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Grande Artista e Goleador

Chaves 2-2 SPORTING CP: Maldito pastel de Chaves

"Muitas vezes os jogos ganham-se pelo que sentimos pelo clube e pela vontade de vencer por ele. Eu sinto o Sporting."

 

A frase é de Francisco Geraldes e traz-nos a parte do futebol que só o adepto percebe. A paixão, o amor, a entrega e a dedicação a um símbolo, habitual na bancada mas nem sempre transparecida em campo.

Ontem, demos mais uma vez uma pálida imagem daquilo que é o Sporting e até mesmo da real valia de alguns dos seus jogadores. William é mais do que mostrou. Muito mais. Adrien também. E isto custa, especialmente vindo destes, pois sabemos que sentem o clube e já demonstraram vontade de vencer por ele vezes suficientes.

 

"Sei que sinto o clube da forma que só a formação consegue sentir e que é difícil de explicar. Ninguém sua a camisola como quem a veste desde sempre."

 

Pareço um desesperado a transcrever citações de livros ou cifras como naquelas páginas de facebook. Mais uma vez, Francisco Geraldes relembra algo importante que tem faltado nos últimos tempos; suar a camisola. E tem faltado aos que a vestem desde sempre mas ainda mais a muitos dos outros.

Temos um Presidente adepto que contratou um treinador adepto que, por sua vez, tem um conjunto de jogadores composto por alguns que também torceriam pelo Clube mesmo estando de fora. De fora, precisamente o sítio onde alguns parecem querer estar, esquecendo-se que há ainda trabalho a fazer e respeito a dever a quem sofre, vibra e ama o Sporting todos os dias. Nós, os adeptos.

 

"Foda-se, que início de merda!"

 

Esta frase é minha (mas pode também ser tua) e foi proferida ontem, aos quarto minuto de jogo, quando Rafael Lopes nos coloca em posição de desvantagem após termos conhecimento do empate do líder em casa.

Nada pior que mais um jogo a correr atrás do prejuízo desde início, muito menos num terreno tão difícil quanto aquele que voltaremos a enfrentar daqui a dois dias.

 

"Tanto passe falhado"

 

Mais uma da minha autoria (sim, podem reclamar direitos de autor), que teve Adrien como principal destinatário. Num meio-campo que nos habituámos a ter como a nossa principal força, ver tanta displicência arruína as nossas possibilidades de apresentar um bom futebol, fluído e objectivo.

 

"Sempre os mesmos! Que seria de nós sem eles?!"

 

Gelson Martins e Bas Dost, obviamente. Tudo o que de melhor temos visto vem repetidamente da capacidade criativa de Gelson e do apurado faro de golo de Bas Dost. Não há quem deles sequer se aproxime nas suas posições e isso coloca-nos, de certa forma, reféns de dois jogadores, A imprevisibilidade que deveríamos dar ao jogo fica muitas vezes comprometida por a receita ser sempre a mesma: bola no menino e o holandês resolve. São sete assistências de Gelson e treze golos de Dost...só no campeonato.

 

"Uff"

 

Ir para o intervalo empatados constituía um alívio e trazia a esperança de um novo balão de oxigénio para a segunda parte, sobretudo para os primeiros minutos, onde se queria um Sporting incessantemente à procura do golo. 

 

"Porquê?"

 

Coração de Leão não tem descanso. Numa segunda parte que se esperava de velocidade e onde todas as armas seriam necessárias, Jorge Jesus terá indicado a Raúl José para lançar Bryan e André para os lugares de Alan e Campbell. Sendo verdade que nenhum dos dois fez uma exibição deslumbrante (na verdade nenhum deles entusiasmou), seria de esperar que o golo ao intervalo galvanizasse a equipa e trouxesse um pouco mais de confiança. Desperdiçar a velocidade de Campbell e a meia distância de Alan pareceu-me precipitado, sobretudo antes de ver o que dariam os primeiros dez minutos do segundo tempo. 

 

"Estava-se mesmo a ver"

 

Esta não disse, mais para afastar o fantasma, mas ecoou bem alto várias vezes na minha mente. Assim que Rúben Semedo viu o primeiro amarelo, metade da nação leonina terá dito que não acabaria o jogo. As duas substituições de Jesus ao intervalo não davam espaço de manobra. Paulo Oliveira acabaria por entrar mas não para o lugar de quem devia e, infelizmente, para completar uma defesa coxa, após uma expulsão mais que justa. O Sporting ficava a jogar com 10.

 

"Na na na na, na na na na, Bas Dost!"

 

André acabaria por se redimir do escandaloso golo que falhou, servindo Bas Dost para o 15º golo de leão ao peito. O holandês marca um golo a cada 126 minutos de competição. Em jogos da Liga, a cada 91 minutos as redes balançam. Bas Dost não merece ser, no geral, tão mal servido e, com um rendimento óptimo da equipa, já teria pelo menos mais meia dúzia de golos.

 

"Nãããããããoooo! O que é que este gajo está a fazer?!"

 

Qualquer Sportinguista que não viva no mundo da Lua e tenha consciência da realidade sabia que seriam minutos penosos até final. Abdicar de atacar, sabendo da nossa incapacidade para segurar resultados poderia ser desastroso. Tirar do jogo Bas Dost era ter a certeza que passaríamos o que restava a rezar a todos os santinhos para que o karma não voltasse a cair-nos em cima.

 

"Eu tinha avisado!"

 

Na última ronda pelos emprestados, deixei uma nota a Fábio Martins, jogador formado no Porto, que tem conseguido subir degraus seguros na carreira, graças à sua qualidade. Provavelmente nunca voltará a fazer um golo daqueles mas eu tinha alertado. Escusado será dizer que este golo surge devido a uma total apatia e inépcia na hora de reagir à chamada "segunda bola". Não há um jogador num raio de muitos metros preparado para reagir àquele ressalto de bola vindo do corte em esforço de Coates, tal como já não havia quem tivesse estorvado a acção do jogador que tentou o passe. Tudo isto numa equipa com 10 elementos, a precisar de segurar uma vantagem preciosa que manteria acessa a chama do título. O resto é talento do miúdo e um balde de água fria (ai um) tremendo que apaga a nossa chama e desanima a nossa esperança.

 

"E agora?"

 

Podia guardar este ponto para mais tarde mas isso seria empurrar com a barriga um problema evidente. Esperar por um desaire (agora ou mais tarde) na Taça não é o mais adequado, até porque, não salvando a época, a taça de Portugal é um objectivo que convém que não deixe de o ser.

Nada se mudará até terça-feira mas algo é preciso fazer depois disso. Bruno de Carvalho deu poder a Jorge Jesus. Esse poder acarreta responsabilidade e Jesus é o principal responsável do evidente mau planeamento da época. O plantel foi construído com lacunas gritantes e demasiados pontos de interrogação, que agora se mantêm. Aquilo que no início da temporada, esperançosamente, pareciam soluções, são agora problemas e está nas mãos de Bruno de Carvalho pôr termo a isto, restituindo para si a pasta do futebol e, consequentemente, retirando algum do poder a JJ. Ter tomates para tomar essa decisão poderá ser fulcral, até como medida eleitoral. É fundamental que se perceba que o Presidente não está refém do treinador. É fundamental que Jesus oiça o que ouviram os antecessores: "Os reforços estão em casa". Resta saber se alguém pega nos excedentários, muitos deles com contratos generosos.

 

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