplinar devidamente instruído por um jurista externo ao Sporting. Foi elaborada uma nota de culpa de 70 páginas, imputando-lhe um conjunto de factos. Enviámos essa nota de culpa e o eng. Godinho Lopes respondeu em duas folhas a dizer que não percebia a nota de culpa. Aplicámos a sanção de expulsão por seis votos e uma abstenção. Ele teve uma segunda oportunidade para se defender recorrendo para a Assembleia Geral no prazo de dois meses e não o fez e teve ainda uma terceira oportunidade de se livrar dessa condenação, que era ir para os tribunais e também não o fez. Foi para os tribunais fazer outra coisa, não foi para revogar a expulsão. Foi para intentar a tal ação disparatada. Não tive nenhum prazer em expulsar o eng. Godinho Lopes, mas era um dever moral perante as irregularidades que encontrámos. Em relação ao almoço, ele existiu, marcado por ele através de um amigo comum, durante o qual abordou dois assuntos e eu posso dizer que não conhecia o eng. Godinho Lopes de lado nenhum...

Não o conhecia?

Nunca o tinha visto pessoalmente, mas agora também não tenho interesse nenhum em voltar a ver... Retomando, fui apanhado de surpresa porque, afinal, ele queria era livrar-se do processo disciplinar e que lhe pagassem 750 mil euros que teria emprestado ao clube. Em relação ao processo, disse que o processo estava a decorrer e que teria a oportunidade de se defender, mas pelos vistos não havia nada para se defender porque era tudo verdade. E o segundo assunto, comuniquei ao Dr. Carlos Vieira, vice-presidente para a área financeira. Penso que há um litígio judicial sobre esse assunto.

O Sporting muito recentemente chegou a pedir a José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, em conjunto, qualquer coisa como 70 milhões de euros. Mas aos anteriores presidentes isso não aconteceu. Pelo menos ainda...

No âmbito da auditoria, foram encontradas diversas irregularidades e, de facto, através daquela comissão, depois de o relatório estar feito, ouviram-se os antigos presidentes, dando-lhes conhecimento prévio de todos os relatórios, para que pudessem ter uma reunião connosco e prestar esclarecimentos. Uns aceitaram, outros não.

Como o Dr. Dias da Cunha...

Sim, sim. Mas essas reuniões foram importantes: no caso do Dr. Bettencourt, permitiu que se fizesse uma correção de um erro dos auditores devido à data de conclusão de um mandato. E muito bem o Dr. Bruno de Carvalho pediu em tribunal a correção e a redução dessa ação.

Isso é posterior à entrada da ação que pedia, em conjunto, 70 milhões de euros a Godinho Lopes e José Eduardo Bettencourt?

No princípio, o CD entendeu que se havia um conjunto de atos danosos e desastrosos para o ativo do Sporting, isso corresponderia a uma gestão que não é boa, que é má. Quem faz deliberadamente atos de gestão que conduzem ao aumento progressivo do passivo de uma empresa, não se pode dizer que tal gerente seja bom ou "amigo da empresa" porque esse gerente vai levar a empresa para o buraco. Como isso foi uma coisa continuada ao longo de vários mandatos, foi-se sempre agravando até ao clímax atingido no mandato do eng. Godinho Lopes, o CD entendeu que devia intentar essas ações de responsabilidade cível de administradores e a Assembleia Geral deu luz verde.

As únicas ações intentadas em tribunal foram contra José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes?

Há dois grupos de ações. Há umas primeiras quatro ações e depois um segundo grupo de ações numa segunda fase. Mas há questões jurídicas complicadas, como o prazo de prescrição, não havendo acordo dos juristas quanto a esse prazo... vamos aguardar o que os tribunais decidirem. Posso dizer que nós, CFD, não fomos consultados sobre essas ações, foram intentadas sem conhecimento prévio do CFD.

Isso é normal?

Faz parte do modo de ver o exercício da função do CD, mas penso que seria elegante antes de uma ação dessa envergadura ser intentada que, pelo menos, o presidente do CFD tivesse sido ouvido sobre o assunto, até porque, sendo advogado e professor catedrático de Direito, talvez pudesse dar alguma ajuda. Mas não foi...

Isso é uma pedra no sapato na sua relação com o presidente do Sporting?

Não, nós temos uma boa relação. Devo mesmo dizer que o Dr. Bruno de Carvalho me surpreendeu pela positiva. Nunca acreditei que ele fosse o "Vale e Azevedo" do Sporting e revelou-se um grande líder, com muita energia e capacidade de estratégia, salvou o clube logo quando tomou posse. Lembro-me de um episódio em que eu estava em Varsóvia e ele ligou-me a dizer que ia fazer uma conferência de imprensa para anunciar a rutura das negociações com os bancos na altura da restruturação. Ainda bem que ele conseguiu reverter isso e o Sporting deve-lhe a sua salvação financeira. Ele devolveu a dignidade aos sportinguistas. Isso não significa que tudo tenha sido perfeito no relacionamento do Dr. Bruno de Carvalho com o CFD e comigo em particular.

Houve mais episódios de desconforto?

Houve sim. O primeiro foi logo ao princípio quando o Dr. Bruno de Carvalho desejou apresentar aos sócios as contas consolidadas do clube. E ele pediu aos membros do CFD um termo de confidencialidade para terem acesso às contas da SAD no âmbito da restruturação financeira. Houve alguns membros do CFD que não assinaram e eu achava que não tinha de assinar porque, tendo sido eleito, a minha legitimidade democrática direta dispensaria qualquer tipo de assinatura. E eu estou à vontade nestes procedimentos porque já fiscalizei segredos bem mais importantes - quando fui eleito pela Assembleia da República presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informação da República Portuguesa - e nunca assinei qualquer documento de confidencialidade para ter acesso a segredos de Estado. Não era no Sporting que ia assinar...

Então, não assinou?

Acabei por assinar porque considerei que se não o fizesse iria gerar uma perturbação muito grande e estávamos no início do mandato. Por uma questão de paz interna, pensei que devia assinar e assinei. Já mais tarde, outro episódio que não correu muito bem foi uma tentativa - felizmente frustrada - de fazer uma alteração estatutária (e da qual o CFD só teve conhecimento pela leitura das atas) que tinha como uma das medidas o absurdo de retirar o poder disciplinar ao Conselho Fiscal e transferi-lo para o Conselho Diretivo. Isso, além de ilegal e inconstitucional, seria gravíssimo porque violaria a separação de poderes. A entidade que administra um clube não pode ser a entidade que pune os seus associados. Se essa medida tivesse ido para a frente, o Conselho Fiscal teria ficado sem o poder disciplinar. E, na altura, houve mesmo alguns membros do CFD que puseram em cima da mesa a sua demissão imediata. Ainda bem que foi algo que se resolveu rapidamente e tornou-se uma medida esquecida e espero que esquecida se mantenha para sempre.

E como geriu essa situação com Bruno de Carvalho, já que não houve uma comunicação entre órgãos?

O CFD e eu próprio ficámos preocupados porque nos disseram que o CD tinha aprovado essa proposta de alteração estatutária. Foi assim que soubemos e a partir desse momento pedimos acesso às atas para saber o que lá estava porque ninguém me tinha dito nada. E ficámos muito espantados com essa alteração estatutária a ser proposta em Assembleia Geral e na qual o Conselho Fiscal deixaria de ser "Disciplinar".

Mas confrontou Bruno de Carvalho?

Não confrontei. Ele não me disse nada previamente e eu achei que também não lhe devia perguntar nada posteriormente.

Mas quem retirou a proposta?

Não sei porque o assunto nunca foi levado à AG. Nunca passou de uma proposta que ficou na gaveta.

Nuno Silvério Marques é o seu sucessor.

E muito bem.

Há a curiosidade de o novo presidente do CFD ter sido eleito há quatro anos na lista de José Couceiro.

Veja lá bem as voltas que a vida dá. As pessoas não têm que ficar marcadas por terem integrado outra lista. Acho que o Dr. Bruno de Carvalho, quando decidiu perante a minha não continuação, teve um golpe de asa curioso. Devo dizer que isto na política não costuma ser assim, os adversários continuam a ser adversários, mas o Dr. Bruno de Carvalho tem essa bondade de alma em transformar os adversários em amigos. Aliás, o Dr. Bruno de Carvalho foi objeto de uma campanha terrível e vergonhosa contra a sua honra a reputação, em que muitas pessoas acreditaram, muito bem montada por uma agência de comunicação que estava na outra candidatura. Só que depois as pessoas perceberam que o verdadeiro Bruno de Carvalho não era aquilo que diziam que ele era, mas era uma pessoa com determinação, com o seu feitio, com a sua maneira de ser. É um líder nato e as coisas funcionaram bem. Admito que a minha presença possa ter contribuído para isso com algum traquejo de vida, com alguma experiência de liderança e também o caráter e as qualidades das pessoas do CFD: fiquei muito entusiasmado em relação a isso, pelo trabalho, dedicação e lealdade entre todos nós, e eu não conhecia nenhum dos seus membros.

O atual presidente foi reeleito de uma forma esmagadora. O que há a melhorar?

O Dr. Bruno de Carvalho, ao longo destes quatro anos, também aprendeu com alguns erros, que todos cometemos. E para além das muitas coisas boas que já fez, percebeu o domínio do Benfica na Comunicação Social. Tentou reagir virulentamente, como é seu apanágio, e o Sporting tem vindo a retificar um caminho, que é ter uma forma mais hábil de colocar os seus comentadores e pessoas da sua influência nos lugares da Comunicação Social. Vai fazendo-o gradualmente e também os próprios jornalistas - e aqui não estou a falar do Diário de Notícias, que, na minha opinião, é um excelente jornal - aperceberam-se que tinham ido longe demais no apoio ao Benfica. Hoje, as pessoas têm a consciência de que o Benfica é uma máquina poderosa de propaganda e que domina a esmagadora maioria dos órgãos de comunicação social desportivos e não desportivos e, graças à firme intervenção do Dr. Bruno de Carvalho, tem-se revertido a situação.

Como jurista, tem opinião sobre o caso dos vouchers...

Isso tem uma dimensão criminal. É um favorecimento, uma oferta, uma prenda. A legislação é cada vez mais rigorosa do ponto de vista de não permitir que se ofereçam coisas que, mesmo que sejam de pequeno valor, psicologicamente condicionam e limitam quem vai arbitrar um jogo. E um árbitro é como um juiz, tem que ser imparcial e independente. Não conheço nenhum advogado que antes de um juiz proferir uma sentença lhe ofereça bilhetes para o cinema, uma garrafa de azeite ou uma peça de fruta. Isso não é prática nos tribunais.

O presidente prometeu, em campanha, dois títulos nos próximos quatro anos. Partilha deste entusiasmo?

Prometer faz parte de uma política de objetivos. Ele já tinha prometido isso para o mandato que agora terminou. Infelizmente não aconteceu. Mas acho que ninguém pode ter qualquer dúvida sobre o amor e a dedicação do presidente ao Sporting. Eu testemunhei isso diretamente. Ele estava sempre no clube, só faltava dormir no clube - e até é capaz de ter dormido lá algumas vezes. Essa é a grande razão da esmagadora vitória que ele teve. Mesmo não se concordando com o estilo, com alguns excessos de linguagem ou com alguma intervenção mais abrupta, todas as pessoas reconhecem a sua entrega total.

Ao colocar a fasquia tão alta, se não cumprir o objetivo, pensa que Bruno de Carvalho pode ter vida longa como presidente do Sporting?

O futuro a Deus pertence, mas se ele continuar a gerir bem e a dar alegrias ao clube, certamente que vai continuar, e espero que por muitos anos, como presidente do Sporting.

 

Entrevista dada ao DN (LINK)
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Entrevista de Bas Dost à Sporting TV (vídeo)

Perdi o primeiro minuto da entrevista que, mais não deve ter sido que cumprimentos e a primeira pergunta, à qual ouvimos a resposta de BasDost logo no início do vídeo. Caso apanhe a entrevista durante o dia de hoje, actualizarei a publicação mas nem deve ser necessário. Gostei muito e espero que gostem também.

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Nuno Dias: "Por mim, fico no Sporting até quando o Sporting me quiser."

Nuno Dias chegou aos 200 jogos no comando técnico do Sporting com a marca incrível de 169 vitórias, 48 jogos sem sofrer golos, 1011 tentos marcados e 321 sofridos. Assim, parece fácil perceber como é que desde 2012/2013 já alcançou também 11 títulos para o Museu verde e branco.
 
Aos 44 anos, está há 23 ligado ao futsal e é treinador há dez. Vive da e para a modalidade e adora o treino. Em 2015 apresentou a tese de mestrado na Universidade da Beira Interior sobre a ‘Representatividade dos Exercícios de Treino em Relação ao Jogo no Futsal’ e concluiu-a com 17 valores.
 
É um dos treinadores de futsal com mais títulos em Portugal - todos no Sporting - e está nomeado para o troféu de melhor treinador do mundo de 2016. Soma já três nomeações, mas nunca venceu. Será desta? 
 
Em entrevista ao Maisfutebol, o fervoroso, mas nunca expulso, Nuno Dias falou da paixão que tem pela modalidade e do percurso no futsal, abordando também os temas da atualidade e falando dos rivais Benfica e até FC Porto, sim. O clube azul e branco não tem futsal, mas o treinador do Sporting gostava que tivesse.
 
 
Está nomeado, pela terceira vez, para melhor treinador do mundo de 2016. É desta que conquista o título?
Não, não acredito nisso. Já ganhei com o facto de estar nomeado num universo tão grande de treinadores e de tantas ligas competitivas. Para mim, estar entre esses dez já é uma vitória. É sempre difícil ganhar um prémio desses, mais ainda quando sei que há portugueses que não votam em mim. Isto não é como na Eurovisão em que os países votam nos países 'amigos'. Já fui a votos noutras ocasiões e sei quem votou em mim e quem não o fez.
 
O Marcão e o Leo, por exemplo, dois dos «mais vividos» do plantel do Sporting, e que já passaram por muitas e boas mãos dizem que o melhor é o Nuno Dias. Como é que vê isso? Estão a ser sinceros ou…
…estão a dar-me graxa (risos). É isso que estão a fazer! Felizmente já ouvi isso de mais jogadores e não só deles. É bom ouvir isso de jogadores experientes e que já estiveram noutras ligas, que trabalharam com outros treinadores. São eles que de facto me podem avaliar, ainda que possam também dizer isso consoante o estarem a jogar mais ou menos. 
 
Sendo o melhor ou não, como é que se é... Nuno Dias?
(risos) É-se com muito trabalho e dedicação, para também atrair a sorte. E tenho tido a sorte de estar bem rodeado. Ninguém ganha sozinho. Sempre o disse e nunca vou deixar de o dizer. Estas distinções tem a ver com as conquistas coletivas e ninguém as ganha sozinho. Toda a gente que trabalha comigo tem uma quota-parte de responsabilidade.
 
Sim, mas com os números apresentados, nota-se que há muito trabalho do Nuno. O que tem de especial?
(risos) Não sei. Tento ser especial em algumas coisas, nomeadamente em ser coerente nas escolhas e nas decisões. Acho que isso é importante. Faço sempre aquilo que acho que é o melhor para a equipa e não favoreço A ou B. Não gostava disso quando era jogador e agora tenho muita atenção a isso. E depois ao nível da organização e da metodologia de treino também tento ser diferente.
 
Então ter sido jogador foi muito importante para aquilo que é enquanto treinador?
Claro. Não é um fator determinante, mas é importante. É sempre uma mais-valia conhecermos o balneário, sabermos o que os jogadores gostam ou não de ouvir, a maneira como gostam ou não de ser tratos e também, claro, conhecer o jogo lá dentro. 
 
Está a ser melhor treinador do que foi jogador?
Não acho. Estou a ganhar mais títulos como treinador, isso sim. Mas, provavelmente, aquilo que atingi enquanto jogador custou mais do que aquilo que estou a conquistar enquanto treinador. É mais fácil ganhar no Sporting, onde estou munido de tudo do melhor, do que na equipa na qual jogava. Já havia equipas profissionais e semiprofissionais e eu jogava no Instituto que era amadora. Mesmo assim cheguei à seleção, estive lá dois anos e fui importante. Também ganhei alguns troféus pelo clube, como a Taça de Portugal e a Supertaça. Foi difícil. Só não fui campeão porque isso só está ao alcance das grandes equipas.
 
Está satisfeito com o rumo da sua carreira?
Sim, muito. Orgulho-me muito de todas as etapas. Fiz o curso de treinador ainda enquanto jogador, fui professor e treinador de iniciados, juvenis e juniores. Só comecei a jogar aos 22 anos, mas depois passei por todos os escalões enquanto treinador.
 
Como é que tudo começou?
Foi com um grupo de amigos na faculdade e depois recebi um convite da Académica. Fui e a Académica subiu logo àI Divisão, depois disso fui chamado àseleção universitária, saí para o Instituto onde fui jogador e treinador. Passei peloCSKA Moscovo e agora estou aqui. Fiz tudo isto sempseudo-ajudas. Nunca tive nem precisei, é tudo fruto de muito trabalho.

Como é que vê o futsal, o jogo em si. Como se deve atacar, como se deve defender, que esquema utilizar, quando utilizar o cinco para quatro…?
É o que digo sempre nos cursos de treinadores: não há um sistema tático que resulte melhor do que outro, não há um método defensivo melhor do que outro. Todos eles têm vantagens e desvantagens. O nosso papel é escolher, consoante aquilo que é a nossa equipa e os nossos jogadores, aquilo que melhor se adapta.  Não há sistemas perfeitos, mas sim ideias de jogo e metodologias que devem ser aplicadas consoante as características dos jogadores que temos. 
 
Mas, como amante do futsal, que tipo de jogo gosta de ver?
O do Sporting. A minha equipa, felizmente, joga bem e como eu gosto. Gosto de ver o jogo com ritmo, com movimentação constante, com jogadas bonitas em que o jogo não para e em que há golos de estratégia fabulosos, em que há alternância de sistema, em que tanto se joga com um pivot ou sem, em que se joga com um guarda-redes avançado ou não. Acho que a beleza do jogo tem a ver com esta alternância e dinâmica.
 
Como é que prepara os jogos, o que faz e com quanto tempo de antecedência?
Vejo os adversários com os cortes em vídeo que o Miguel Ferreira me faz e a partir daí analiso. Todos os domingos tenho as imagens da equipa que se segue e preparo o treino para a semana consoante o que analiso. Na UEFA tenho a preocupação de ver o jogo todo e vejo mais do que uma vez, mas no campeonato não. Não vejo o jogo todo, por norma é só os cortes e isso chega-me. Analiso o que cada jogador faz e como é que a equipa joga. Tento perceber o que é que as equipas fazem em todos os momentos do jogo e perante todas as situações. E depois, em função daquilo que eu percebo das equipas, tento tirar partido daquilo que é a nossa ideia de jogo, explorar a melhor forma de atacar e, mais importante, pegar nessa analise e criar tarefas de treino. 
 
200 jogos no comando técnico do Sporting e os números que já apresentámos. Como é que se chega a esta marca?
Com bons atletas e com uma equipa técnica que trabalha muito bem. Acho que tem tudo a ver com o coletivo e com um grupo muito grande de pessoas que trabalha bem e tem qualidade.
 
Sendo assim, parece fácil…
(risos) Não, não é fácil. Dá trabalho. Sai-nos do corpo este trabalho todo, mas se fosse feito para atletas sem qualidade não íamos ter sucesso nenhum. Isto é tudo resultado do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa metodologia, da qualidade dos jogadores, das condições que nós temos e dos adeptos que nos ajudam em momentos difíceis. Acho que tem a ver com tudo e tudo isso tem quota de importância.
 
E como é que se mantém este nível?
Acho que um dos aspetos é a proposta de objetivos internos, bem definidos e que todos entendem. Objetivos difíceis de alcançar, mas possíveis de alcançar com muito trabalho. Acho que tem a ver com isso, objetivos pontuais e internos que vamos delineamento. E depois tentar que todos os aceitem e que trabalhem em função disso.
 
Tem contrato com o Sporting até 2019, mas já esteve na Rússia, num campeonato muito competitivo. Quer voltar a sair ou está para ficar no Sporting?
Espero estar no Sporting para ficar, mas o contrato vai terminar nessa altura. A minha vontade é fazer mais duzentos jogos. Para mudar teria de ser para melhor. Estou tão bem e o Sporting é tão grande, que olho para o panorama internacional e, tirando o Barcelona, não há nenhum com esta grandeza. Por isso não me vejo a ir para o estrangeiro, a menos que haja aspetos financeiros que mudem isso. Por mim, fico no Sporting até quando o Sporting me quiser.
 
Os títulos que tem conquistado ajudam a que assim seja?
É sempre melhor trabalhar assim, mas essas coisas ajudam mais a quem lidera o clube. Se ganhamos, não é preciso mudar. Ainda assim, no desporto, muitas vezes olha-se só para os resultados. É injusto. Muitas das vezes não se vê o trabalho que foi feito até à bola bater no poste. No entanto, felizmente a bola tem batido no poste e entrado mais vezes. Isso vai-me mantendo cá. Nós vivemos de resultados e nem sempre aquilo que fazemos tem repercussões nos resultados. Mas se forem bons, claro que me querem cá.
 
Os adeptos também parecem gostar e querer, pelo menos no final dos jogos costumam cantar o seu nome…
Sim, às vezes acontece. Acho que reconhecem que aquilo que se faz é bem feito e que admiram a equipa, a forma como joga e eles próprios se envolvem no jogo. Eles conseguem ver que a equipa pode não ganhar, mas faz de tudo para o conseguir. O cantarem por mim acho que é por acreditarem naquilo que estamos a fazer. Sinto-me bem como é lógico. É sinal que gostam do que faço e que reconhecem. Sou bem tratado e sinto-me importante para o clube.
 
Chegou ao Sporting em 2012/2013 e foi campeão com recorde de pontos (75), no ano seguinte também ganhou o título. E, no terceiro ano, falou-se que os adversários já conheciam a maneira de jogar do Sporting. Já não havia o fator surpresa. Foi isso que fez com que falhassem o tricampeonato?
Não, acho que não. Por essa ordem de ideias, este ano, ao fim de cinco, os resultados não seriam bons. No primeiro ano talvez tenha havido essa surpresa, sobretudo na primeira volta do campeonato, mas depois ao fim de meia dúzia de jogos isso já não acontece.
 
Então porque é que o título nacional lhes 'escapou'?
Por várias razões: saíram jogadores super importantes - o Divanei e o Deo - e os jogadores que chegaram não estavam habituados a este nível; o João Benedito lesionou-se com gravidade, tal como o Paulinho e o Marcelinho, o Alex estava com 34 anos e depois de épocas belíssimas; o Benfica apostou e fez um investimento grande no plantel - Juanjo, Chaguinha e Patias - com jogadores de muita qualidade que entraram para um clube que andava a perder. Tudo junto fez com que a época não fosse a melhor. Ainda assim, não fomos campeões, mas ganhámos a Supertaça e fomos terceiros na UEFA Futsal Cup. Na final do campeonato, perdemos um jogo nas grandes penalidades e de resto foram jogos muito equilibrados. Não acho que tenha sido uma época desastrosa, os títulos e a forma como fizemos o campeonato foi boa, mas ninguém ganha sempre.
 
De há dois anos para cá a equipa mudou muito. Hoje tem o plantel que quer?
Tenho, mas infelizmente com a regra dos formados localmente não posso utilizá-lo na plenitude todos os fins de semana. Tenho sempre de deixar de fora três jogadores não-formados localmente. Ao contrário do que acontece na UEFA. Aqui só posso utilizar cinco e eu tenho oito. É a mesma coisa que ter um Ferrari em que consigo andar com ele a 200 km/hora, mas que me limitaram o motor para andar só até 80.
 
Mas, neste momento, é o melhor plantel de futsal em Portugal?
Eu acho que sim e não tenho a menor dúvida sobre isso, mas infelizmente, como já disse, não o posso utilizar todo.
 
E é o seu melhor de sempre?
Sim, talvez. Mas o do meu primeiro ano também era fortíssimo. No entanto, este ano, ao nível das soluções que o plantel tem, parece-me o melhor de sempre do Sporting.

Ainda assim, começou a época a perder a Supertaça para o Benfica… é o adversário mais difícil? 
É, é o adversário que, juntamente connosco, tem o melhor leque de jogadores e é mais equilibrado.
 
O que é que o Benfica tem de melhor? 
Tem uma equipa muito boa também. Nos últimos dois anos reforçou-se bem e manteve principais figuras do último título. No entanto, a meu ver, o que eles têm de melhor, e que nós precisamos, é o facto de se superarem nos dérbies. A forma como encaram os jogos contra nós parece-me diferente da forma como encaram os outros. Acho que nos últimos dois jogos com o Benfica baixámos o nosso nível e o Benfica elevou-o. Se calhar temos de trabalhar esse aspeto quando jogamos contra eles.
 
Supera-se porque se sente 'inferior', dado as últimas épocas do Sporting?
Não sei, isso é pergunta para se fazer a eles e não a mim. Eu acho que o Sporting é o melhor e por isso é que está em primeiro e tem cinco pontos de vantagem, mas a realidade é que o Sporting perdeu a Supertaça para o Benfica. O certo é que como disse, a atitude mental deles é mais forte frente a nós do que noutros jogos, isso é.
 
Por falar em rivais, em Portugal há ainda o FC Porto. Seria interessante tê-lo no futsal?
Seria, claro que sim! Quanto mais equipas de nome, de camisola e com massas adeptas numerosas estiverem na modalidade, mais mediática ela se torna. Isso implicaria também mais receitas, mais patrocinadores, transmissões e mais tudo. Mais competitiva também e isso obrigar-nos-ia a ser ainda melhores do que aquilo que somos. Quanto mais equipas de qualidade existirem, melhor para a liga e melhor para todos.
 
Na Liga lidera, mas esta fase só decide quem vai à fase final. Acredita que vai renovar o título?
Claro que sim, mas é importante referir que esta fase também é importante. É importante liderar, marcar muitos golos, não sofrer e jogar bem. Para nos é sempre importante, mesmo que o campeonato só se decida no play-off. Ao longo dos últimos anos só duas vezes é que o campeão da fase regular não venceu o título. Espero este ano vencer a fase regular e o campeonato.
 
A UEFA Futsal Cup, perante os adversários que terá pela frente [Inter Movistar, de Ricardinho, Kairat Almaty e Ugra Yugorsk], é também uma possibilidade real? 
Temos equipa para discutir jogos com toda a gente e em que pavilhão for, temos qualidade e vamos apresentá-la, mas é preciso referir que vamos jogar com equipas que a todos os níveis têm um poderio superior ao nosso e que estão muito habituadas a chegar a este tipo de finais, que têm jogadores habituados a ganhar europeus e mundiais. Não me parece justo aquilo que as vezes vamos ouvindo. Parece que é uma obrigação o Sporting ganhar e que se não o conseguir é uma desgraça, uma frustração ou um desanimo total. O Sporting é a única destas equipas que não era cabeça de serie na Ronda de Elite e é a única que ainda não ganhou a UEFA. Quem não tem noção das dificuldades não percebe o futsal. Não vai ser fácil, mas vamos bater-nos de igual para igual e dar o nosso melhor. É um título que há muito procuramos.
 
Fonte. Mais Futebol

 

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Solange Carvalhas na 10A

Daqui por uns dias, prometo um post sobre o futebol feminino do Sporting Clube de Portugal, projecto que se revela sólido, ganhador e promete muito para o futuro.

Obrigado pelo vídeo ao Jean La Fontaine!

 

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A entrevista de Jorge Jesus

Vamos por pontos:

 

- Assumiu erros próprios, algo que lhe fica bem;
- Falou nas arbitragens, como não podia deixar de ser, dado o imenso prejuízo que nos tem sido infligido;
- William e Adrien em sub-rendimento, e isso nota-se. "São o coração da equipa" (fim de citação);
- Falou no vídeo-árbitro e disse não compreender como podem haver equipas que não querem (podia ter ido mais longe e dizer que não entende porque é que as que ganham não têm interesse);
- Sintonia total com o Presidente num projecto de futuro;
- Continua a "martelar" que a estrutura, que tem de se solidificar, crescer e tornar-se mais forte;
- No futebol não vale tudo (e os rivais estão a tentar tudo para nos enfraquecer, dentro e fora de campo);
- Reforços pensavam que chegavam e eram eles e mais 10: falou em Marko, Joel, Elias e André, jogadores que têm interesses pessoais à frente dos colectivos. Estes jogadores têm mercado e estão a ser alvo de propostas;
- Disse que ficaríamos, passo a citar, "com 23 jogadores, com os 3 GR". Percebi que seriam 20 jogadores de campo mas não ficou claro;
- Vão regressar dois jogadores que fizeram a pré-época. Aposto em Iuri e Podence, já que o Chico não fez a pré-temporada;
- Praticamente confirmou o André Pinto para a próxima temporada;
- Para o ano vai tentar meter mais dois jogadores da formação no 11, como fez com Rúben e Gelson (quero ver isso)
- Markovic, assim que viu que não seria titular, deixou de "estar cá";
- Tem um modelo de jogo e de jogador, pelo que vai continuar a tentar moldar os jogadores em vez de se adaptar a eles (não o disse literalmente mas foi o que eu percebi);
- Admitiu ser mais fácil integrar jovens no Sporting pois, normalmente, entende ser um processo que demora entre 3/5 anos;
- Fezada clara no Alan;
- Dost é um profissional exemplar.

 

Agora é ganhar ao Paços e arrancar para uma segunda volta extraordinária, pois só assim chegaremos ao objectivo mínimo, que é o 2º lugar.

 

Fica a entrevista completa, com o agradecimento ao canal Portugueses Pelo Mundo:

 

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Entrevista: Francisco Geraldes

Estreou-se na Liga esta temporada, depois de 11 anos de formação e um ano na equipa B do Sporting. Como está a correr a experiência no Moreirense?
Está a correr bastante bem até agora. A nível estatístico não está a ser como ambicionava, porque só tenho dois golos e gostava de ter mais, mas o mais importante é que tenho estado a corresponder e até, se calhar, a conseguir superar as expetativas do primeiro ano.
 
E o Moreirense é o clube certo para evoluir e se mostrar ao Sporting?
Se é o certo ou não, não sei, porque nunca experimentei nenhum outro clube, mas até este momento tem corrido tudo da melhor maneira e por isso acho que é um excelente clube para evoluir e poder ganhar experiência na Liga.
 
Quando se é emprestado não há o sentimento de se estar a afastar do clube?
É um facto que acabamos por nos afastar do clube, sim, mas a política do Sporting é a de seguir os jogadores emprestados, pelo menos até hoje, e eu, porque tenho tido sempre feedback positivo do Sporting e um acompanhamento assíduo, não me posso queixar de me terem esquecido. 
 
Como foi sair de «casa»? Saiu de Lisboa pela primeira vez e do Sporting também…
Sim, foi a primeira vez e é sempre difícil. O período de adaptação não foi fácil, porque deixei tudo em Lisboa, família, amigos e o clube, mas quando a vontade de singrar é maior do que as dificuldades de estar longe, tudo é superável tendo em conta o objetivo final.
 
Chegou para ser opção de Pepa, mas Pepa saiu do comando técnico da equipa, e depois chegou Augusto Inácio, que já conhecia do Sporting. Como se lida com a mudança de treinador?
Tem de se lidar de uma forma natural porque estas situações fazem parte do desporto, e neste caso do futebol, quando os resultados não aparecem. O Pepa é um excelente treinador e de certeza que vai ter muito sucesso no futuro. Gostei de trabalhar com ele e desejo-lhe a maior sorte do mundo. Agora temos o mister Augusto Inácio que também é um grande treinador e com quem tem estado a correr tudo bem.
 
O que mudou com a troca de treinadores?
Muda sempre alguma coisa porque nenhum treinador é igual. Na forma de treinar têm métodos diferentes, mas o estilo de jogo é mais ou menos o mesmo. Em campo continuamos a fazer as mesmas coisas.
 
Tem mais liberdade com Augusto Inácio? Dá essa ideia…
Não, penso que é igual. Tenho a mesma, mas é um treinador que exige muito de mim e a cada dia que passa sinto-me melhor.
 
E jogar numa equipa com outros objetivos, diferentes dos que tinha no Sporting B, está a abrir-lhe os olhos para uma missão de sacrifício defensivo a que não estava tão habituado?
Sim, sim, isso sim. É uma realidade diferente daquela que encontrei na equipa B do Sporting, porque apesar de ser uma equipa B é sempre vista como sendo o Sporting e as equipas acabam sempre por se fechar mais. Agora é completamente o oposto. O Moreirense é que é a equipa «pequena» e, principalmente, quando joga frente aos grandes joga mais fechado e tem de explorar o contra-ataque. É diferente e isso tem sido positivo para o trabalho defensivo que, confesso, não tinha muito.
 
Gosta de marcar e, apesar de ter dito que esperava já ter marcado mais, fez dois golos importantes. Um ao Feirense, numa excelente apresentação e exibição, e outro ao FC Porto. Como foi este último golo?
Foi bom, mas acaba por ser só mais um. Mesmo assim, claro, por ter sido à equipa que foi e pelo simbolismo, de ter posto o Moreirense na meia-final, foi o mais importante de todos os que já marquei na carreira. Quando somos pequenos, pomo-nos a imaginar este tipo de golos e achamos irreal, mas consegui marcar e claro que isso me deixa satisfeito.
 
Como sportinguista, pela rivalidade, também?
(risos) Claro, como sportinguista também.
 
Esse golo colocou o Moreirense na final-four da Taça da Liga, pela primeira vez. Chegados aqui, qual é o objetivo da equipa nesta prova?
Vamos ao Algarve com a intenção de fazer as coisas o melhor possível. Quanto mais podermos sonhar e ambicionar, melhor. Já demonstrámos que nos podemos bater contra qualquer adversário e sabemos o que podemos fazer. Derrotámos o FC Porto e sabemos que não é fácil o que se segue [Benfica], mas já estarmos na meia-final é excelente. 
 
No campeonato é só a manutenção que interessa?
Sim, é obviamente que esse é o nosso objetivo. Saímos lá de baixo no último jogo e agora é continuar a subir. Já temos uma folga [pontos] maior com a vitória frente ao Belenenses e trabalhar assim será melhor. Agora vamos ao Dragão com a mesma ambição de conquistar os três pontos.
 
E tem também a ambição de marcar outra vez?
(risos) Claro, se possível.

Se marcar vai mostrar outra vez a caneleira, na qual tem a máscara do filme ‘V de Vingança’...
Sim.
 
Mostra-a sempre, porquê?
É uma questão que pode dar horas de conversa! Mostro porque muito do que penso está ali resumido. Tem tudo a ver com a mensagem do filme. Vi-o com o meu pai no cinema e marcou-me. Na altura não tanto porque com apenas 11 anos, não estava tão desperto e tão atento ao quão real, atual e verosímil é a mensagem do filme. Hoje, depois de ter estudado, ler muito e tentar perceber várias questões, identifico-me totalmente com a ideia revolucionária do filme.
 
Não se preocupa apenas com o futebol, não é? Há mais vida para além «disto»…
É. O futebol é a minha grande paixão, adoro este jogo, e não me vejo a fazer mais nada - agora sou jogador e um dia quero ser treinador, mas tal como não é o dinheiro que me move, não fecho os olhos à nossa sociedade, à política, economia, cultura…
 
É um dos nomes que se falam para regressar ao Sporting já em janeiro, já sabe alguma coisa sobre isso?
Não.
 
João Palhinha já regressou, isso motiva-o? Como vê a chamada dele por Jorge Jesus?
Claro, como disse anteriormente, no Sporting estão atentos aos emprestados e isso demonstra-o. Vejo a chamada dele à equipa principal com satisfação, felicidade e justiça. Além de ser uma excelente pessoa, como profissional ninguém tem nada a apontar-lhe. Só ele sabe o que trabalhou para conseguir ser chamado e é com todo o mérito que já lá está.
 
Perante este exemplo e pelo que tem feito sempre e, sobretudo, nestes últimos meses, acredita que também pode voltar?
Acredito, claro que sim. Foi com essa finalidade que vim para o Moreirense: com a perspetiva de voltar ao Sporting e conseguir chegar à equipa principal. O meu maior sonho - e só de imaginar me arrepio - é jogar no Sporting e em Alvalade. Cresci a ir ao estádio e a ver o Sporting jogar, a ver o André Cruz a marcar livres diretos ou o Paíto a dar uma ‘cueca’ ao Luisão no Estádio da Luz (risos). Cresci e fiz-me ainda mais sportinguista com alguns desses momentos. 
 
E acha que já está preparado para esse passo?
Acho que sim e acho que o que tenho feito tem demonstrado que posso vestir a camisola do Sporting. Além disso, porque tenho a ‘mentalidade Sporting’, que também considero importante dentro de campo. Sei que sinto o clube da forma que só a formação consegue sentir e que é difícil de explicar. Ninguém sua a camisola como quem a veste desde sempre. Muitas vezes os jogos ganham-se pelo que sentimos pelo clube e pela vontade de vencer por ele. Eu sinto o Sporting.
 
O que acha que pode acrescentar ao plantel do Sporting?
Esse sportinguismo que já falei e as minhas qualidades técnicas, claro. Sei o meu valor e aquilo que sou capaz. As minhas valências passam pela visão de jogo, qualidade de passe e também pela entrega que dou ao jogo. Dou tudo e não me limito a fazer o mais fácil.
 
Sente-me mais um 8 ou um 10?
Gosto de jogar em ambas as posições.
 
É também um jogador mais inteligente do que físico…
Sim e para mim isso no futebol é o mais importante. Claro que o físico conta, mas acho que quanto mais jogadores inteligentes uma equipa tiver mais perto está de atingir resultados e títulos. Quanto menos inteligente o jogador for mais aleatórias serão as decisões. É sempre preciso pensar mais à frente, ter noção dos espaços, das posições da equipa e dos adversários.
 
E o que é mesmo um jogador inteligente?
É aquele que melhor decide, tendo em conta o sucesso coletivo. A decisão até pode passar por uma ação individual, mas não é aquele que se cinge a seguir à risca aquilo que mandam as regras do ‘bom futebol’, como, por exemplo, procurar sempre superioridade numérica com bola. Há situações em que inteligência, aliada à criatividade, resolve os problemas que são encontrados no jogo. Mesmo sendo uma situação de dois atacantes para quatro defesas. Tem muito a ver com a capacidade de decisão, daí que quanto mais inteligentes forem, individualmente, os 11 jogadores, mais próxima está a equipa de ganhar o jogo
 
É um jogador menos individualista?
Não necessariamente, mas é por aí e pela reação e decisão. Tem a ver com a forma como vê o jogo e consegue ser rápido a tomar a decisão. Além disso, saber, como disse, onde está cada um e para onde será melhor jogar e não parar para ver e pensar o que fazer porque aí perde-se a vantagem de milésimos de segundo perante o adversário. Quem manda é quem tem a bola e o defesa vai sempre reagir àquela que for a decisão de quem ‘manda’.
 
Como é que se ganha essa inteligência?
Parte dela é já intrínseca, mas pode e deve ser sempre estimulada através de pensar o que fazer com a bola mesmo antes de a recebermos. A mim quem me ajudou muito nesse aspeto foi o João Mário. Fomos companheiros de equipa na B e ele achava que eu muitas vezes decidia só quando tinha a bola. Uma vez, num treino, chamou-me e perdeu tempo comigo. Falou-me de dois aspetos: de como controlar a bola e sobre a decisão. 

É por isso que é um dos jogadores que o Francisco admira?
Também, pela importância que teve no meu crescimento, e pelo jogador fantástico que é. É dos jogadores mais inteligentes que há atualmente. Não precisa de ser rápido, é inteligente e isso para mim é o atributo mais importante nos desportos coletivos.
 
Há muita gente a comparar o Francisco ao Adrien Silva, sobretudo nas redes sociais e quando não estão satisfeitos com o meio-campo do Sporting…
Sim, sei que muitas vezes se compara ‘o Francisco Geraldes’ ao Adrien Silva, mas também sei que somos jogadores diferentes, até porque não há jogadores iguais. Ele numas coisas é melhor, eu serei noutras. Faz parte. Mas o Adrien é o Adrien.
 
É difícil de o substituir?
Nenhum jogador é insubstituível, mas, claro, fazer a vez do Adrien não é fácil. Para mim, ele é um dos melhores box-to-box do mundo. É um pulmão incansável, que dá à equipa a estabilidade que é muito difícil de encontrar num jogador. Encontra-se num Ramires (ex-Benfica e ex-Chelsea) ou num Enzo Perez (ex-Benfica e Valencia), mas não é fácil. 
 
Curiosamente esses jogadores que já passaram pelas mãos de Jorge Jesus… já se imaginou a trabalhar com ele?
Quero vir a trabalhar, mas ainda não me imaginei. É um grande treinador, os resultados e os títulos falam por ele. O que ele já conseguiu não é fácil de conseguir: duas finais europeias, três campeonatos quase seguidos, entre outros títulos. Não é fácil.
 
Com que treinadores é que gostou de trabalhar no Sporting? 
Vários, o Sporting costuma ter grandes treinadores. Destaco o Hugo Cruz, Tiago Capaz, José Lima e João de Deus. Cada um com a sua importância. O último foi o mister João de Deus, que é um excelente treinador. Pedagogicamente é muito forte e, pelo menos, a mim mostrou-me que este não é um caminho fácil. Com a forma de ser mais rígida mostrou-me que se não fizermos por isso nenhum sucesso bate à nossa porta.
 
Internacional sub-18, 20 e 21. Falhou o último mundial de sub-20, mas ultimamente tem sido chamado para os sub-21. Sente-se certo já no próximo Europeu?
Trabalho para isso todos os dias. Tenho sido chamado e ganhado alguns minutos, espero conseguir lá estar. Serão chamados os melhores e acredito que posso estar nesse lote. Vamos ver!
 
Rui Jorge tem muitas e boas opções, não é?
Sim, acho que Portugal tem tido, também por força das equipas B, excelentes jogadores. Até mesmo na seleção A já há muitos jogadores sub-21 e que cresceram ali. Atualmente o grupo é muito forte e acho que por isso poderemos ser sempre considerados candidatos.
 
E o Francisco já pensa na seleção principal?
Não, não penso. Ainda nem me consegui impor nos sub-21, quanto mais pensar já nos AA. É preciso ir com calma.
 
Como é que tem visto o trabalho de Rui Jorge?
Como disse sobre o Jorge Jesus, os resultados falam por si. O que o Rui Jorge está a fazer na seleção é fantástico. A equipa joga bom futebol e tem apresentado resultados muito positivos, é praticamente imbatível. 
 
Todos os jogadores falam bem dele…
E só há razões, é uma excelente pessoa e é um prazer trabalhar com ele. Além do que se vê como treinador é muito direto e frontal, gosto disso.
 
Fonte: Mais Futebol

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