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Grande Artista e Goleador

O regresso ao palco maior

Penso que todos concordam se disser que o hóquei em patins é hoje uma modalidade muito menos mediática em Portugal do que no passado, mesmo que continuemos a ter/ser dos melhores do Mundo.

Eu comecei por ignorar, por me passar ao lado, para ser hoje um apaixonado da modalidade "do pau". Depois do futebol, tenho o futsal e o hóquei em patins em pé de igualdade. Não diria que deixasse de ver o futebol para ver o hóquei mas preferia que a SportingTV ontem tivesse transmitido o hóquei, em detrimento da equipa B.

Sempre vi com paixão e atenção os duelos da nossa selecção nacional mas os grandes responsáveis pelo entusiasmo pela modalidade são os heróis de 2014, com Nuno Lopes à cabeça, seguido por cada um dos que, em campo, fizeram história no primeiro ano do regresso da modalidade oficialmente ao Clube.

Alguns deles ainda ontem nos representaram no regresso à mais alta roda europeia, os outros têm um cantinho no meu coração, onde os guardo com apreço e enorme respeito por terem preenchido a mais bela página vivida enquanto Sportinguista.

Já vi dois títulos nacionais de futebol mas nada me alegrou e emocionou como a conquista da CERS de 2013/14. Se provas forem necessárias de que o Sporting não é um Clube de futebol, podem guardar esta.

 

Ora bem...ontem o hóquei regressou à Liga Europeia (antiga Taça dos Campeões Europeus), a Champions da modalidade, e fê-lo da melhor forma: pavilhão cheio, adeptos entusiastas, uma boa exibição e uma vitória de goleada.

Perfeito!

Importa dizer que o Sporting se assume como candidato à vitória na prova, num momento em que o hóquei português parece ganhar sobre o espanhol um ascendente nunca antes visto (se estiver a dizer alguma parvoíce, alguém melhor informado que me corrija). Nos últimos dois anos, os portugueses venceram três das quatro provas europeias (Liga Europeia e Taça CERS) e este ano voltam a ser favoritos às vitórias finais. Qualquer dos quatro representantes na Liga Europeia a deseja vencer e o Óquei de Barcelos será um dos principais favoritos à vitória na CERS.

Esta é a sétima presença do Sporting na prova, que venceu uma vez nas seis participações anteriores (podem saber toda a história da única vitória, AQUI). Foi mesmo o Sporting, a primeira equipa portuguesa a vencer uma competição europeia de clubes, rompendo o domínio esmagador dos espanhóis. Nas cinco presenças restantes, três presenças nas meias-finais e outra final, desta vez perdida.

Nesta, que é apenas a sétima presença na mais importante prova de clubes da Europa, o Sporting pode manter ou melhorar um registo impressionante na prova, para uma equipa com tão poucas participações. Recordo que, só finais, o Benfica tem 7 e o Porto 12, com bastantes mais anos de modalidade que nós e grande parte delas durante a nossa ausência. O Benfica é o campeão europeu em título e o Porto vem de uma série de 8 finais perdidas nos últimos 20 anos.

Só quatro equipas portuguesas venceram a Liga Europeia: Sporting CP (1), FC Porto (2), Benfica (2) e OC Barcelos (1). As restantes 45 edições tiveram 44 vencedores espanhóis e um italiano (numa final jogada em Portugal).

Na última participação na prova, em 1988/89, o Sporting foi finalista vencido e, agora, 27 anos depois, estamos de regresso para voltar a tomar de assalto o título de reis do "velho continente", que em 89 escapou à equipa comandada por um dos maiores símbolos do Sporting; António Livramento.

 

A expectativa é elevada para esta época mas, para mim, considero-a moderada. O Sporting tem sabido dar os passos certos no aumento da sua competitividade e, ano após ano, tem subido um degrau, aproximando-se do topo. Como disse, há 27 anos que não estávamos na Liga Europeia e, da minha parte, haverá sempre exigência mas sem nunca perder a noção desta realidade.

Ontem, com uma grande equipa, liderada pelo melhor guarda-redes do Mundo e, entre outros, reforçada com o melhor jogador de campo da última década, o Sporting venceu sem problemas os franceses do Quévert e disputará certamente a passagem à fase seguinte com o Reus e o Forte dei Marmi, este último desfalcado de Pedro Gil, o nosso mais sonante reforço para esta época.

O grande destaque da partida vai para os três golos de João Pinto, o nosso capitão e um dos eternos heróis de 2014.

Segue-se a recepção ao Paço de Arcos, na próxima quarta-feira, e o exigente teste em Barcelos, no próximo fim-de-semana. Depois, será um duelo com a Sanjoanense, em casa, a mediar o segundo jogo da Liga Europeia, na Catalunha, frente ao Reus.

 

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