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Grande Artista e Goleador

SPORTING CP 2-3 Basileia: errar assim, é fatal

Fui tolerante com a lentidão de processos e a aparente monotonia do nosso futebol. Afinal estávamos a usar um sistema de jogo novo que, embora tivéssemos adoptado duas vezes na temporada passada, não me parece que estivesse a ser trabalhado.

Um sistema de três defesas demora tempo a implementar, mais ainda numa pré-temporada, em que a frescura física não é a melhor. Para funcionar, os laterais / alas têm de conseguir dar largura e profundidade, ao mesmo tempo que recuperam defensivamente. Essa é uma das chaves do sistema e, num momento em que o cansaço impera, é impossível, tanto a Jonathan como a Piccini, desdobrar-se em todas as tarefas que farão tanto melhor quanto maior for a capacidade física. Ambos parecem ter características para encaixar neste modelo mas ainda é cedo para saber se pode funcionar (Coentrão estará dependente da forma que consiga adquirir ao longo das próximas semanas). De qualquer das formas, este parece-me o plano B.

O jogo interior também não teve a qualidade desejada e viveu das investidas de Podence e de alguns momentos de Bruno Fernandes e Alan Ruiz. Bas Dost não teve uma oportunidade de golo em jogo corrido e isso é elucidativo.

 

Mas não há plano de jogo ou modelo que resista a erros fatais. O primeiro pertenceu ao árbitro da partida, que assinalou uma grande penalidade sobre Ricky van Wolfswinkel, quando foi o holandês a derrubar Tobias. O Basileia fez o empate e cresceu, embora não o suficiente para ameaçar de forma evidente Azbe Jug. Porém, o esloveno acabaria por dar uma fífia que levaria os suíços para o intervalo em vantagem.

 

A segunda parte foi fraca de ambas as partes, monótona e, confesso, foi um sacrifício daqueles acompanhar o jogo até ao final. Valeu pela capacidade individual de alguns jogadores que, percebe-se, podem resolver jogos sozinhos. Iuri tira um coelho da cartola e Matheus Pereira aparece a finalizar na zona do ponta-de-lança. Repunha-se a justiça no resultado.

Até final, haveria de ser mais um erro a ser-nos fatal. André Geraldes oferece a um adversário a possibilidade de finalizar na cara de Azbe Jug, o esloveno, pese embora a inaudita surpresa, pareceu-me pouco lesto a fazer frente ao jogador dos suíços e a bola acabou no fundo das redes da nossa baliza. 3-2 para o Basileia, que haveria de ser o resultado final.

 

Posto isto, com quatro jogos decorridos, já consigo tirar algumas ilações, sem que sejam ainda conclusões.

Mattheus e Battaglia, podendo vir ainda a crescer, não parecem ser claras mais valias no imediato. Neste cenário, tenho dificuldades em validar a contratação de ambos quando tínhamos nos nossos quadros jogadores de capacidade igual que acabarão dispensados (alguns deles já receberam até ordem para abandonar os trabalhos da equipa principal).

Continuarei a dar o benefício da dúvida a Piccini (que não conheço e espero que cresça numa posição para a qual não tínhamos alternativas internas), na expectativa que Mathieu e Coentrão atinjam níveis que já demonstraram e que Doumbia seja mesmo a mais-valia que Bruno Fernandes já mostrou que vai ser.

 

Para já, embora fosse mais do que previsível, perece-me um erro dispensar Ryan Gauld, Francisco Geraldes e João Palhinha. As dispensas não são oficiais mas serão uma questão de dias. Espero que possam jogar os três juntos, por exemplo, no Moreirense ou Boavista e mostrem aquilo que valem. Não são inferiores a Petrovic, Battaglia ou Mattheus.

 

Termino com uma farpa a Jorge Jesus que, há uns meses dizia que o Sporting precisava de ter capacidade para comprar mais jogadores de 10 / 15 / 20 milhões de euros. Concordo.

O que não concordo é que se continuem a contratar jogadores de 1 / 2 / 3 milhões, quando desses formamos nós todos os anos à mão cheia. O melhor de dois mundos é saber atingir o equilíbrio e a razoabilidade. O Sporting forma jogadores de nível para a equipa principal. Não para emprestar sucessivamente, fortalecendo equipas da mesma competição, que jogarão contra nós enfraquecidas, fruto de uma regra de empréstimos ridícula que ninguém faz por mudar.

A aposta nos nossos jovens reduz a frequência com que se erra na contratação de jogadores vindos de fora. Gastar 1 / 2 / 3 milhões a ver se pega não pode banalizar-se e muito menos desvalorizar-se. Não quando afirmamos (com razão) que somos uma das melhores academias do Mundo a formar jogadores de nível para as melhores ligas.

 

Curioso para o que aí virá, expectante e pouco confiante. A ver vamos.

 

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