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Grande Artista e Goleador

O tempo ideal

Todos os treinadores passam as épocas (sobretudo quando as coisas não correm bem) a frisar a importância do tempo de trabalho conjunto para apurar os processos colectivos.

Jorge Jesus não é diferente e, pela complexidade do seu modelo de jogo e, mais ainda, pelas nuances tácticas e dinâmicas que, já se percebeu que pretende introduzir no nosso jogo para este ano, o tempo torna-se ainda mais precioso.

 

Porquê falar nisto?

 

Porque o Sporting terá de se mexer no mercado ainda mais rapidamente que o desejável.

Com a inevitável probabilidade de enfrentar o playoff da Liga dos Campeões fora do pote dos cabeças-de-série, enfrentaremos certamente uma equipa com grande capacidade, que até será teoricamente favorita, convém chegar a esse momento da época com os processos de jogo o mais consolidados possível.

 

Já se percebeu que o Sporting venderá dois ou até mesmo os três campeões europeus de selecções do nosso plantel. Rui Patrício, William e Adrien estão na "montra" e é quase certo que nenhum cá estará em setembro. Gelson também parece fortemente assediado, embora me pareça maior a probabilidade de ficar no Sporting.

Sabendo que o Sporting só voltará a atacar o mercado com o dinheiro proveniente destas vendas, não será conveniente que as mesmas se fechem o quanto antes, em vez de andar a discutir com os pretendentes mais um milhão a cada semana que passa?
Segundo parece, o Sporting estipulou o valor de venda de cada um. Até agora, nenhum clube parece ter atingido esses valores e, a cada dia que passa, diminui a nossa margem para fazer jogo de cintura e, consequentemente, a nossa capacidade financeira que permitirá reforçar a equipa.

 

Para além disso, os nossos alvos de mercado podem fugir e isso criará o mesmo problema que parece ter-nos afectado no ano passado, onde contratámos tarde e apenas depois das vendas tardias de João Mário e Slimani, acabando assim por ter de ficar com as nossas segundas e terceiras opções de mercado.

Não podemos voltar a contratar dois jogadores para um lugar, na esperança que um deles pegue. Isso é desperdício de recursos e não serve os propósitos da equipa. Para ver se pega, experimentamos os que formamos.

Fora isto, teremos de ter em conta que os jogadores querem sair e os seus empresários sabem disso e estarão também a tratar da sua vida.

Será descabido que eu pense que um empresário pode tentar baixar o preço de um negócio para fazer subir o valor da sua comissão junto do clube comprador?

Claro que não é e, a cada dia que passa, são os clubes que compram que vão ganhando força e ficando com a faca e o queijo na mão, pois nós precisamos de vender e não podemos ficar com jogadores contrariados.

 

Se a intenção é manter os jogadores até final da pré-eliminatória da Champions, digo já que acho mal. Isso obrigará a que nos reforcemos já com o campeonato a decorrer, arriscando contar com atletas menos comprometidos com os objectivos, por causa do espectro evidente de uma saída que, inevitavelmente, coloca os jogadores numa posição de nervosismo e instabilidade emocional.

Para os jogos a doer teremos de contar com aqueles que estão comprometidos com o projecto, pelo menos até maio.

 

Para que isso aconteça e não se repitam os erros da época passada, o Sporting deve definir o plantel nas próximas duas semanas, por forma a dar tempo aos jogadores de integrar os trabalhos da equipa e adquirir os processos necessários a uma boa interpretação do modelo de jogo.

Já disse anteriormente que acho que o Sporting se mexeu atempadamente no mercado. Falta vender atempadamente para não correr o risco de, como no ano passado, vermos jogadores chegar a conta-gotas em cima do mês de setembro.

 

É esta a nossa vantagem competitiva. Sabendo que, internamente, lutaremos sempre contra muito mais do que aquilo que seria desejável, não podemos descurar estes pormenores.

Não quero com isto dizer que devamos vender em saldo mas, se há jogadores com a expectativa e a promessa de uma saída, não será um milhão a mais ou a menos que vai fazer a diferença para o nosso lado, sobretudo se isso hipotecar os mais de 10 milhões que a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões nos trarão.

 

Espero e desejo que tudo se defina rápido, obrigado e boa sorte aos que saírem e mais sorte ainda para os que venham a ingressar no maior Clube do Mundo. Se não há margem de erro nesta temporada e nos preparamos para voltar a bater recordes de investimento, mais vele que o façamos como deve ser.

 

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