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Grande Artista e Goleador

SPORTING CP 1-2 Real Madrid: Mais uma vez o mesmo filme

Foi um pouco como aqueles filmes excelentes, com um bom enredo e actuações brilhantes dos actores mas que o guionista teima em matar o protagonista, o bom da fita, a personagem mais importante no final. Fica um sabor agridoce. O filme foi bom mas acabou mal...pela quarta vez.

Foram quatro jogos com os favoritos do grupo onde o Sporting demonstrou armas de igual valor para discutir os resultados mas onde a menor eficácia e o menor aproveitamento do erro alheio nos conduziu ao pior dos resultados.

 

Não há nada a apontar à exibição, entrega e determinação dos nossos jogadores ontem, como já não tinha havido nos jogos anteriores com Real Madrid e Borussia de Dortmund. Com adversários destes estamos sujeitos a sofrer um golo em qualquer momento e quanto mais espaço lhes dermos, mais sujeitos estamos a dissabores.

Voltámos a criar situações ofensivas suficientes que justificassem um resultado melhor mas, por más decisões, acabámos por finalizar mal ou entregar em más condições o último passe. Sim, porque uma boa situação de golo não é apenas a bola que vai ao poste ou que o guarda-redes sacode com uma grande defesa. Uma boa oportunidade de golo é uma jogada que coloca em boa posição o indivíduo com a responsabilidade de decidir o que fazer ao chamado "último passe". Aqui chegados, é uma questão de decisão. Ou decides bem e uma boa oportunidade tem maior possibilidade de êxito ou uma má decisão pode deitar por terra um conjunto de boa decisões/movimentações.

 

O não aproveitar daquele erro de Sérgio Ramos diz bem daquilo que é a nossa capacidade de decisão, algo que muitas vezes tenho observado em jogos anteriores e que começo a identificar a causa. A criatividade táctica que tanto fala Jorge Jesus traz imensos benefícios à dinâmica da equipa mas, na maioria das vezes, anula um dos factores mais aleatórios e decisivos do futebol: a criatividade individual.

Ao quase castrar a criatividade individual em prol da dinâmica colectiva, Jesus tira trunfos aos jogadores, sobretudo aos mais talentosos e que têm mais capacidade para arriscar muito no 1x1. Ontem, durante toda a segunda parte, não sei se devido a cansaço ou em exclusivo à tal "castração criativa", foi raro ver Gelson arriscar no confronto individual, quando parecia claro que a equipa poderia daí retirar muitos benefícios, até porque Marcelo tinha um cartão amarelo.

 

Extrapolei para uma análise mais global e que identifica um problema não exculsivo do jogo de ontem pois fizemos efectivamente mais um bom jogo em que foram os detalhes a resolver. E em jogos de detalhe, o que eu frisei não me parece descabido.

Particularizando, vimos mais uma exibição quase imaculada de Coates, um William ao seu melhor nível, um Adrien a dar à equipa aquilo que ela precisa e um Gelson maduro, que continua a ser o nosso melhor criador. Os restantes, todos esforçados (nem tanto alguns dos que entraram) e com um a destacar-se; João Pereira devia ter tido cabeça fria. Depois de uma exibição tão bem conseguida e num momento em que se percebia que podíamos encostar o Real às cordas aquela atitude deitou tudo a perder. Claro que não é uma agressão "à Materazzi" mas custa-me ver Sportinguistas ignorar uma mão evidente no tronco de Kovacic que, pese embora a impossibilidade de medir intensidade, existiu. João Pereira é bem expulso e colocou em causa o plano para o assalto final à baliza de Navas.

 

Agora resta concentrar no campeonato, sem esquecer que teremos depois de ir a Varsóvia buscar um resultado que nos permita manter-nos nas competições europeias, sem esquecer a "obrigação" de voltar de lá com mais três pontos.

 

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